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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 86

O quarto ainda carregava o silêncio frágil de quem tinha voltado do limite.

Valentina estava recostada na cama, os olhos semicerrados, o corpo cansado demais para sustentar qualquer emoção longa. Bianca permanecia ao lado, sentada na cadeira, segurando a mão da amiga como se, ao soltar, algo pudesse quebrar de novo.

O bip constante do monitor marcava o tempo.

A porta se abriu.

— Então… foi aqui que esconderam minha menina.

A voz entrou antes da presença.

Firme. Cheia. Donde vinha, ninguém ignorava.

Bianca ergueu o rosto no mesmo instante.

— Vovó…

Valentina piscou devagar.

O reconhecimento veio antes da surpresa.

— Vovó Kato…?

Ela entrou sem pedir licença — como sempre. Baixinha, postura impecável, cabelo branco perfeitamente arrumado, olhar afiado como lâmina bem cuidada. Parou ao lado da cama e observou Valentina com atenção absoluta.

Os hematomas.

O curativo.

A palidez.

O sorriso demorou a aparecer.

— Olha só… — murmurou, num tom baixo, contido. — Ainda bem que você é mais teimosa do que o mundo.

Valentina sentiu os olhos arderem.

— Eu… — tentou falar.

— Agora não. — interrompeu a vovó, erguendo a mão. — Quem fala sou eu.

Ela puxou a cadeira e sentou-se ao lado da cama. Com um cuidado que contrastava com a firmeza da voz, segurou o rosto de Valentina entre as mãos.

— Você voltou. — disse simplesmente. — E isso é tudo o que importa.

Valentina engoliu em seco.

— Eu achei que… — a frase morreu.

— Eu sei. — respondeu a vovó. — Mas você não nasceu para morrer com medo. Muito menos sozinha.

Bianca respirou fundo, emocionada.

— A senhora veio correndo. — disse. — Nem avisou.

— Avisei o necessário. — respondeu ela. — O resto é urgência.

Valentina soltou um riso fraco.

— A senhora continua assustadora.

— Ainda bem. — devolveu a vovó. — Mulher doce demais não sobrevive nesse mundo.

Nesse momento, Lucas apareceu à porta.

— Dona Kato… — disse, respeitoso.

Ela virou-se lentamente e o encarou de cima a baixo.

— Lucas. — disse, reconhecendo-o sem esforço. — Vejo que continua vivo. Bom sinal.

Ele sorriu de canto.

— Tento manter a tradição.

Ela cruzou os braços.

— E continua fugindo de compromisso?

Lucas tossiu, sem graça.

— Vovó…

— Estou perguntando porque eu apresentei você à minha neta. — continuou ela, sem nenhum constrangimento. — E até hoje espero um pedido decente.

Valentina riu baixo.

— Vovó…

— Ela não quis. — Lucas respondeu, honesto, coçando a nuca.

A vovó Kato arqueou a sobrancelha.

— Então fez bem. — concluiu. — Homem que sabe esperar costuma saber cuidar.

Lucas piscou, sem saber se agradecia ou se preocupava.

Rafael observava tudo em silêncio, encostado à parede.

A vovó virou-se lentamente para ele.

O olhar não era de surpresa.

Era de avaliação.

— Senhor Montenegro. — disse, com naturalidade.

— Tudo bem — respondeu, sem discussão. — Eu vou estar aqui fora.

Bianca apertou a mão de Valentina com cuidado, como se dissesse sem palavras que não iria a lugar nenhum.

Lucas se aproximou da avó, oferecendo o braço.

— Vamos, vovó. — disse, gentil. — Ela precisa descansar.

Vovó Kato lançou um último olhar à neta, cheio de ternura e vigilância silenciosa.

— Descansa, meu amor. — murmurou. — A família está aqui.

Quando saíram do quarto, Rafael foi o último a atravessar a porta.

No corredor, o silêncio voltou a se impor.

Foi ali que vovó Kato parou.

Virou-se para Rafael com calma, o rosto sereno de quem já viu muitas histórias começarem e terminarem — e sabe reconhecer o que realmente importa.

— Senhor Montenegro — disse ela.

Rafael inclinou levemente a cabeça, respeitoso.

— Minha neta nasceu cercada de amor — continuou. — Criada para entender o valor das pessoas antes do valor das coisas. Dinheiro nunca foi o que a manteve inteira.

Ela respirou fundo.

— Valentina cresceu do mesmo jeito. — disse. — Foi uma lástima o que aconteceu com os pais dela. Uma perda que molda, mas não endurece… se o coração for bom.

Rafael manteve o olhar fixo, atento.

— Eu sei que existe um contrato entre vocês — vovó Kato prosseguiu, sem rodeios. — Não sou ingênua. Mas contratos não protegem ninguém da solidão.

Ela se aproximou um pouco mais.

— Não a deixe sozinha de novo. — disse, com firmeza tranquila. — E não a machuque. Nem com atos, nem com ausências.

Rafael engoliu em seco.

— Ela é preciosa — concluiu vovó Kato. — E pessoas assim não aparecem duas vezes na vida de um homem.

Houve uma pausa curta.

— Valorize-a. — disse por fim. — Ou vai perdê-la… mesmo tendo tudo.

Ela tocou o braço dele com gentileza e seguiu pelo corredor, acompanhada de Lucas.

Rafael permaneceu ali por alguns segundos.

Depois, encostou-se à parede branca do hospital, fechando os olhos brevemente.

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