"Isabella"
A decisão de morar na mansão chegou rapidamente até a avó de Augusto e ela ficou tão empolgada que me chamou para conversar, já querendo mostrar onde seria a reforma da casa. Minha primeira reação foi querer recusar, mas fiquei sem graça diante de tudo o que ela vinha enfrentando. A verdade é que minha sogra ainda estava na casa, e encontrá-la definitivamente não fazia parte dos meus planos.
A avó de Augusto garantiu que isso não seria um problema e até César tinha avisado que a mãe estava mais calma, não querendo saber de ninguém focada apenas na mudança de pais.
Sendo assim, sem mais motivos para adiar, me vi dentro do carro, seguindo em direção à mansão e levando minha prima Camila comigo, como suporte emocional.
Camila preferia ficar o mais longe possível daquele lugar, mas não me deixaria sozinha na casa com mãe de Augusto por perto. Foi junto, ainda que claramente a contragosto.
Ela já sabia do retorno de César. E eu continuava sem entender em que pé estavam os dois. Sempre que perguntava a um ou ao outro, a resposta era a mesma:
— É um assunto delicado.
Delicado. Essa palavra já estava me irritando. Porque “delicado” podia significar qualquer coisa — mágoa mal resolvida, orgulho ferido, sentimento que ainda não morreu… e nenhum dos dois explicava nada.
Não era um bom sinal, sentia que a minha prima estava magoada e com raiva, mas não insisti.
Quando chegamos, encarei aquele lugar enorme que Augusto insistia em chamar de casa — mas que, na prática, comportaria várias casas dentro. Pensando friamente, era exagero morarmos ali. Ainda assim, o quintal era lindo, amplo, verde, e e já estava apegada a ideia de um lar sendo construído naquele espaço.
Criei coragem e entrei para conversar com a avó de Augusto. Ela já havia se adiantado e contratado uma arquiteta para fazer uma reforma rápida no andar de baixo, pensando justamente em mim, para que eu não precisasse subir escadas quando a gravidez estivesse mais avançada.
— Vai ser um prazer ter vocês aqui comigo — disse ela, visivelmente feliz.
O sorriso dela me tocou. Os últimos dias tinham sido difíceis. Marco Aurélio merecia queimar no inferno, mas eu não podia esquecer que ele era filho dela, e com certeza era doloroso para ela perder o filha daquela forma.
A arquiteta era uma mulher elegante, segura. Apresentou a proposta com entusiasmo e garantiu que a obra seria rápida, que estaria concluida em um mês.
Olhei para ela com desconfiança. Um mês era pouco tempo para uma reforma daquele porte. Eu tinha experiência suficiente — trabalhando com meu pai e com Ícaro — para saber disso. Ainda assim, ela falava com tanta convicção que quase me convenceu.
— Pode preparar as caixas. Entrego em um mês — afirmou.
O plano incluía um quarto grande, com closet pequeno e banheiro, além de um quarto adjacente menor, que serviria como quartinho provisório das crianças, o objetivo era depois migrarmos para os quartos de cima, maiores e melhor equipados.
— Preciso ir ao banheiro rapidinho — avisei, me levantando, era muita informação e já estava ficando zonza.
Mal me lembrava onde ficava o banheiro naquela casa grande demais. Abri duas portas erradas antes de acertar, fiquei um momento lá dentro, molhei o rosto e respirei fundo antes de sair.
Quando saí e abri a porta, congelei.
Úrsula estava parada no corredor, me esperando.
Fiquei alguns segundos sem saber o que dizer. Ela parecia ter envelhecido dez anos. O cabelo, antes sempre impecável, agora exibia fios brancos. Não devia ter mais de cinquenta e sete anos, mas naquele momento parecia carregar muito mais peso do que a idade permitia.


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