Ouvi os saltos de Diana estalando no chão antes de ela abrir a porta da minha sala, sem bater, como sempre. Um costume popular entre os membros da minha família.
— Quem o Augusto quer enganar com aquele teatrinho? Ele acha mesmo que inventar esse casamento vai fazer nosso pai vai aceitar ele no conselho? — disse ela, furiosa, andando de um lado para o outro.
Augusto podia até não convencer ninguém sobre o noivado, mas tinha conseguido o que queria, deixar Diana furiosa. No fundo, ela estava irritada porque não tinha certeza se era armação de Augusto. Podia ser que ele, naquele momento, estivesse mesmo apaixonado por Isabella e mesmo que fosse tudo fingimento, existia a probabilidade de nosso pai aceitá-lo no conselho assim mesmo.
Afinal, um casamento de fachada era melhor que nada.
— Você não vai falar nada? — perguntou Diana, indignada com o silêncio.
Por mim, eu nem estaria sentado naquela mesa, mas esse era um segredo que eu carregava a sete chaves.
— O que você quer que eu diga? Mesmo que seja tudo armação, faz alguma diferença?
— Não faz, esse é o problema. Nosso pai aceitaria até um casamento armado, desde que o filhinho preferido aceitasse andar na linha.
— Não tenho certeza se ele é o filho preferido...
— Claro que é! Se Augusto fosse como você, já seria o presidente do conselho, a um passo de se tornar o CEO.
Não era verdade. Pelo simples motivo de que eu também não era presidente do conselho e estava longe de ser. Nosso pai gostava de manter os filhos se digladiando pelo futuro comando da empresa, mas dar o cargo de fato era outra história. O poderoso Marco Aurélio Salvatore só cederia o poder morto.
— Olha só, uma reunião entre irmãos — disse Augusto, abrindo a porta também sem bater. — Vocês nem me felicitaram pelo noivado. Achei falta de consideração.
— Não vamos cair nesse papo. Todo mundo sabe que esse noivado é falso.
— Todo mundo quem? Como você sabe? Só porque você não acredita, não significa que seja mentira.
Diana bufou, Augusto riu, e eu só queria trabalhar sem os dois me enchendo o saco. Eu sabia que meus irmãos não me consideravam um adversário nessa disputa pelo poder da empresa, pelo simples fato de que eu nem tentava. Como irmão mais velho, eu estava em vantagem em relação aos dois — poderia brigar com meu pai pela presidência do conselho — mas, na verdade, eu nem queria. E meu pai já tinha percebido isso. De vez em quando, deixava clara a decepção pela minha falta de interesse.
— Já escolheram uma data? — perguntei a Augusto, deixando Diana ainda mais revoltada.
— Ainda não temos uma data definida, mas será em três meses.
— Três meses? Você realmente acredita que o pai vai te dar o cargo depois dessa farsa de casamento?
— Acredito. E meu casamento não é uma farsa.
— Isso é o que vamos ver. Eu vou provar que você não mudou. Continua o mesmo cafajeste de sempre, que pagou para ter uma noiva! — disse Diana, saindo da sala e batendo a porta, mais furiosa do que nunca.
— Você sabe que ela não vai sossegar até provar sua armação.
— Não é armação.
— Não me interessa.
— Vou me casar com Isabella. Os dias de putaria ficaram para trás. Agora quero construir uma família. Você deveria fazer o mesmo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido