"Isabella"
Cheguei à casa da minha tia e fiquei alguns segundos parada diante do portão. Pensei seriamente em ir embora. Em fingir que não tinha vindo. Mas havia assuntos que não podiam mais ser adiados, e Karen era um deles.
Camila tinha me ligado mais cedo. Disse que Karen pedia para falar comigo, eu não atendia mais ligações, não respondia mensagens dela e aquela tinha sido a única forma que ela encontrara, pedir a intermediação da prima, quase implorando.
Respirei fundo e abri o portão. Camila estava trabalhando, minha tia havia saído para levar Heitor ao parque. Seríamos apenas nós duas, de novo em mais uma conversa.
Bati à port e Karen atendeu, não a via desde a visita na cadeia. Estava mais abatida, olheiras profundas, o cabelo mais curto, mal cuidado. Ainda assim, o olhar… o olhar continuava o mesmo. Minha irmã não conseguia mais me enganar.
Não disse nada. Apenas entrei.
— A tia saiu com o Heitor — ela comentou, fechando a porta atrás de mim. — Quer alguma coisa? Uma água?
Balancei a cabeça em negativa.
— Não consigo nem aceitar água de você.
Ela arqueou a sobrancelha, com um sorriso torto.
— Não vou envenenar a sua água — Disse cínica.
— Melhor garantir — respondi, seca.
Karen me analisou de cima a baixo, devagar.
— Então você conseguiu — disse. — Vai dar um filho pro Augusto enquanto o meu cresce sem pai.
— Não é culpa minha que ele cresça sem pai — rebati. — É do próprio Carlos.
O rosto dela se fechou.
— Se tivesse deixado a gente em paz, nada disso teria acontecido. Mas não… você nunca conseguiu superar. Precisava ir atrás dele, nos perseguir...
— Viviam de golpes — corrigi.
— E isso nunca foi problema seu...
Ela riu, amarga.
— Agora você é rica. Conseguiu tudo. Ainda assim não fica satisfeita.
— E quem disse que não estou satisfeita? — respirei fundo. — Karen, não vim discutir o passado. Vim porque sei da sua situação financeira e não quero que meu sobrinho sofra por causa disso, não é culpa dele ter uma mãe como você.
Ela me encarou, desconfiada.
— Eu vou bancar o Heitor — continuei. — Na verdade, já estou bancando. E no futuro, quando ele tiver idade suficiente, vou pagar a escola, os estudos, tudo até que ele possa trabalhar e seguir com a vida dele.
— Peso na consciência? — perguntou com deboche.
— Nenhum — respondi, firme. — Ele não tem culpa dos pais que tem. Mas não pense que vai me enganar. Nenhum dinheiro vai passar pelas suas mãos. Pago a escola direto e as despesas vão vir pela tia. Tudo controlado, você não vai receber um centavo de mim.
O rosto dela se contorceu de ódio.

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