"Augusto"
Eu não deveria gostar do que estava fazendo, mas era interessante ver Isabella tentar resistir a dormir no meu quarto e falhar. Fazia apenas duas semanas que estávamos juntos, e agora ela moraria na minha casa.
Era um pouco estranho ajudá-la a arrumar as coisas no meu closet. Nunca tinha pensado em casamento, muito menos tido interesse em me amarrar a alguém. Todos os meus relacionamentos foram passageiros e sem amor, no máximo uma paixão mais intensa. Se não fosse meu pai ter dito que eu nunca teria lugar no conselho se não tomasse jeito na vida, e que ninguém me levaria a sério sem uma família, jamais pensaria em casar. Talvez um dia encontrasse alguém, mas eu duvidava.
Isabella tomou banho depois de arrumar as coisas e apareceu de pijama gigante, sem nenhum pedaço de pele amostra. Os dias na praia a tinham deixado feliz, bronzeada e ainda mais bonita, mas eu percebia a tristeza por trás dos olhos e os remédios para dormir, ela ainda não tinha superado a traição da irmã e do ex.
Dormimos juntos, cada um para o seu lado, sem edredom no meio dessa vez. A cama era enorme, não havia risco de um se agarrar ao outro no meio da noite ou talvez eu já estivesse me acostumando com a presença dela na minha cama toda noite.
Acordei às cinco, como de costume. Fiz a minha rotina e fui trabalhar enquanto Isabella ainda dormia. Imaginava que minha família fosse comentar alguma coisa, mas o dia foi calmo. Ninguém falou sobre o noivado, nem para me acusar, nem para parabenizar. Isso significava que ninguém levava a sério. Mas em alguns meses eu tinha certeza de que mudariam de ideia. Estava determinado a provar minha mudança e esfregar na cara do meu pai do que eu era capaz.
Não fazia ideia do que Isabella tinha feito o dia todo e esperava encontrá-la no sofá, vendo um filme. Mas, quando abri a porta, fui invadido por um cheiro delicioso de comida. Isabella estava na cozinha, concentrada em algo que, pelo cheiro, parecia muito bom.
— O que você está fazendo? — perguntei, entrando na cozinha que eu nunca tinha usado para nada além de esquentar a comida
— Cozinhando. Fiz uma lasanha e uma salada pra acompanhar. Essa cozinha é incrível! Eu adoro cozinhar, e fazia muito tempo que não fazia nada.
— Sabe que eu tenho um restaurante que entrega comida todo dia, né?
— Eu sei — respondeu, rindo. — Eles entregaram sua comida saudável, fitness e com gosto de nada. Parece ótimo, mas eu preciso de comida de verdade. Fui ao mercado, comprei os ingredientes... não está linda? — disse, animadíssima, mostrando uma bandeja enorme com uma lasanha de aparência irresistível. O terror da minha dieta regrada.
— Eu tenho um cronograma alimentar. Hoje não é dia de comer comida calórica.
— Uma pena.
Peguei minha marmita com filé de frango, legumes no vapor e salada, enquanto Isabella partia um pedaço generoso da lasanha e colocava no prato. Ela parecia feliz, mais do que nos últimos dias.
— Um pedacinho não vai te matar. Come. E a salada está ótima, fiz um molho de mostarda e mel que vi na internet, ficou realmente bom.
Não resisti e peguei um pedaço. Estava realmente bom. Pipoca fazia cara de pidona, querendo um pedaço, e até o gato se esfregava nas pernas de Isabella. Ela tinha conquistado os dois pelo estômago.
— Separei pra você ver os planos do casamento — disse ela, pegando uma pasta. — Descobri que, com dinheiro, dá pra fazer um mega casamento em três meses. Preciso da lista dos seus convidados. Os meus são poucos, minha tia, minha prima e duas amigas que não vejo faz tempo, mas sei que vão fofocar sobre tudo e isso vai chegar aos ouvidos da minha irmã. Tenho um plano pra reaver o que é meu e, se der certo, até minha casa eu consigo de volta. Ainda não vou contar o que é. E a sua família? Como reagiu ao noivado?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido