"Isabella"
Karen tinha evaporado mais uma vez. Mas, dessa vez, sem o filho. Ainda custava acreditar que ela tivesse sido capaz de fazer aquilo. Durante muito tempo, pensei que a única coisa de humana e boa que ainda existia na minha irmã fosse o Heitor. Pelo visto, eu estava errada. Karen não deixou sequer um bilhete.
Se fosse encontrada, seria presa novamente. E, dessa vez, ficaria detida até o julgamento.
Enquanto isso, ajudava a minha tia. Em alguns dias, levava Heitor para minha casa, para dar um descanso a ela, já que Camila estava trabalhando sem parar. Eu precisava pensar no meu sobrinho, no bem-estar dele e não perderia mais tempo pensando em Karen. Por isso depois de dois dias procuramos um advogado para regularizar a situação dele e como ficaria a questão da guarda.
Augusto também trabalhava direto, agora ao lado da irmã. Era a primeira vez que os dois dividiam um projeto sem competição, sem medir forças. Eu sabia que discutiam, irmãos de temperamento forte sempre discutem , mas, observando de longe, percebia algo diferente. Havia respeito. O trabalho avançava.
Augusto, no entanto, não entrou em detalhes sobre o projeto. Apenas disse que envolvia um novo posicionamento da empresa e que, em breve, eu entenderia.
Mas quando avisei que faria o ultrassom morfológico, ele cancelou todos os compromissos para me acompanhar.
Eu já estava beirando as catorze semanas. Podia ser o momento de descobrir o sexo do bebê, além de confirmar se estava tudo bem. Eu estava ansiosa. No trajeto até a clínica, Augusto manteve a mão sobre a minha perna, num gesto quase inconsciente, tentando me acalmar, já que não parava de bater o pé.
Os dias tinham sido turbulentos, mas os enjoos haviam diminuído. Ainda assim, eu precisava da confirmação. Precisava saber que estava tudo bem.
Na sala de exame, quando a médica pediu que eu me acomodasse, Augusto se aproximou ainda mais. Segurou minha mão com firmeza, entrelaçando os dedos aos meus, me oferecendo um apoio silencioso.
As imagens surgiram na tela, confusas, tremidas. Meu coração disparou com medo de ter algo errado.
— Está tudo bem? — perguntei, em voz baixa, com medo de interromper a concentração da médica.
Ela sorriu, tranquila.
— Está tudo ótimo. A gestação está evoluindo perfeitamente… — fez uma pausa, ajustando o aparelho. — Só que temos uma surpresa.
Senti a mão de Augusto apertar a minha.
— Ainda não dá para identificar o sexo com clareza, porque… — ela apontou para a tela — são dois.
— Dois o quê? — perguntei, sem entender de imediato.
— Dois sacos gestacionais. São gêmeos. Ainda não conseguimos ver o sexo, mas na próxima consulta provavelmente será possível.
Por um instante, o mundo pareceu suspenso.
Gêmeos.
Olhei da tela para Augusto, como se precisasse confirmar que não tinha ouvido errado. Ele se inclinou para frente, os olhos fixos no monitor, tentando entender o que estava vendo ali.
— Dois? — repetiu, incrédulo.
A médica assentiu, explicando com calma, mostrando os dois sacos. Dois corações. Dois pequenos milagres crescendo dentro de mim.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido