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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 188

"Augusto"

O dia seguinte foi ainda pior.

César me ligou antes das cinco da manhã, era preciso tomar as providências para a liberação do corpo e o sepultamento. A notícia já havia se espalhado e em breve seria um momento de caos para a familia. Com muito custo, deixei Isabella dormindo e fui encontrar meu irmão na casa de nossa avó.

Ele parecia destruído, com olheiras fundas que denunciavam uma noite em claro. Embora eu tivesse conseguido pregar o olho por algumas horas, meu reflexo no espelho não era muito melhor.

— Foi preciso um remédio forte para a nossa mãe apagar — disse ele, a voz rouca. — Ela tem certeza de que você é o culpado. Ficou resmungando sobre como você pagaria por isso... Tentei conversar, entender o que ela pensa, e a impressão que tive foi que a briga de vocês, somada a algo que nosso pai deve ter dito, desencadeou essa ideia fixa. Ela precisa de alguém para culpar. E, entre nós, escolheu você.

César suspirou cansado, passando a mão pelo rosto.

— Nesse estado, não posso ir ao velório. Se ela armar um escândalo, será um prato cheio para a imprensa. Avisei a Diana ontem, ela disse que não vem e que não quer saber de nada.

— Eu já imaginava, e jamais pediria para ela comparecer apenas pelas aparências. Podemos resolver isso só nós dois, eu fico aqui com elas — continuou César, assumindo uma postura de comando, de irmão mais velho. Havia um turbilhão de sentimentos contraditórios ali, mas ele tentava manter a fachada. — E vou pedir que você cuide da burocracia. Quando chegar o momento, eu te aviso como está o clima.

— Certo. Vou cuidar de tudo e te mantenho informado.

A burocracia. Essa era a minha parte — muito mais racional do que emocional. Liberar o corpo, organizar o velório, preparar o jazigo da família. Não era necessário sentir; bastava assinar papéis e tomar decisões logísticas. No meio do processo, Isabella ligou; avisei onde eu estava e pedi que não saisse de casa.

Quando o corpo finalmente chegou ao local do velório, percebi que aquele seria o último momento em que veria meu pai. Por um instante, depois de concluídos todos os trâmites, a vontade era ir embora sem olhar para trás, mas não consegui. Dei uma última olhada para o caixão, o choque inicial já havia passado, e pude encarar aquele rosto novamente, agora compreendendo toda a extensão de sua morte.

Procurei dentro de mim algum sentimento, mas não encontrei qualquer traço de pesar. Ele nos criou de um jeito frio, calculado e sem amor, sempre jogando, manipulando e, por fim, tentando nos destruir.

E agora, ali, não sentia nada, apenas um vazio que nunca tinha sido preenchido e eu nem percebia que estava lá. Naquele momento, tive certeza de que não havia mais o que fazer ali.

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