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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 245

"Júlia"

— Vai sair de novo? — minha mãe perguntou, o tom carregado de desconfiança enquanto ninava Adam no colo.

Era exaustivo inventar desculpas. Para evitar que ela notasse o contraste, montei um disfarce: vesti uma roupa velha, amarrei o cabelo em um coque frouxo e escondi a roupa que usaria dentro da mochila.

— Vou fazer um extra de noite, com atendimento em uma lanchonete. Não posso depender do César para tudo — menti, sustentando o olhar.

Não sei se ela acreditou. O silêncio dela pesava enquanto eu caminhava para a porta. Eu queria voltar logo, mas não sabia se daria certo, o mais provável que voltasse de madrugada.

Só quando a distância foi segura, parei no banheiro de um shopping para me transformar. Meu vestido era um dos últimos vestígios da minha vida antiga, já que tinha vendido tudo. Era um modelo, preto, curto, com uma fenda atrevida e detalhes dourados na barra. Eu parecia uma acompanhante de luxo; não havia como negar. Carreguei na maquiagem, batom vermelho sangue e sombra pesada, soltando o cabelo em ondas que caíam pelos ombros. Calcei o salto agulha e me senti bonita, e poderosa, queria ver se César resistiria ao me ver assim.

Viktor já havia enviado um carro para me buscar. Ignorei os olhares de julgamento enquanto atravessava o saguão do shopping, imaginando as sujeiras que passavam pela mente daquelas pessoas.

O lugar onde faria o trabalho era melhor do que eu tinha imaginado, já esperava um buraco sujo, mas Viktor me enviara para um reduto de luxo. Não sei o que ele fez, mas minha entrada foi permitida sem que ninguém perguntasse duas vezes.

Era um puteiro, sim, mas discreto, frequentado por homens com muito dinheiro. O ambiente exalava perfume caro, charuto e pecado. Mulheres lindíssimas dançavam no pole dance em biquínis mínimos.

Localizei Saulo Moreira no fundo do salão. Ele estava cercado por homens na casa dos sessenta anos e mulheres sendo apalpadas enquanto serviam bebidas. Saulo, o homem que segundo a minha pesquisa, ganhava rios de dinheiro de form bem duvidosa, era o meu alvo.

Senti uma náusea súbita. Se César me visse ali, jamais olharia na minha cara de novo. Eu estava tentando, de verdade, ser uma pessoa melhor. Queria um negócio próprio, queria criar meu filho e reconquistar o homem que aceitou me estender a mão. E agora, ali estava eu, presa novamente às correntes de Viktor. Respirei fundo, engolindo o orgulho.

É a última vez, prometi a mim mesma. Faço isso, me livro de Viktor e caso com o César.

Coloquei minha melhor máscara, um sorriso sedutor, e caminhei até a mesa.

— Olha só o presente que o Viktor mandou! — Saulo exclamou ao me notar.

— Uma entrega especial — respondi, forçando uma voz rouca e provocante enquanto me sentava ao seu lado, cruzando as pernas de forma sedutora.

— Realmente especial... — Ele deslizou a mão pela minha coxa, subindo perigosamente. — Beba algo, hoje é por minha conta. Depois, vamos nos divertir em um lugar mais reservado. Qual o seu nome?

— Para você, sou apenas "Docinho".

A noite arrastou-se entre carícias indesejadas e conversas sobre negócios que eu fingia não ouvir. Saulo bebia como se o mundo fosse acabar, fumava e eu apenas molhava os lábios na taça, mantendo a lucidez necessária. Quando ele mal conseguia focar o olhar, decidi agir.

— Acho que é hora de irmos para o quarto — sugeri, com um sorriso por fora e nojo por dentro.

Ele aceitou prontamente, cambaleando.

— Vamos continuar essa conversa no meu escritório — Ele disse para os outros caras, que concordaram que era hora de parar de falar de negócios.

Subimos para o segundo andar, onde já tinha um quarto reservado por Viktor, servi a Saulo uma taça de champanhe "batizada". Ele tentou me puxar para o colo, tateando o zíper do meu vestido com dedos desajeitados.

— Deixa que eu cuido disso — falei, rindo falsamente enquanto o fazia beber até a última gota.

Minutos depois, ele era apenas um peso morto na cama, murmurando sozinho. Peguei o celular e acessei seu drive — Viktor queria informações, não dinheiro. Tirei fotos de cada documento e assim que enviei, recebi um "joinha" e a notificação de depósito, quinhentos reais. Apenas isso pelo preço da minha dignidade.

— Patético — murmurei para o homem apagado. Por um resquício de humanidade, o ajeitei de lado para que não se sufocasse caso passasse mal.

Ao sair do quarto, o corredor estava deserto e escuro, mas o salão lá embaixo ainda fervia. Eu estava pronta para ir embora quando uma voz me parou.

— Sabia que aquele velho não daria conta de você.

Virei-me e encontrei um homem encostado no balcão, me encarando. Sobre o palco, uma dançarina de macacão dourado inteiriço dançava sob as luzes. Não dava para saber se ele era loiro ou ruivo. Era jovem demais para aquele lugar, talvez da minha idade, ou um pouco mais, e tinha aparência de mauricinho.

— Do que está falando?

— Que aquele velho não daria conta de você.

— E você dá? — perguntei, atrevida.

O homem era alto e forte. Pela camisa dava para perceber os músculos dos braços. Bonito. Loiro… ou talvez ruivo, no escuro era dificil ter certeza.

— Não sairíamos tão cedo do quarto.

— Cuidado para não se decepcionar com excesso de confiança — Não esperei para ouvir mais nada e me virei de costas para ir embora.

— Qual é o seu preço? — Ele perguntou chegando mais perto.

— Meu preço?

Assim que a pergunta saiu, percebi o quanto aquilo soava absurdo. Para ele, ali, eu era apenas mais uma prostituta.

— Exato. Qual é o seu preço?

— Encerrei por hoje.

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