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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 138

"Isabella"

Às cinco da manhã eu já estava de pé. Tinha feito um breve alongamento, preparado café e me sentado à mesa para avaliar todas as informações que reunira até agora. Mesmo com tudo o que havia acontecido, eu não tinha deixado de lado a questão da Karen. A diferença era que agora havia mais um inimigo no tabuleiro.

Eu não podia esquecer. Era justamente nesses momentos que as pessoas cometiam erros. E eu precisava estar atenta a cada um deles. O medo tinha ficado para trás junto com a versão antiga de mim mesma. Aquela que aceitava, que engolia, que se calava. Essa Isabella já não existia.

Enquando analisava as informações meus pensamentos voavam até Marco Aurélio.

Ele não perdoaria minha ousadia, já tinha me ameaçado uma vez, agora não sabia o que faria. Eu tentava analisar o que um homem como ele faria contra mim, o que eu tinha a perder, já que casamento já foi afetado. O que mais ele teria coragem de fazer e o que eu poderia fazer para em adiantar?

A mesa estava tomada por papéis, anotações soltas, horários rabiscados, mapas mentais que só faziam sentido para mim. O notebook aberto exibia mais uma aba com registros recentes: deslocamentos de Karen, contatos de Carlos, horários, alguns padrões. Tudo se repetia. Tudo confirmava o que eu já sabia.

Quando Camila chegou, imaginei que iria reclamar da minha obsessão. Mas bastou erguer os olhos para perceber que algo estava errado. Minha prima tinha os olhos inchados de choro, o rosto abatido, por um momento me assustei com medo de ter acontecido algo grave.

Fechei o notebook devagar.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei me controlando para não parecer desesperada.

Ela tentou falar, mas a voz não saiu. Sentou-se ao meu lado em silêncio, como se precisasse criar coragem.

— Ele foi embora — disse, por fim, entre soluços.

— Quem foi embora? — perguntei, ainda sem entender de quem ela falava.

— O César. Ele foi embora… passou na Lush pra avisar.

Encarei Camila, incrédula. César tinha ido embora? Para onde? Justo agora, no meio do caos? Não verbalizei o desconforto que aquilo me causou, mas a sensação de alerta se instalou imediatamente. Por que ele fugiu?

— Ele disse que precisava ir… — continuou ela, a voz falhando. — Disse que precisava de um tempo pra pensar na vida, resolver umas coisas internas. Não quis me dizer pra onde foi. Jurou que vai voltar, mas eu não sei…

Por alguns segundos, não consegui reagir. Minha mente tentava encaixar a informação em alguma lógica conhecida, em algum padrão previsível. Não conseguia.

A irmã dele estava no hospital. A família implodia por dentro. Segredos começavam a emergir. E César simplesmente… tinha ido embora. Achei aquilo covarde.

Ainda assim, não fazia sentido. Tive o ímpeto de ligar para Augusto, mas desisti. De qualquer forma, ele acabaria sabendo.

— Mas ele disse quando volta? — perguntei, finalmente. — Se jurou, não foi pra sempre, foi?

Camila respirou fundo, como se precisasse reunir forças.

— Disse que volta. Disse que é só um tempo… que, quando voltar, a gente vai viver.

Ela riu sem humor.

— A culpa é minha, Isa. Eu deixei ele ali, na friend zone. Eu amo ele, mas tive medo. Não quis me envolver. Tudo parecia grande demais… complicado demais. A família dele, os problemas, tudo. Achei que dava pra esperar. Não pensei que ele pudesse ir embora assim.

Pelo menos ele tinha se despedido dela. Ainda assim, Camila estava quebrada. Não era só tristeza. Era arrependimento. Culpa por ter recuado. Apesar de consolar a minha prima eu dava graças a Deus que ela não tinha se envolvido com ele, era um preocupação a menos.

Aproximei-me e segurei seu rosto entre as mãos.

— Não é culpa sua — disse com firmeza. — Olha o que aconteceu nos últimos dias. Nada disso é simples. Talvez ele realmente precise se afastar por um tempo. Às vezes, fugir é a única forma que algumas pessoas encontram pra se encontrar.

Ela encostou a testa no meu ombro e chorou. Um choro pesado, daqueles que vêm do fundo do peito. Eu nunca a tinha visto assim por causa de ninguém. Sempre foi desapegada, aventureira. Eu não fazia ideia de que os sentimentos dela eram tão profundos.

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