No dia seguinte, acordei melhor. Fingi naturalidade, como se nada tivesse acontecido. Não dei explicações sobre o quase afogamento nem sobre a crise de choro e Augusto também não perguntou focando apenas no planejamento do dia.
O grande momento havia chegado, Augusto me pediria em casamento.
Escolhi um vestido branco, curto e com um decote ousado. O sol dos últimos dias havia deixado minha pele com um bronzeado maravilhoso, as olheiras haviam sumido, e com uma maquiagem bem-feita, minha autoestima parecia renascer. Ainda assim, eu estava longe de ser o tipo de mulher como Aline ou qualquer uma das mulheres que costumavam estar ao lado de Augusto. Perto delas, eu era apenas... comum.
O pôr do sol estava perfeito. Augusto tinha razão, seria uma foto linda. Tudo estava meticulosamente combinado. Fomos até o píer, ele havia pedido para alguém registrar o momento. Eu fingiria surpresa e emoção, e ele faria o pedido de joelhos. Tudo muito ensaiado, exatamente como Augusto vinha planejando a muito tempo.
Entrei na cena como quem pisa em um palco, consciente de cada gesto, cada olhar, cada palavra. Algumas pessoas caminhavam por ali, aproveitando o fim de tarde e o espetáculo do pôr do sol.
Augusto me abraçou e me beijou com delicadeza, então, se ajoelhou diante de mim e pegou uma caixinha de veludo preto.
— Você é uma mulher maravilhosa. — disse, me olhando nos olhos e com um sorriso no rosto — Você me mostrou o quanto a minha vida era vazia e sem sentido. É incrivel redescobrir a vida ao seu lado e ver você voltar a sorrir. Eu te amo Isabella, mais do que imaginaria amar alguém. Quer se casar comigo?
O anel cintilava com uma pedra de diamante enorme, lindo, digno de filme.
Augusto sabia fingir sinceridade de uma forma pertubadora, falar daquela forma me olhando nos olhos, fingindo um sorriso bobo apaixonado.
Mas, naquele instante, algo em mim quis acreditar.
Eu estava pronta para atuar, mas as palavras dele soaram... diferentes. Tão reais, tão cheias de sentimento, que por um segundo eu desejei que fossem verdadeiras. Que aquele amor existisse de verdade, que alguém me olhasse daquele jeito sem precisar fingir.
Eu não ouvia um “eu te amo” havia tanto tempo. Nenhum elogio, nenhuma palavra de afeto.
E, naquele momento, com o mar calmo ao fundo e o vento suave tocando meu rosto, eu quis acreditar. Esqueci da mentira, do plano, do contrato. Esqueci de tudo, menos da sensação de ser amada.
Olhei para ele e senti meu coração disparar. As lágrimas vieram sem que eu pudesse controlar, minha emoção não era falsa como eu planejava.
— Sim... é claro que eu caso — respondi com a voz estremecida, os olhos molhados.
Augusto colocou o anel no meu dedo, se levantou, me envolveu nos braços e me beijou. Eu correspondi, esquecendo o mundo, o passado e o motivo que nos unia. Por cinco segundos, tudo pareceu real. Por cinco segundos, eu vivi como se estivesse apaixonada, sendo pedida em casamento por um homem lindo.
O hotel tinha uma festa organizada, que acabou se tornando nossa comemoração de noivado. Eu dançava, sorria, cercada de desconhecidos que torciam pela nossa felicidade.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido