"César"
— O cara é um fantasma — disse a voz no telefone.
Meu contato de segurança havia retornado a ligação com um tom de frustração que eu já esperava. Não imaginava que fosse fácil assim conseguir informações sobre o homem. Eu tinha fornecido o nome que Camila deu, a possível nacionalidade e as capturas de tela das câmeras da Lush. Era tudo o que eu tinha.
— O nome real é Viktor Belov — disse o investigador do outro lado da linha. — Mas é só o que temos. Ele é profissional, César. Não há registros de nascimento consistentes, nem endereço fixo. Encontrei fotos dele em quatro países diferentes nos últimos cinco anos, sempre com grupos diferentes e em círculos de alto luxo. Vou te enviar o arquivo.
— E como um sujeito desses entra no país sem disparar nenhum alerta?
— Dinheiro e influência abrem portas. Além disso, ele tem a ficha limpa, pelo menos no papel. Para a Imigração, ele é apenas um empresário investidor de férias.
— Tem que ter alguma coisa. Ele foi expulso daqui, mas tenho a impressão de que isso não acabou.
— Vou continuar investigando. Talvez apareça mais alguma informação, mas não teria tanta esperança assim.
Desliguei o telefone, sentindo um gosto amargo na boca. Viktor era exatamente o que eu temia: um homem que agia nas sombras. Mesmo sem nenhuma confirmação, eu tinha quase certeza de que ele tinha nos seguido até aqui. Ainda não tinha comentado nada com Júlia. Não queria que ela ficasse apavorada, mas em breve teria que falar da minha desconfiança.
O caos em que minha vida havia se transformado só piorava. A situação de Augusto finalmente se resolvera, agora com a confirmação de que ele era um homem inocente. Mas a resolução trouxe outra camada.
Eu tinha sido enganado por Karina. Era completamente inesperado. Trabalhamos lado a lado por anos. Eu achava que minha secretária era uma pessoa centrada, para descobrir que, no fim, ela foi cúmplice na morte do meu pai. Que teve um caso com ele. Que tinha um filho. Era muita informação para processar.
Lembrei de Caio. De Júlia. A traição, pelo jeito, estava impregnada em cada canto da minha vida.
Afastei esses pensamentos, me concentrando no agora, no presente — que era mais urgente do que rememorar o passado.
Júlia não falava comigo desde o dia no shopping. O silêncio dela me perturbava. No fundo, eu sabia que tinha agido como um escroto. Tinha dormido com ela e fugido, e agora estava com medo de ela ficar grávida.
E havia Camila.
Hoje era noite de apresentação.
Eu me sentei na penumbra do meu escritório, com o monitor das câmeras de segurança como minha única companhia. Ver Camila no palco tinha se tornado um ritual de autoflagelação.
Eu a via subir no pole, a luz refletindo na pele que eu tinha tocado, no corpo que eu sentira vibrar sob o meu.
Sem conseguir assistir apenas pelo monitor, saí da minha sala e desci para o local de sempre quando queria vê-la — de longe, na penumbra.
A música começou a pulsar, um ritmo grave, e Camila subiu ao palco mais linda do que nunca, usando um maiô colorido. Era uma noite temática, feita para o público feminino. Havia mais mulheres do que homens, e o lugar estava um caos colorido.
Camila flutuava no pole dance com uma mistura de força e delicadeza que me deixava sem fôlego. Em algum momento senti seus olhos em mim, mesmo de longe. Meu coração falhou uma batida.
Eu ainda sentia o peso do beijo que interrompi, o calor da pele dela que parecia queimar na ponta dos meus dedos.
Uma batida no meu ombro interrompeu meu transe. Era Fabrício, e sua expressão não era nada boa.
— César, precisamos conversar.
— O que foi? Algum problema?
— Ainda não. Tem três caras na área VIP, todos estrangeiros, com a mesma pinta daquele outro cara. Eles não pediram quase nada, não tiram os olhos da Camila. Estão o tempo todo no celular, discretos. Pode não ser nada, mas estamos de olho.
Senti a adrenalina subir instantaneamente.
— Viktor — rosnei, sem precisar de provas.
— Você acha que são dele? — perguntou Fabrício.
— O cara é um fantasma, Fabrício. Com certeza tem capangas. Quero reforço na porta e dois homens acompanhando a Camila até o bar. Ninguém tira os olhos dela.
Fabrício assentiu e saiu apressado, falando no rádio.
Eu não aguentei ficar apenas olhando de longe. Assim que a apresentação terminou e os aplausos ecoaram, fui atrás dela. Eu precisava ver se ela estava bem. Precisava sentir que ela estava segura.
Cruzei com ela no corredor que levava aos camarins. Ela ainda estava ofegante, o brilho do suor na pele tornando-a ainda mais letal para o meu autocontrole.
Quando me viu, parou bruscamente.
— Você não deveria estar trancado no escritório, César? — ela perguntou, com a voz carregada de uma ironia que escondia mágoa.
— Camila... — dei um passo à frente, mas ela recuou. — Só queria saber se você percebeu algo estranho hoje.
— Além do meu patrão me dando um gelo depois de quase me levar para a cama? Não, nada fora do comum — ela disparou, os olhos faiscando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...