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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 197

"Augusto"

Entrei na empresa pela porta da frente desta vez. Poderia ter esperado mais, deixado a poeira baixar, permitido que o tempo acalmasse os olhares. Mas meu objetivo sempre foi retomar meu lugar e minha rotina o mais rápido possível. Se demorasse demais, tudo aquilo viraria pó e eu não pretendia assistir à queda de longe.

Meu espaço, agora, precisava ser reconquistado passo a passo. Eu sentia os olhares cravados em mim, alguns curiosos, outros desconfiados. Ainda assim, abaixar a cabeça nunca foi uma opção, afinal eu era um Salvatore e, depois da minha inocência ter sido comprovada em rede nacional, não devia satisfação a ninguém.

O silêncio no elevador era constrangedor. Dois diretores subiram comigo, um pigarreou e o outro comentou algo irrelevante sobre o clima. Não respondi.

Fui direto ao andar da presidência. Desta vez, meu retorno não era surpresa, tinha avisado com antecedência e de forma que Tadeu compreendeu que era definitiva, sem margem para negociação.

O olhar dele, quando me sentei à sua frente, era de cautela. Eu era o único herdeiro ali, ao menos por enquanto, e depois de tudo, havia chegado a hora de decidir o futuro.

— Então você pretende mesmo voltar ao trabalho? — perguntou, sem conseguir esconder a descrença no tom de voz.

— Não vejo motivo para adiar por mais tempo — respondi. — O assassinato do meu pai foi solucionado. Ficou provado que qualquer desconfiança sobre mim era infundada. Agora, meu objetivo é retomar as rédeas e tentar salvar a SEG29 do fim.

Tadeu suspirou, cansado.

— Não acho que isso seja possível, infelizmente. Avaliamos todas as alternativas. Mesmo com um plano de reposicionamento, o escândalo, o assassinato do Marco Aurélio… tudo isso destruiu a credibilidade da empresa. Não queria ser pessimista, mas…os dados indicam que não teremos mais clientes ou capacidade conseguir novos...

— E a fusão mencionada pelo meu pai? — interrompi.

Eu já imaginava a resposta. Diana e eu havíamos discutido isso longamente. Ela chegara à mesma conclusão que eu.

— Marcelo já deixou claro que declinou da ideia — explicou Tadeu. — Deu a entender que Marco Aurélio usou meios ilegais para tentar forçar a fusão.

— Como esperado — murmurei. — Eu ficaria surpreso se ele tivesse mantido o projeto.

— A melhor decisão agora é a liquidação — continuou Tadeu. — Antes que as dívidas se acumulem ainda mais.

— Vamos vender — disse com determinação.

Tadeu me encarou, sério.

— Augusto, no momento, nem sei se conseguiremos propostas. Ninguém quer se vincular à lama em que isso aqui se transformou, o conselho considerou essa possibilidade, mas todas as tentativas não deram resultado, pode demorar muito tempo até achar um comprador.

— Marcelo pode comprar — respondi. — Não uma fusão. A compra direta. Temos estrutura, ativos. Ele não precisa manter o nome. Pode absorver os restos da SEG29. Para a mídia, vendemos como encerramento da marca. Dentro do mercado, será exatamente isso, o fim.

Tadeu ficou em silêncio, avaliando. Sabia que aquela era, de fato, a melhor opção, para todos os envolvidos. Além disso, a venda exigiria o inventário concluído e o aval unânime dos herdeiros.

Capítulo 197. Proposta de venda 1

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