"Augusto"
Ainda havia muita coisa para resolver, por isso pedi que Isabella fosse para casa e descansasse, não queria ela envolvida em nada.
— Mas eu quero ficar ao seu lado — ela disse, me abraçando.
— Não precisa, amor. Você precisa descansar, tem que pensar no nosso filho. Vou te manter informada, não se preocupe. César vai comigo à delegacia e depois ainda preciso ver a minha mãe.
Isabella me olhou em dúvida, mas eu realmente não queria que ela ficasse ali, no meio daquela confusão. O melhor seria ficar em casa, protegida. Ela já tinha sofrido demais, não precisava passar por mais isso.
— Pode ir — dei um beijo no rosto dela. Assim, ela consentiu, e pedi ao motorista que a levasse para casa.
Quando me virei para César, ele estava me encarando sério, como se estivesse me analisando.
— O que foi?
— Nada. Te ver assim, como um marido amoroso, preocupado, prestes a ser pai… é uma cena que às vezes ainda me pega de surpresa. Mas vejo que você está se empenhando, e fico feliz. Tudo isso é uma tragédia, e seria muito diferente se o nosso pai não fosse quem é.
— Quem você acha que fez isso?
Eu não tinha falado para Isabella, mas a verdade era que meu pai havia levado um tiro no coração. Os detalhes de como tudo aconteceu veríamos na delegacia, assim como o motivo de a minha mãe achar que eu tinha feito aquilo.
— Na verdade, pode ter sido qualquer um. Nosso pai tinha uma longa lista de inimigos, além dos conhecidos. Com toda a repercussão dos escândalos dos últimos dias, outros tantos devem ter entrado na fila.
César tinha razão, poderia ter sido qualquer um.
Fomos para a delegacia e, claro, meus advogados me encontraram lá. O que tinha acontecido era simples: meu pai havia ido ao escritório do advogado dele e, na saída, antes de entrar no carro, um motoqueiro apareceu e atirou direto no coração dele. Tudo foi muito rápido, em plena luz do dia, na rua, na frente de todo mundo.
O motoqueiro fugiu, e ainda não sabiam quem era. Tomaram nossos depoimentos, e percebi que as perguntas eram mais direcionadas a mim. Eu estava na empresa e depois no shopping, não havia motivo para acharem que eu tinha feito aquilo, por mais que odiasse meu pai.
Porém, eu era o único dos três filhos que tinha saído no soco com ele, tinha sido preso por isso, minha esposa havia sido sequestrada e eu ainda tinha acusado meu pai de envolvimento no caso. Além das brigas dentro da empresa, analisando pela ótica da polícia, eu era o suspeito perfeito.
Mas eu era inocente e não tinha por que me preocupar, em breve o assassino seria encontrado. Minha aposta era no Enzo, ele já tinha tentado uma vez.
Da delegacia, fomos para a casa da minha avó. Era um momento delicado. Ela era uma senhora já de idade, mas ainda altiva e saudável. Por pior que meu pai fosse, ainda era o filho dela.
Quando chegamos, havia alguns carros na entrada. Outras pessoas já tinham chegado. A notícia se espalhava rápido e, em breve, estaria em todos os jornais. Seria um escândalo e tanto, talvez a última pá de cal no legado da família.
Ao entrarmos na sala, havia algumas pessoas: advogados, amigas da minha mãe, e minha avó, rodeada de outras mulheres.
Fomos cumprimentados. Era estranho receber condolências sabendo que todos tinham ciência das nossas brigas. Sem saber o que dizer, apenas agradeci e fui até a minha avó para abraçá-la, meu objetivo mesmo era ver como ela estava.
— Augusto, que bom que você está aqui. E você também, meu querido — ela disse, nos abraçando. Percebi a tristeza em seu olhar. Era o único filho dela.
— Estamos sempre aqui, avó. Pode contar com a gente — César respondeu, dando-lhe um abraço.
Mas o clima mudou, ficou tenso. Então percebi que a minha mãe ainda não tinha notado nossa chegada. Dava para ver que tinha tomado algum remédio; parecia aérea e os olhos um pouco desfocados. Quando nos viu e entendeu a situação, levantou-se de repente e nos encarou.
Minha mãe estava com os olhos inchados de choro. Naquele momento, era uma mulher frágil e abalada. Amava meu pai com devoção, obedecia cegamente. Eu não conseguia imaginar o que se passava dentro dela.
— O que você está fazendo aqui, seu assassino? — perguntou, com a voz arrastada e lenta.
Uma mulher se levantou para tentar contê-la. O resto das pessoas ficou em silêncio, chocadas.
— Úrsula! — minha avó tentou chamar sua atenção, mas minha mãe estava além de qualquer controle. Seus olhos permaneciam fixos em mim.
— Você deveria estar na cadeia! Seu assassino! Você matou o seu próprio pai! — ela gritou, descontrolada.
Mais mulheres e César se aproximaram para tentar ajudar.

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