"Augusto"
— Eu quero trabalhar com você. Acho que posso ser a sua secretária. Não precisa mandar embora a que você já tem, posso ajudá-la.
Encarei Isabella por alguns segundos, tentando entender se tinha ouvido direito. Trabalhar comigo? Ser minha secretária?
— Você está falando sério?
Eu tinha acabado de chegar em casa depois de mais um dia frustrante no trabalho, e Isabella havia preparado um jantar completo. Agora, tudo aquilo parecia ter intenções ocultas, já que ela só fez o pedido depois de servir a comida.
— Seríssimo — respondeu, sem hesitar. A determinação estava estampada no olhar.
Balancei a cabeça lentamente enquanto enchia minha taça de vinho.
— Não é uma boa ideia. Não com tudo o que está acontecendo e não sei se provocar ainda mais o meu pai vai ajudar.
— Não vai provocar seu pai — rebateu, firme. — E tenho certeza de que ele não vai dizer nada. Além do mais não posso ficar aqui sem fazer nada, Augusto. A empresa do meu pai acabou, eu não sou mais sócia do Ícaro, e o estrago que o Carlos fez com o meu nome ainda vai levar tempo para ser revertido. Os advogados estão cuidando disso, mas, até lá, eu não conseguiria um emprego normal. Não com o nome sujo e cheia de processos.
Fez uma breve pausa antes de concluir, como se escolhesse as palavras com cuidado:
— Então acho que poderia ser sua secretária, pelo menos por um tempo. Não quero começar com um cargo grande, nem nada do tipo, eu sei que posso conquistar meu espaço e mostrar do que sou capaz.
Respirei fundo, tentando encontrar uma forma de fazê-la mudar de ideia.
— Isabella… isso é porque você ainda não confia em mim? — perguntei. Ela não fazia o tipo perseguidora, mas não seria totalmente absurdo querer trabalhar ao meu lado para garantir que eu não levava uma vida dupla.
Ela franziu a testa, quase ofendida.
— Claro que não. Não quero ficar de olho em você. Eu realmente quero trabalhar. — Inclinou levemente a cabeça. — Você vai recusar? Não vou te atrapalhar nem te envergonhar. Sou organizada, sei como funciona uma empresa, eu sei dei bobeira com a empres do meu pai deixando que o Carlos me roubasse, mas agora estou mais esperta. Acredite eu sou uma pessoa competente. Você realmente não quer que eu trabalhe com você?
A pergunta não era inocente. Isabella me colocava contra a parede com habilidade. Se eu dissesse não, ela poderia se sentir rejeitada — ainda mais depois de tudo o que tinha acontecido, do retorno conturbado, da fragilidade do momento.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido