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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 146

"Augusto"

Voltar para a empresa foi pior do que imaginei e as minhas expectativas já estavam baixas.

Não houve resistência explícita, nenhum e-mail agressivo. As portas estavam abertas, meu nome ainda constava nos organogramas, minha vaga seguia intacta. À primeira vista, eu tinha sido autorizado a retomar meu lugar como se nada tivesse acontecido.

Bastaram poucos minutos para entender: eu não tinha voltado com liberdade.

Até a minha vaga no estacionamento não era a mesma. Alguns rostos conhecidos desviaram o olhar quando me viram passar. Outros sorriram de forma protocolar, como quem cumpre uma obrigação — não um gesto genuíno. Era sutil, quase imperceptível. Mas eu conhecia aquele ambiente melhor do que ninguém. Algo tinha mudado.

No elevador, revisei mentalmente minha agenda. Reunião com o conselho às dez — sendo que eu nem fazia parte dele, mas, sem o César, algum filho precisava ocupar o papel. Alinhamento com a equipe às onze. Pelo menos no papel, tudo parecia normal.

Na prática, não era.

Quando entrei na minha sala, a primeira coisa que notei foi a mudança. Havia outro computador sobre a mesa. Meus acessos tinham sido reiniciados. As novas senhas demoraram a chegar, mesmo eu sendo diretor, atrasando um trabalho que eu sequer tinha começado.

Alguns relatórios estavam inacessíveis. Pastas inteiras haviam sido movidas para outro setor. Projetos que sempre estiveram sob minha responsabilidade agora exigiam validação dupla — a minha e a de um diretor indicado diretamente pelo meu pai.

Controle silencioso. A garantia de que cada passo meu fosse observado.

Durante a primeira reunião meu pai não estava presente, mas sua sombra ocupava cada cadeira da mesa. Um dos diretores — antigo, leal demais — conduziu a pauta como se eu fosse um convidado, não o responsável por boa parte das decisões estratégicas ali discutidas. Apenas observei sem entrar em nenhuma discussão.

— Talvez seja melhor aguardarmos a validação final — disse ele, depois que apresentei uma proposta, nem era algo novo, apenas um projeto velho que estava guardado na gaveta.

Validação final. Tradução: meu pai.

Assenti, mantendo o rosto neutro. Qualquer reação mais dura seria lida como instabilidade. Era exatamente isso que ele esperava. Voltei para a minha sala tentando trabalhar com o que tinha, tentando entender até que ponto meu pai pretendia me humilhar.

À tarde, John avisou que precisávamos conversar, e eu o orientei a ir até o escritório. Com certeza era algo relacionado ao caso da Camila, e eu não me importava que meu pai soubesse que eu estava investigando.

John não fazia visitas desnecessárias. Se estava ali, não algo irrelevante.

Ele entrou alguns minutos depois, fechando a porta atrás de si. A postura era profissional, mas o olhar carregava uma seriedade incomum.

— Augusto — cumprimentou. — Desculpa pedir essa reunião em cima da hora.

— Se você veio até aqui, é porque precisava — respondi. — O que houve? É alguma coisa com a Camila?

John se sentou à minha frente.

— O caso da menina ainda está sendo analisado. Estou aqui para falar sobre a sua irmã. A polícia estava investigando, e nós também, como é de praxe.

Meu corpo ficou tenso automaticamente.

Capítulo 146. Armadilha 1

Capítulo 146. Armadilha 2

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