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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 99

A palavra ainda pairava no ar.

— Precisamos conversar.

Valentina sentiu o estômago afundar antes mesmo de responder. Não era o tom. Era o silêncio que veio depois. Aquele tipo de pausa que não existe por acaso — existe porque alguém decidiu que ela devia existir.

— Sim, dona Vittória… — disse, baixa.

A mesa de café permanecia intacta, quase ofensivamente perfeita. Porcelanas alinhadas, frutas cortadas com precisão, o café ainda quente. Tudo igual a todas as manhãs daquela casa.

Exceto o ar.

Vittória mantinha o sorriso nos lábios, mas os dedos apertavam a xícara com força excessiva. Havia algo contido ali. Algo prestes a escapar.

Valentina deu um passo à frente.

Foi quando o som estalou.

— CHEGA.

O impacto da mão de Augusto contra a mesa fez a porcelana vibrar. O barulho seco ecoou pela sala como um tiro contido. Xícaras bateram entre si. Um talher caiu.

Valentina deu um sobressalto tão forte que precisou apoiar a mão na cadeira para não perder o equilíbrio.

Vittória congelou.

Augusto Montenegro estava de pé.

Não havia grito agora. Não havia explosão. Havia algo muito pior: controle absoluto depois da ruptura. O olhar dele não estava em Valentina. Nunca esteve.

— Você não vai dizer mais uma palavra. — a voz saiu baixa, firme, mortalmente calma.

Vittória piscou, incrédula.

— Augusto, como ousa—

— Cale-se.

A palavra cortou o ar.

Valentina sentiu as pernas falharem por um segundo. Nunca — nunca — tinha visto aquele homem elevar a voz. Ele sempre fora a presença silenciosa, distante, quase decorativa nos jantares formais.

Aquilo não era decoração.

Era comando.

— Valentina. — ele disse, sem sequer olhar para ela.

Ela ergueu o rosto imediatamente.

— Suba. Agora.

O tom não era um pedido. Também não era uma ordem dura. Era algo mais frio: proteção estratégica.

— Eu… — ela tentou falar.

— Agora. — repetiu, finalmente olhando para ela.

Os olhos de Augusto encontraram os dela por um segundo curto, mas definitivo. Valentina sentiu um arrepio subir pela espinha. Não havia ameaça ali.

Havia aviso.

Ela se afastou da mesa com passos rápidos demais para parecerem elegantes. O coração martelava no peito enquanto atravessava a sala.

Atrás dela, Vittòria recuperava o fôlego.

— Você não tem o direito de—

— Venha ao escritório. — Augusto disse, interrompendo-a. — Ou prefere que eu revele certas coisas… aqui mesmo? Na frente da sua nora?

O rosto de Vittória perdeu a cor.

— Augusto… — murmurou, num fio de voz.

Ele já caminhava para fora da sala.

— Agora.

Valentina subiu as escadas quase correndo. O som dos próprios passos parecia alto demais. O corpo inteiro tremia — não de medo direto, mas de choque.

O que acabou de acontecer?

No topo da escada, ela precisou segurar o corrimão. O mundo parecia levemente inclinado. Respirou fundo, uma, duas vezes.

Então ouviu a porta do escritório se fechar com força.

E soube.

Aquilo não tinha sido para ela.

Aquilo tinha sido por ela.

O escritório estava mergulhado em penumbra quando Vittória entrou.

Entrou com raiva.

— COMO VOCÊ SE ATREVE—

O tapa veio antes do fim da frase.

Seco. Preciso. Humilhante.

Vittória caiu de lado, o impacto a jogando contra a poltrona. O rosto ardeu antes mesmo da dor se instalar de verdade.

— Eu avisei. — Augusto disse, sem elevar a voz. — Avisei para deixar aquela mulher em paz até a assinatura do contrato.

Vittória apoiou-se no braço da cadeira e se levantou, os olhos incendiados.

— Você está defendendo aquela mulherzinha?!

Augusto sorriu.

Mas não havia humor ali.

— Não. — respondeu. — Nem ela. Nem você.

Deu dois passos à frente.

— Eu quero o dinheiro. — continuou. — E quanto mais, melhor.

Vittória respirava rápido agora.

— Quem você pensa que é para me bater?!

Augusto inclinou a cabeça, avaliando-a como se fosse um erro de cálculo.

— Tenho todo o direito. — disse. — Minha família te comprou da sua. Pagou caro para que você fosse minha esposa.

O silêncio se tornou sufocante.

— Sua vida me pertence, Vittória Almeida.

Ela estremeceu.

— Eu sou uma Montenegro! — gritou.

— Não. — ele respondeu, sem hesitar. — Você nunca será.

Aproximou-se mais.

— Você é apenas mais uma peça que eu tolero enquanto serve ao propósito certo. — disse. — Não pense que vou aceitar você arruinar tudo.

Vittória cuspiu as palavras:

— Você está defendendo aquela vadia!

— Não. — Augusto repetiu, agora com os olhos frios. — Estou defendendo meu investimento.

Ele se afastou.

— Se você ousar fazer qualquer coisa contra aquela mulher… — parou na porta. — Eu passo por cima de você.

Abriu a porta.

— Lembre-se: você está aqui porque eu deixo.

A porta se fechou com força.

Vittória caiu sentada.

As mãos tremiam. O rosto ardia. O ódio subia como veneno quente.

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