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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 85

Valentina ficou alguns segundos olhando para o teto, depois que Lucas saiu do quarto, como se precisasse se convencer de que aquilo era real. O cheiro de hospital, o bip ritmado do monitor, a mão de Bianca ainda segurando a dela.

Tudo ali dizia que ela estava viva.

Mas o corpo não acreditava.

— Bi… — a voz saiu baixa, rouca, como se tivesse sido usada demais. — Eu não sei por onde começar.

Bianca não respondeu de imediato. Apenas apertou a mão dela com cuidado, ancorando.

— Começa do jeito que der. — disse. — Eu tô aqui pra ouvir tudo.

Valentina respirou fundo. O peito doeu.

— Eles me levaram muito rápido. — começou. — Eu nem entendi o que estava acontecendo. Um segundo eu estava andando… no outro eu estava no chão.

Ela engoliu em seco.

— Eu ouvi os tiros. Vi os seguranças caírem. Eu tentei correr… — a voz falhou — …mas não consegui.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

Bianca sentiu o impacto da cena sem precisar de mais detalhes.

— Eu gritava. — Valentina continuou. — Gritava tanto, Bi… e ninguém vinha.

A primeira lágrima escorreu.

Depois outra.

— Eles me amarraram. — disse, num fio de voz. — Me jogaram num galpão. Escuro. Frio. Sujo. Eu não sabia se era dia ou noite.

Ela tremeu levemente.

Bianca se aproximou mais, apoiando o antebraço na cama, sem interromper.

— Eles diziam que ninguém estava procurando por mim. — Valentina confessou. — Que meu marido não estava com pressa. Que talvez nem se importasse.

O choro veio sem controle agora.

— E eu tentei não acreditar. Juro que tentei. Mas… — ela fechou os olhos — …o tempo passava. Eles voltavam. Me batiam. Me ameaçavam. E ninguém aparecia.

Bianca levou a mão livre ao rosto, os olhos ardendo.

— Eu achei que ia morrer lá. — Valentina disse, quase num sussurro. — Eu sabia que ia morrer lá.

Ela respirava rápido demais.

— Teve uma hora… — continuou — …que eu parei de pedir socorro. Eu só queria que acabasse logo.

Bianca sentiu o peito apertar violentamente.

— Val… — tentou dizer.

— Eles falaram que iam me matar se ele não pagasse. — Valentina prosseguiu. — E depois disseram que talvez nem dinheiro resolvesse. Que queriam me quebrar primeiro.

Ela abriu os olhos e olhou diretamente para Bianca.

— Eu fiquei com medo de enlouquecer. — disse. — De não sair inteira de lá… mesmo que saísse viva.

Bianca não aguentou.

Levantou-se um pouco e envolveu Valentina com cuidado, sem apertar demais por causa dos ferimentos.

— Eu sinto muito. — disse, com a voz embargada. — Sinto tanto…

Valentina se agarrou ao abraço como se aquilo fosse a única coisa firme no mundo.

— Quando eu ouvi tiros… — ela murmurou — …eu achei que era o fim. Achei que eles estavam voltando.

As lágrimas molharam o ombro de Bianca.

— E aí alguém me pegou. — continuou. — Me tirou do chão. Falava comigo. Mandava eu não dormir.

Ela se afastou um pouco para respirar.

— Mas eu já estava tão longe, Bi… tão cansada…

Bianca acariciou o cabelo dela com cuidado.

— Você foi muito forte. — disse. — Muito mais do que imagina.

Valentina balançou a cabeça negativamente.

— Eu não me senti forte. — respondeu. — Eu me senti pequena. Sozinha. Esquecida.

Bianca respirou fundo, segurando o choro para não desmoronar junto.

— Você não estava sozinha. — disse, com firmeza. — Nunca esteve.

Valentina levantou o olhar, confusa.

— Como assim…?

Bianca hesitou um segundo.

O suficiente para escolher as palavras certas.

— Eu soube do sequestro muito rápido. — disse. — E não foi por notícia, Val.

Valentina franziu a testa.

— O Rafael me ligou. — Bianca completou. — Pouco tempo depois que tudo aconteceu.

Valentina congelou.

O choro cessou abruptamente, substituído por confusão.

— O quê…? — murmurou.

Bianca segurou a mão dela com mais firmeza.

— Calma. — disse. — Eu te explico tudo. Mas agora… respira primeiro.

Valentina respirou fundo, o coração acelerado por outro tipo de medo.

— Bianca… — disse, a voz trêmula — …o que você está dizendo?

— O Rafael… — começou, mas a palavra morreu antes de virar pergunta.

Bianca percebeu.

Sentou-se melhor na cadeira, ajustando o corpo como quem sabe que agora não podia errar uma sílaba sequer.

— Val… — disse com cuidado. — Você não viu o que aconteceu fora daquele galpão.

Valentina engoliu em seco.

— Eu achei que ele não tinha vindo. — confessou, finalmente, a voz frágil. — Achei que… — fechou os olhos — …que eu não importava o bastante.

A frase caiu pesada.

Bianca sentiu como se alguém tivesse apertado seu peito por dentro.

— Não. — respondeu de imediato. — Isso não é verdade.

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