"Isabella"
Se eu avisasse Augusto sobre o que pretendia fazer, ele jamais concordaria. Mas aquele era um movimento que eu precisava executar. Depois das últimas notícias e de saber que Oliver havia sido o responsável pelo acidente de Diana, não havia mais espaço para hesitação.
Augusto tentava disfarçar o estresse, mas eu enxergava além. O retorno dele à empresa estava longe de ser como esperava e, pelo que me contou, o pai sabia do envolvimento de Oliver… e simplesmente não se importava. Contive a raiva e a indignação diante daquela constatação, como aquele pai e mãe acobertariam o homem que tinha machucado Diana.
Dinheiro, poder. Eu usaria a mesma moeda.
Na primeira vez eu tinha ido encontrar meu sogro com a intenção de tentar virar o jogo. Mas as coisas saíram do controle. Agora tinha os pensamentos com mais claros.
Depois que Augusto saiu para trabalhar, fiquei sozinha revisando minhas anotações. A questão da minha irmã e de Carlos ficou momentaneamente suspensa, eu cuidaria disso depois.
Agora, o foco era outro.
Era o momento de conseguir vantagem.
Depois de reunir informações suficientes e estruturar com cuidado o que tinha em mente, decidi ter mais uma conversa com Marco Aurélio. Desta vez, porém, em outro terreno. Um onde ele não se sentisse tão confortável.
Paguei um valor extra ao segurança que me acompanhava e pedi algumas informações, nada direto demais, apenas curiosidade bem colocada. Queria saber onde meu sogro costumava almoçar e em quais horários.
A resposta não demorou a chegar. Seguranças conversam entre si, compartilham rotinas, comentam o que veem. Sabiam das coisas. E, por mais bem pagos que fossem, um dinheiro a mais nunca era demais.
Marco Aurélio havia escolhido um restaurante sofisticado, próximo à empresa, o tipo de lugar onde homens como ele acreditam estar protegidos pelo ambiente.
Eu tinha me vestido de acordo, com um vestido social e salto alto. A aparência de uma executiva de verdade. Todos sabiam exatamente quem eu era, e eu fiz questão de deixar isso claro, um almoço entre familia.
Marco Aurélio quando me viu, estreitou os olhos, claramente contrariado. Sem pedir permissão, puxei a cadeira e me sentei à sua frente.
— Vou chamar a segurança — ameaçou.
— Não vai — respondi com calma. — Nós vamos conversar, e você vai me escutar.
— Quem você pensa que é para vir aqui me dar ordens?
Inclinei levemente a cabeça, avaliando-o.
— Você tem ideia do estrago que as redes sociais podem causar à imagem de uma empresa? — perguntei, com um leve tom de cinismo. — Encontrei por aí algumas informações bem interessantes.
Ele me encarou, rígido.
— Claro — continuei —, você pode ser um santo, alguém que guarda todos os próprios segredos, exceto por um desvio aqui outro ali. Mas então eu pensei… o que aconteceria se os clientes descobrissem o que alguns membros do seu conselho fazem nas horas vagas?
Fiz uma breve pausa, calculada.
— O que eles fariam se soubessem quem realmente está por trás de decisões que afetam milhares de pessoas?
Marco Aurélio permaneceu em silêncio. O olhar endureceu, mas já não havia indignação — apenas cautela. Ali eu soube.
Eu tinha ganhado espaço.
E, pela primeira vez, ele entendeu que não estava diante de uma mulher impulsiva, nem de alguém em busca de confronto. Estava diante de alguém que observava, reunia peças… e sabia exatamente quando usá-las.
Quando Marco Aurélio permaneceu em silêncio, eu não me apressei. Queria causar desconforto, me vingar por todos os sentimentos que tinha me feito sentir.
— Você está cometendo um erro — disse, por fim. — Não sabe com quem está mexendo, acha mesmo que pode mexer com os membros do conselho?
— Sei exatamente o que estou fazendo. É por isso que estou aqui.
Ele se recostou na cadeira, cruzando os braços.
— Acha mesmo que pode me ameaçar em público? Neste lugar?
Olhei em volta. O restaurante continuava em seu ritmo elegante, garçons atentos, conversas baixas, taças tilintando. Ninguém nos observava. Ou melhor, ninguém percebia.
— Não estou ameaçando — corrigi. — Estou estabelecendo limites.
Marco Aurélio soltou uma risada curta, sem humor.
— Limites? Você fala como se tivesse algum poder real, você não é ninguém Isabella.
Inclinei-me levemente para frente.
— Sabe qual é a vantagem de não ser ninguém? Eu não tenho nada a perder. Meu nome já foi manchado, pode levar anos para limpar tudo o que meu ex fez. Meu dinheiro vem do casamento com o seu filho. Eu já limpei banheiro vomitado de balada. Eu não tenho mais nada a perder. Mas e você? O que tem a perder?
Ele estreitou os olhos.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido