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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 20

— Sério? Então você não tirou nem uma casquinha? Teve todo aquele homem quase sem roupa na sua frente todo dia e não fez nada, nadinha? — perguntou Camila, enquanto me ajudava a arrumar as minhas coisas, que não eram muitas.

Eu havia contado sobre o noivado, mostrado as fotos da viagem e omitido o fato de que, no primeiro dia, quase me rendi ao charme e ao corpo de Augusto.

— ISABELLA! Você não me engana, eu conheço essa cara. Aconteceu alguma coisa entre vocês, eu sabia! Não tem como dormir no mesmo quarto que aquele homem e não tirar a roupa.

— Camila! Não foi nada disso, é sério. Não aconteceu nada. No primeiro dia eu fiquei um pouco envolvida demais, sim. O homem é lindo e gostoso, quase perdi a cabeça... mas então encontrei uma mulher nua em cima dele, no quarto, e acordei pra vida.

— Não acredito! Realmente, não dá pra esperar muita coisa do Augusto. E o que você fez?

Contei toda a história do barraco com Aline e garanti que não cederia novamente.

— Só que agora você vai morar com ele por um bom tempo. Quanto tempo acha que vai conseguir resistir àquele abdômen sarado?

— O máximo que eu puder. Eu sou uma idiota, Camila. Não sei ser como você, não sei dormir com um cara só porque ele é bonito e separar as coisas. Faz só algumas semanas que estou fingindo ser a namorada apaixonada do Augusto, e tem momentos em que ele me confunde. A gente se beija, se abraça, ele se declara, me chama de querida... e, pra ele, não é nada — confessei à minha prima.

— Não faça isso com você. Eu avisei que era um jogo perigoso. Tenta manter seu coração o mais longe possível dele. Se você se confundir, isso só vai te machucar. Pra Augusto, é só um contrato. Ele vai sair na vantagem em qualquer circunstância.

— Eu sei. É o que pretendo fazer. Vou focar em como reaver a empresa e já tenho um plano pra isso.

— Sério? Me conta!

— Ainda não. Por enquanto é só um plano.

Quando meu plano estivesse em uma fase mais avançada, eu contaria. No momento, o melhor era manter pra mim.

Camila me ajudou a colocar as coisas no carro. Mal tive tempo de tirar um cochilo na minha cama depois da viagem, e já estava na casa de Augusto de mala e cuia.

O apartamento onde ele realmente morava era uma cobertura duplex em um prédio de alto padrão. Imaginei que fosse um lugar com decoração masculina, tipo industrial, mas era bem diferente.

Augusto me recebeu na porta — descalço, sem camisa e de calça de moletom — à vontade no próprio território. Ao lado dele, a cadela caramelo abanava o rabo, parecendo mais feliz do que nunca, enquanto o gato observava com cara de tédio.

— Seja bem-vinda — disse ele, pegando as minhas malas e colocando dentro do apartamento.

O lugar era enorme e tinha uma decoração que só podia ser descrita como aconchegante: móveis coloridos, paredes de tijolinho, chão de madeira e muitas plantas.

— Lugar bonito — comentei, olhando em volta.

A sala tinha um janelão de vidro com vista para a cidade, um sofá grande e confortável, cobertores e almofadas. Tentei imaginar Augusto ali, enrolado nas cobertas, assistindo a um filme qualquer. Era estranho fazia ele parecer muito humano, normal.

— A última vez que morei com alguém foi com a minha família, e saí de casa aos dezoito. Faz tempo. Eu tenho hábitos regrados. Assim como a Pipoca, uma dog walker vem três vezes ao dia pra levá-la pra passear. Ela não faz as necessidades em casa. Tenho uma faxineira que vem todo dia, um jardineiro que vem cuidar das plantas e um restaurante que entrega as refeições a noite. Em geral, estou fora o dia todo no trabalho — explicou Augusto, mostrando o apartamento.

Sentei-me no sofá. Dormir uma semana ao lado de Augusto tudo bem, mas por meses parecia demais. Eu tinha imaginado que, morando na mesma casa, cada um teria o seu quarto. Mas Augusto tinha um ponto, a informação poderia vazar, e todos saberiam que era apenas um relacionamento de fachada.

— Eu não mordo, Isinha, você sabe disso. Acredito que podemos ser parceiros de cama, infelizmente sem os benefícios, até agora tem funcionado.

Desconsiderei o comentário engraçadinho. Sem sexo e sem amor. Minha nossa, éramos quase um casal de verdade.

— Não precisa fazer essa cara de preocupada. Vamos levar suas coisas pro meu closet.

Subimos para o andar de cima, onde ficavam os quartos. No corredor, havia quadros de Augusto em viagens pelo mundo sempre sozinho ou em grupo. Só uma foto mostrava a família, aparentemente tirada em outro aniversário da avó.

— Aqui tem quatro quartos, podemos fingir que durmo no seu e ter o meu quarto separado.

— Isso tudo é medo de dividir a cama comigo, querida? Não precisa ter medo, já falei que não mordo.

— Não tenho medo de você, é só que você não acha estranho? Eu imaginei que fingiria ser a sua esposa em público, em casa cada um teria seu canto.

— Depois que todo mundo ficar convencido podemos fazer uma separação de corpos, por enquanto eu preciso convencer até mesmo a Joana que mudei e sou um homem responsável.

— Ok, seremos um casal então.

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