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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 145

"Diana"

Eu me sentia cada vez mais ansiosa para ir para casa. Nunca gostei de hospital e, ao mesmo tempo, a ideia da alta também me deixava inquieta. Já imaginava que meu pai não aceitaria que eu voltasse, mas a confirmação veio quando minha mãe mandou uma mensagem questionando se eu tinha certeza do que estava fazendo e dizendo que, caso tivesse, não precisaria voltar.

Desde então, ela nem tinha vindo me visitar ou perguntado como eu estava. Esse afastamento doía um pouco, mesmo sabendo que era uma possibilidade. A verdade é que eu estava machucada, grávida, carente e, embora estivesse feliz com Ícaro ao meu lado, no fundo ainda queria um carinho de mãe.

Em alguns momentos tentei fingir que estava tudo bem, mas Ícaro estava ali, atento a cada detalhe, e não me deixava desanimar.

Quando finalmente o momento da alta chegou, ele assinou tudo, agradeceu, fez perguntas que eu nem teria pensado em fazer. Ainda tentava me acostumar com a ideia de que alguém estava, de fato, cuidando de mim.

— Pronta? — ele perguntou, abaixando-se para ficar na minha altura depois de me ajudar a sentar na cadeira de rodas.

Assenti.

Eu não me sentia exatamente pronta, mas queria ir embora daquele quarto branco, daquele cheiro de desinfetante, daquela versão frágil de mim mesma refletida em cada superfície.

O caminho até o carro foi lento. Ícaro abriu a porta e me ajudou com um cuidado quase excessivo, como se eu pudesse quebrar a qualquer movimento errado.

— Vai se acostumando — disse, sorrindo. — Pelo menos por enquanto, você é minha prioridade.

A frase ficou comigo durante todo o trajeto. Eu moraria com ele e, por algumas semanas, precisaria de ajuda até para tomar banho. Ícaro era carinhoso, tornava tudo melhor, mas no fundo eu tinha um pouco de medo de parecer um fardo. Além do trabalho e da filha, havia eu para cuidar.

A casa dele surgiu como um território novo, ainda estranho, apesar das poucas vezes em que eu já estivera ali. Ícaro me carregou no colo pelas escadas e me colocou no sofá com cuidado. Ele já tinha feito algumas adaptações para facilitar minha recuperação; até barras no banheiro havia instalado.

— Vou te levar para o quarto depois, mas achei melhor você ficar um pouco aqui — explicou. — Para se ambientar.

Assenti de novo. Ainda calada, pensativa.

Enquanto ele ia até a cozinha buscar água, peguei o celular por impulso. Não porque esperasse algo específico, mas por hábito. Rolei a tela devagar. Algumas mensagens do pessoal do trabalho, que talvez nem soubesse ainda que eu nunca mais voltaria, algumas amigas, Augusto, Isabella. Mais ninguém.

Meu dedo parou no nome de Oliver.

Nenhuma mensagem nova.

Nenhuma ligação perdida.

Nada desde antes do acidente.

Franzi a testa. Era estranho. Não completamente inesperado, mas estranho. Mesmo com tudo o que tinha acontecido, mesmo com a gravidez, eu imaginava ao menos uma mensagem curta, um “soube do acidente”, qualquer coisa. Oliver me ligava todos os dias, mandava mensagens mesmo quando eu não atendia ou respondia. E agora sumia assim?

Talvez tivesse ficado sabendo por terceiros. Meu pai, minha mãe, alguém da empresa. Talvez tivesse entendido o recado antes mesmo de ouvir a história completa. Oliver nunca lidou bem com situações difíceis, e eu sabia disso melhor do que ninguém.

Bloqueei a tela antes que o pensamento se alongasse demais em uma questão que não fazia mais parte da minha vida.

— Água — Ícaro disse, estendendo o copo.

Capítulo 145. Meu novo lar 1

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