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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 87

O som do tapa ecoou pela sala.

Não foi um som alto.

Foi um som definitivo.

Clara sentiu o impacto atravessar o rosto e alcançar algo mais profundo — não a pele, mas o orgulho. O corpo reagiu em atraso. Os joelhos cederam. Ela caiu sobre o tapete claro, as mãos escorregando no chão polido enquanto tentava se manter ereta.

O gosto de sangue veio rápido.

Vitória permaneceu de pé.

Impecável.

Vestida como se estivesse prestes a receber convidados importantes, não a punir alguém que acabara de falhar. O vestido escuro caía perfeitamente sobre o corpo. As joias eram discretas. O cabelo, arrumado com rigor. Nada nela denunciava fúria — apenas controle.

— Sua inútil. — disse, em tom baixo. — Eu te avisei.

Clara manteve a cabeça abaixada.

Não por submissão.

Por estratégia.

— Eu te disse que não haveria segunda chance. — Vitória continuou, caminhando devagar pela sala. — Uma. Única. O tipo de oportunidade que não se repete.

Clara respirou fundo.

O rosto ardia. O peito também.

— Senhora… — começou, com cuidado. — O plano estava sólido.

Vitória parou.

Virou-se lentamente.

Outro tapa.

Dessa vez, Clara não caiu.

A dor foi absorvida pelo ódio.

— Sólido? — Vitória perguntou, com um sorriso frio. — Sólido não falha.

O silêncio se espalhou.

Clara fechou os olhos por um instante.

E o passado voltou.

Não como lembrança vaga.

Mas como filme.

O telefone descartável em sua mão dias antes.

O quarto escuro.

A mesa coberta por mapas impressos.

Ela lembrava de tudo.

— Eu escolhi o local. — disse, finalmente, a voz firme apesar da posição humilhante. — Um galpão fora das rotas principais. Sem câmeras. Sem movimento noturno. Usado antes para cargas ilegais.

Vitória ouviu sem interromper.

— Eu acompanhei a rotina dela por semanas. — Clara continuou. — Horários. Trajetos. Momentos de vulnerabilidade.

Outro flash.

Valentina caminhando distraída.

O carro preto dobrando a esquina.

Os tiros rápidos, calculados.

— Os homens foram pagos para não negociar demais. — disse Clara. — O objetivo nunca foi o dinheiro. Era quebrá-la. Apagar.

Vitória estreitou os olhos.

— Continue.

— Eu sabia que o Rafael ia reagir rápido. — Clara admitiu. — Mas não rápido o suficiente.

Ela ergueu o rosto.

— Ele sempre chega tarde quando não controla a situação.

Vitória caminhou até o bar da sala e serviu um copo de bebida.

— E ainda assim ela está viva. — disse, calmamente.

A palavra caiu como sentença.

Viva.

Clara sentiu o estômago revirar.

— Porque algo saiu do controle. — respondeu, os dedos se fechando em punho. — Um erro que não estava no plano.

Vitória virou-se devagar.

— Diga o nome.

Clara respirou fundo.

— Enzo.

O copo na mão de Vitória parou no ar.

— Aquele verme… — murmurou. — Sempre inútil. Sempre à sombra.

Clara assentiu.

— Ele não deveria estar ali. — disse. — Nunca esteve antes. Nunca se envolveu em nada. Nunca levantou um dedo para proteger ninguém.

Ela fechou os olhos, lembrando.

O telefone vibrando de repente.

A voz desesperada do sequestrador.

“Tem alguém atirando aqui.”

— Ele se colocou no meio. — continuou Clara. — E fez exatamente o que nunca fez na vida inteira.

Vitória deu um gole lento.

— Salvou.

A palavra soou como blasfêmia.

— Sim. — Clara respondeu, a raiva finalmente vazando. — Ele virou herói. Ele virou luz. Logo ele.

Vitória pousou o copo com cuidado excessivo.

— Você subestimou o fator humano. — disse. — E isso é imperdoável.

Clara sentiu o peso da frase.

— Eu a queria morta. — disse, a voz carregada de ódio agora. — Porque enquanto ela respira… ela ocupa um lugar que não é dela.

Vitória se aproximou.

— Lugar nenhum é de alguém por acaso. — disse. — Ele é tomado.

O silêncio voltou.

Mais pesado.

— Você vai para o interior. — anunciou Vitória, como quem decide o destino de um objeto.

O pânico foi imediato.

— Não. — Clara levantou o rosto, os olhos brilhando de fúria e medo. — Qualquer coisa menos isso.

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