"Augusto"
Depois que John saiu, ainda restavam duas reuniões — ambas uma completa perda de tempo, até mesmo porque a minha cabeça estava em outro lugar. E quando finalmente o dia encerrou fui direto à casa de Ícaro. Lidaria com meu pai outro dia, para saber se ele tinha alguma ideia de que Oliver era o responsável pelo acidente. Eu não era capaz de colocar a mão no fogo por ele, mas esperava que não estivesse acobertando o homem que quase matou a própria filha.
Avisei Isabella para onde estava indo, e ela disse que me encontraria lá. No caminho, quanto mais eu pensava, mais chegava à conclusão de que Diana precisava de segurança, pelo menos até ter certeza de que Oliver tinha desistido.
Quando cheguei, Isabella me esperava na porta do escritório e me levou até a casa que ficava em cima. Eu não queria ser a pessoa que repara nessas coisas — ainda mais naquela situação —, mas não consegui evitar. Assim que entrei e vi Diana recostada nas almofadas do sofá da sala, pensei no quanto aquela casa era diferente daquela em que crescemos, do mundo em que vivíamos. Não era feia de forma alguma; Ícaro tinha talento com reformas. Ainda assim, Diana havia crescido em uma mansão, com inúmeros quartos, salas, mármore por todos os lados e empregados para fazer tudo.
Mas quando ela me viu e sorriu, enxerguei uma face da minha irmã que eu nem sabia que existia. E isso apesar de ter crescido ao lado dela. Havia uma felicidade autêntica ali.
— E como você está? — perguntei dando um beijo no rosto dela.
— Melhorando. A perna atrapalha um pouco, mas pelo menos estou bem. Quer dizer que o César resolveu desaparecer? E o pai, como ficou quando soube?
Diana estava espantada, assim como o resto de nós.
— Furioso. Ninguém esperava isso do César. Na empresa, na verdade, acham que ele só tirou férias. E eu espero que seja isso mesmo, porque não sei o que fazer se ele demorar muito para voltar.
— E se ele não voltar mais? E se for para algum lugar solitário e descobrir que é bem melhor viver em uma vila isolada na Itália do que aqui?
Diana não sabia da dimensão do envolvimento de César com Camila — que, no momento, parecia ser a única pessoa capaz de fazê-lo voltar. Ainda assim, eu não descartava que Diana estivesse certa: talvez ele realmente escolhesse viver isolado, longe de tudo, o que no fundo não era estranho na verdade.
— Vamos torcer para que não — respondi. — Mas vim aqui por outro motivo. É um assunto delicado que o John veio falar comigo.
Isabella me encarou de imediato, percebendo que algo me preocupava.
— Não quero que fique nervosa — continuei. — É sobre o acidente. O John disse que em breve a polícia vai ficar sabendo e deve falar com você. Quem causou o acidente foi o Oliver. Ele te seguia e jogou o carro contra o seu. Como não aconteceu nada com ele, pelo que sabemos, fugiu do local e deve estar escondido em algum lugar esperando a poeira abaixar.
Diana me encarou, absorvendo a informação. Compreendia exatamente o que eu dizia e não parecia surpresa. Ela conhecia bem o Oliver e sabia do que ele era capaz.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido