— Sério? Então você não tirou nem uma casquinha? Teve todo aquele homem quase sem roupa na sua frente todo dia e não fez nada, nadinha? — perguntou Camila, enquanto me ajudava a arrumar as minhas coisas, que não eram muitas.
Eu havia contado sobre o noivado, mostrado as fotos da viagem e omitido o fato de que, no primeiro dia, quase me rendi ao charme e ao corpo de Augusto.
— ISABELLA! Você não me engana, eu conheço essa cara. Aconteceu alguma coisa entre vocês, eu sabia! Não tem como dormir no mesmo quarto que aquele homem e não tirar a roupa.
— Camila! Não foi nada disso, é sério. Não aconteceu nada. No primeiro dia eu fiquei um pouco envolvida demais, sim. O homem é lindo e gostoso, quase perdi a cabeça... mas então encontrei uma mulher nua em cima dele, no quarto, e acordei pra vida.
— Não acredito! Realmente, não dá pra esperar muita coisa do Augusto. E o que você fez?
Contei toda a história do barraco com Aline e garanti que não cederia novamente.
— Só que agora você vai morar com ele por um bom tempo. Quanto tempo acha que vai conseguir resistir àquele abdômen sarado?
— O máximo que eu puder. Eu sou uma idiota, Camila. Não sei ser como você, não sei dormir com um cara só porque ele é bonito e separar as coisas. Faz só algumas semanas que estou fingindo ser a namorada apaixonada do Augusto, e tem momentos em que ele me confunde. A gente se beija, se abraça, ele se declara, me chama de querida... e, pra ele, não é nada — confessei à minha prima.
— Não faça isso com você. Eu avisei que era um jogo perigoso. Tenta manter seu coração o mais longe possível dele. Se você se confundir, isso só vai te machucar. Pra Augusto, é só um contrato. Ele vai sair na vantagem em qualquer circunstância.
— Eu sei. É o que pretendo fazer. Vou focar em como reaver a empresa e já tenho um plano pra isso.
— Sério? Me conta!
— Ainda não. Por enquanto é só um plano.
Quando meu plano estivesse em uma fase mais avançada, eu contaria. No momento, o melhor era manter pra mim.
Camila me ajudou a colocar as coisas no carro. Mal tive tempo de tirar um cochilo na minha cama depois da viagem, e já estava na casa de Augusto de mala e cuia.
O apartamento onde ele realmente morava era uma cobertura duplex em um prédio de alto padrão. Imaginei que fosse um lugar com decoração masculina, tipo industrial, mas era bem diferente.
Augusto me recebeu na porta — descalço, sem camisa e de calça de moletom — à vontade no próprio território. Ao lado dele, a cadela caramelo abanava o rabo, parecendo mais feliz do que nunca, enquanto o gato observava com cara de tédio.
— Seja bem-vinda — disse ele, pegando as minhas malas e colocando dentro do apartamento.
O lugar era enorme e tinha uma decoração que só podia ser descrita como aconchegante: móveis coloridos, paredes de tijolinho, chão de madeira e muitas plantas.
— Lugar bonito — comentei, olhando em volta.
A sala tinha um janelão de vidro com vista para a cidade, um sofá grande e confortável, cobertores e almofadas. Tentei imaginar Augusto ali, enrolado nas cobertas, assistindo a um filme qualquer. Era estranho fazia ele parecer muito humano, normal.
— A última vez que morei com alguém foi com a minha família, e saí de casa aos dezoito. Faz tempo. Eu tenho hábitos regrados. Assim como a Pipoca, uma dog walker vem três vezes ao dia pra levá-la pra passear. Ela não faz as necessidades em casa. Tenho uma faxineira que vem todo dia, um jardineiro que vem cuidar das plantas e um restaurante que entrega as refeições a noite. Em geral, estou fora o dia todo no trabalho — explicou Augusto, mostrando o apartamento.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido