"Augusto"
No dia seguinte, tentei falar com meu pai, mas ele se recusou. Passou o dia inteiro em reuniões. Entendi o recado. Ainda assim, ele não se livraria da situação tão facilmente. Decidi que conversaria com ele em sua própria casa. Também seria o momento de observar a reação da minha mãe e atualizar minha avó, mesmo contra a vontade dele.
Esperei que saísse do trabalho, o que aconteceu mais tarde do que o normal, aguardei um pouco e fui para a casa da minha avó.
Assim que cheguei, minha mãe me olhou espantada, claramente sem esperar minha visita. Resolvi ser direto, sem rodeios, não era um visita social.
— A vó está por aqui? É sobre o acidente da Diana.
— Está no quarto. Ainda não falamos com ela sobre o que aconteceu. — Ela fez uma pausa, apreensiva. — Aconteceu alguma coisa com ela?
Pergunta inútil. Se tivesse falado com a minha irmã, saberia a resposta.
— A Diana está bem. Se quiser, pode ligar para ela. Eu vim falar sobre quem causou o acidente.
Meu pai surgiu na sala, me encarando de forma enigmática, sem esboçar nenhuma reação.
— Pensei que a polícia estivesse investigando. O John ainda não me disse nada sobre o que descobriram. — Ele se serviu de um uísque e se sentou no sofá, calmo demais para toda aquela situação.
Eu esperava mais preocupação.
— O John falou comigo. As investigações comprovam que foi o Oliver quem causou o acidente.
Soltei a informação e observei as reações. Minha mãe levou a mão à boca, em choque. Meu pai manteve a expressão neutra. Ele já sabia. A constatação me causou um desconforto imediato.
— Você tem certeza, Augusto? — minha mãe disse, aflita. — O Oliver não faria isso com a Diana. Com certeza foi um acidente.
Se a Isabella estivesse ali, provavelmente teria um ataque, mas eu precisava me controlar para saber até onde eles eram capazes de ir para defender aquele desgraçado.
— Eles têm provas, mãe. A polícia também, não foi um acidente. Para de defender um homem que quase matou a sua filha!
— Augusto! — meu pai elevou a voz. — Não exagera. Com toda certeza foi um mal-entendido.
— Mal-entendido? Ele acelerou e jogou o carro contra o da Diana. Ela perdeu o controle. Teve sorte de quebrar só a perna e não acontecer algo pior. Ele podia ter causado um acidente ainda maior, machucado outras pessoas… ou até se matado. Esse cara é um doente.
— Ele só perdeu a cabeça — minha mãe lamentou, como se isso justificasse tudo — Que homem não perderia a cabeça? Sua irmã engravidou de um cara qualquer, como se fosse uma dessss mulheres da vida.
Encarei os dois. Era óbvio que meu pai ficaria contra a própria filha. Mais óbvio ainda que estava ajudando a acobertar o Oliver. Houve um tempo em que eu quis ser como ele: poderoso, influente, inteligente. Até entender o quanto tinha a mente fechada, o quanto batia de frente com qualquer coisa que não controlasse.
Ali, porém, senti nojo. Aos trinta anos, finalmente compreendi que tipo de homem ele era — e até onde estava disposto a ir.
Minha mãe, que não era minha mãe biológica, mas me criou, também não valia muito. Talvez sempre tivesse sido assim. Desde o início, quando aceitou ocupar o lugar da esposa morta, grávida de um amante, criando os filhos de um homem que nunca foi realmente dela.
Eu esperava aquela reação. Esperava que meu pai defendesse o Oliver. Mas depois de ver a Diana naquele estado, não conseguia entender como ele ainda tinha coragem de fazer isso.
— Você vai defender esse homem? — encarei meu pai, sério, esperando uma resposta direta, mais uma certeza de quem era realmente meu pai.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido