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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 150

"Augusto"

— Eu quero trabalhar com você. Acho que posso ser a sua secretária. Não precisa mandar embora a que você já tem, posso ajudá-la.

Encarei Isabella por alguns segundos, tentando entender se tinha ouvido direito. Trabalhar comigo? Ser minha secretária?

— Você está falando sério?

Eu tinha acabado de chegar em casa depois de mais um dia frustrante no trabalho, e Isabella havia preparado um jantar completo. Agora, tudo aquilo parecia ter intenções ocultas, já que ela só fez o pedido depois de servir a comida.

— Seríssimo — respondeu, sem hesitar. A determinação estava estampada no olhar.

Balancei a cabeça lentamente enquanto enchia minha taça de vinho.

— Não é uma boa ideia. Não com tudo o que está acontecendo e não sei se provocar ainda mais o meu pai vai ajudar.

— Não vai provocar seu pai — rebateu, firme. — E tenho certeza de que ele não vai dizer nada. Além do mais não posso ficar aqui sem fazer nada, Augusto. A empresa do meu pai acabou, eu não sou mais sócia do Ícaro, e o estrago que o Carlos fez com o meu nome ainda vai levar tempo para ser revertido. Os advogados estão cuidando disso, mas, até lá, eu não conseguiria um emprego normal. Não com o nome sujo e cheia de processos.

Fez uma breve pausa antes de concluir, como se escolhesse as palavras com cuidado:

— Então acho que poderia ser sua secretária, pelo menos por um tempo. Não quero começar com um cargo grande, nem nada do tipo, eu sei que posso conquistar meu espaço e mostrar do que sou capaz.

Respirei fundo, tentando encontrar uma forma de fazê-la mudar de ideia.

— Isabella… isso é porque você ainda não confia em mim? — perguntei. Ela não fazia o tipo perseguidora, mas não seria totalmente absurdo querer trabalhar ao meu lado para garantir que eu não levava uma vida dupla.

Ela franziu a testa, quase ofendida.

— Claro que não. Não quero ficar de olho em você. Eu realmente quero trabalhar. — Inclinou levemente a cabeça. — Você vai recusar? Não vou te atrapalhar nem te envergonhar. Sou organizada, sei como funciona uma empresa, eu sei dei bobeira com a empres do meu pai deixando que o Carlos me roubasse, mas agora estou mais esperta. Acredite eu sou uma pessoa competente. Você realmente não quer que eu trabalhe com você?

A pergunta não era inocente. Isabella me colocava contra a parede com habilidade. Se eu dissesse não, ela poderia se sentir rejeitada — ainda mais depois de tudo o que tinha acontecido, do retorno conturbado, da fragilidade do momento.

Relaxar era a última coisa que eu conseguiria fazer naquele momento. Ainda tentei pensar em alguma forma de fazê-la mudar de ideia, mas desisti. Já tinha coisas demais na cabeça.

No fim, inserir Isabella na empresa foi fácil demais. Em poucos dias, ela já estava pronta para o primeiro dia de trabalho e, de fato, meu pai não disse nada. Depois do encontro na casa dele, eu mal o via. Ainda assim, sabia que ele tinha plena consciência de que Isabella agora trabalhava como minha secretária, nada acontecia naquela empresa sem o conhecimento dele.

Esperei por um telefonema, uma convocação para reunião, qualquer sinal de reprovação ou ameaça velada. Mas nada veio. Apenas o silêncio.

Arrumaram uma mesa extra na recepção, e minha secretária agiu normalmente, recepcionando Isabella como se fosse apenas mais uma funcionária. Apesar dos olhares atravessados de outros funcionários, ninguém reclamou abertamente.

Isabella apareceu no primeiro dia vestida como uma secretária executiva: vestido social cinza, justo na medida certa, postura impecável. Confesso que me peguei lançando olhares, no mínimo, indecentes durante o expediente.

Talvez, no fim das contas, tivesse sido uma boa ideia.

Se não para facilitar minha rotina…

ao menos para distrair o ambiente do estresse constante.

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