"Isabella"
O caminho até a casa do Augusto foi silencioso demais. A tensão faiscava no ar, presa dentro do carro.
Nenhum de nós ligou o rádio. O som do motor preenchia o espaço entre nós, junto com algo não dito, pesado, quase palpável. Eu observava as mãos dele no volante, firmes demais, os dedos tensionados, não consegui controlar meus pensamentos, lembrando daquela mão no meu corpo.
O beijo no elevador ainda ardia nos meus lábios. O calor do corpo dele próximo ao meu, segurando minha mão durante o caminho como se fôssemos algo simples, um casal qualquer. Agora ele estava ali, ao meu lado. Observei os braços fortes sob a camiseta, o rosto bonito, familiar demais.
Cruzei as pernas, descruzei, mexi nas mãos. Nada parecia confortável. Não era uma boa ideia voltar para casa dele. Ficar sozinha com ele.
Quando chegamos, ele estacionou sem dizer uma palavra. Desceu primeiro, deu a volta no carro e abriu a porta para mim. O gesto automático, quase antigo, me atingiu com força.
A casa estava igual. O mesmo cheiro discreto, a mesma iluminação suave, os mesmos móveis no lugar. E, por um instante perigoso, senti como se estivesse voltando para casa. Em poucos meses, eu tinha transformado aquele espaço no meu lar. Era tudo familiar. Pipoca veio correndo, abanando o rabo, e o gato apareceu logo depois. Tive certeza — injusta, iludida — de que ali também era a minha casa.
Mas não era.
Era a casa do Augusto.
Eu não podia me sentir assim.
Ele me observava em silêncio, enquanto eu abraçava a cachorra e o gato, matando a saudade dos dois, me sentindo culpada.
— Desculpa — falei, me levantando e encarando-o nos olhos. — Eu me distraí. Estava com saudade deles.
Respirei fundo.
— O que você quer falar comigo?
Augusto não respondeu de imediato. Apenas me encarava com intensidade, daquele jeito que me deixava quente. Eu conhecia aquele olhar. Sempre gostei daquele olhar voltado para mim.
Ele se aproximou e me puxou para si sem delicadeza. O beijo veio faminto, urgente. Retribuí na mesma medida, quase desesperada, me pendurando nele sem vergonha, sem pensar em mais nada.
Dali em diante, tudo virou um borrão.
As roupas ficaram pelo caminho. Era saudade demais, desejo acumulado demais, tempo demais reprimido. No tapete da sala, enquanto Augusto me desejava sem reservas, não conseguia compreender como tinha ficado longe dele por tanto tempo. Todas as brigas pareceram pequenas, bobas.
Passamos horas ali, presos um ao corpo do outro, até a exaustão. Mais tarde, eu dormia com o rosto apoiado em seu ombro, dolorida de tanto sexo, ainda querendo mais.
— Você precisa voltar para casa — ele disse, baixinho.
— Augusto, isso foi só tesão — respondi, tentando me enganar.
Ele me olhou com seriedade.
— Não. Estou falando sério. Você precisa voltar. Vai estar segura ao meu lado.
Fez um carinho no meu rosto.
— Eu não consigo te proteger longe de mim. Eu errei em te tratar daquele jeito depois do vazamento do contrato. Eu juro que nunca mais vou te desrespeitar.
Fiquei em silêncio, pensativa. A briga esquecida, a acusação ainda ali, latente.
— Não é só isso… é tudo.
— Olha pra mim — ele disse, se levantando. — Vamos fazer certo dessa vez. Eu vou te levar a um jantar de verdade, não uma demonstração pública. Vamos ser um casal. Vamos viajar. Dessa vez, dividindo a mesma cama, dormindo abraçados, nus, depois de tanto transar. Vamos conhecer o mundo juntos. Planejar a nossa família.
Ele soltou uma respiração longa, pesada.
— Quero que você saiba de tudo o que está acontecendo. Não vou esconder nada — disse. — Meu pai me chamou hoje. O César foi embora sem aviso, não disse para onde ia nem quando volta. Eu não quis me intrometer, mas meu pai não aceitou isso. Ele me deu um aviso claro: eu devo voltar para a empresa.
Augusto respirou fundo antes de continuar.
— E ele te ameaçou. Diretamente. Eu não posso admitir uma coisa dessas. Se alguma coisa acontecer com você, eu nunca vou me perdoar. Eu percebi que estava disposto a perder qualquer coisa… menos você.
Levantei o rosto devagar para encará-lo.
— Eu não tenho medo dele — falei.
— Mas eu tenho — respondeu, sem hesitar. — No momento, ele está desestabilizado. O plano de casamento da Diana foi por água abaixo. Eu não vou subestimar meu pai quando você pode ser atingida.
Senti um frio no estômago. Passei a mão pelo braço dele, sentindo a tensão sob a pele.
— Tudo bem — disse com firmeza. — Vamos encarar isso juntos.
Eu escondia coisas de Augusto. Não tinha contado que o pai já tinha me ameaçado diretamente, nem sobre os papéis que César me entregara. Falaria em outro momento.
Engoli em seco. Meu peito apertou. Amor e medo se misturaram de um jeito quase sufocante.
— Você confia em mim? — ele perguntou.
— Confio.
— Então confia que, a partir de agora, nada vai ser feito sem você saber. Nenhuma decisão. Nenhuma conversa. Nenhuma guerra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...