"Isabella"
O telefone tocou pela terceira vez antes que eu atendesse. Algo no horário — cedo demais, urgente demais — me deixou em alerta. Eu tinha dormido com Augusto e nem tinha passado na casa da minha tia para buscar minhas coisas.
Era três da manhã quando vi no visor que era Camila.
— Isa… — a voz dela veio trêmula, quase irreconhecível. — Eu estou na delegacia.
Sentei na beira da cama no mesmo instante.
— O que aconteceu? — meu coração disparou, já imaginando uma tragédia.
Houve um silêncio curto, pesado.
— Estão dizendo que eu roubei dinheiro da boate.
O mundo pareceu desacelerar, cheguei a pedir para repetir porque não conseguia acreditar no que estava escutando.
— Isso é impossível. Você jamais faria uma coisa dessas.
— Eu sei. Mas dizem que tem imagens, que acharam o dinheiro no meu armário. Eu juro por tudo, Isabella, eu não peguei nada. Chamaram a polícia…
Camila nunca foi irresponsável. Nunca precisou ser. Trabalhava dobrado, cuidava da própria vida, nunca se metia em confusão. Aquilo não fazia sentido e era exatamente isso que me assustava.
— Onde você está agora?
— Na Central. Me algemaram, Isa… como se eu fosse uma criminosa.
A dor na voz dela era palpável. A humilhação, a indignação de ser acusada por algo que não fez.
— Fica calma — eu disse, já me levantando. — Eu vou resolver isso.
— Não conta nada pra minha mãe. Inventa uma desculpa. Ela vai se desesperar, vai querer vir pra cá… eu não quero que ela me veja assim.
— Pode deixar.
Desliguei. Augusto já estava acordado, sentado na cama, atento a cada palavra.
— O que aconteceu?
Expliquei enquanto me vestia às pressas. Pouco depois, seguimos para a delegacia, já acompanhados do advogado que Augusto tirou da cama.
Camila estava sentada em um banco de metal, os olhos vermelhos, os ombros encolhidos, como se quisesse desaparecer. Quando me viu, mordeu o lábio para não chorar.
— Eu não fiz nada — repetiu, antes mesmo que eu me aproximasse.
Segurei o rosto dela entre as mãos.
— Eu sei.
O policial explicou a situação sem nos encarar:
— Acusação formal de furto qualificado. Dinheiro desviado do caixa. As imagens mostram a funcionária indo até o local onde o valor ficava guardado.
— Imagens editadas podem mostrar qualquer coisa — respondeu o advogado. — E dinheiro “encontrado” no armário é a prova mais velha do mundo quando se quer incriminar alguém.
Ele se afastou para falar com os responsáveis pela boate e verificar a situação da minha prima.
Enquanto aguardávamos, observei Camila em silêncio. Havia mais do que medo no rosto dela. Havia humilhação. Aquela sensação de ser esmagada por algo grande demais para reagir.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido