"César"
Demorei alguns segundos para sair do carro. Em uma decisão que eu ainda não sabia o quanto era idiota, tinha vindo até a casa de Júlia. Nem sabia se ela estava em casa, mas precisava tentar.
Eu tinha dito ao José que tinha seguranças — e tinha mesmo —, mas não podia entrar na casa da mãe de Júlia com um bando de caras armados. Júlia perceberia na hora.
Então os deixei onde sempre ficavam: à distância, fora do campo de visão. Eu não sabia exatamente o que encontraria ali… nem como fingiria normalidade sabendo do que ela fez.
Tinha trazido uma arma, caso estivesse sendo seguido. Não esperava um tiroteio no meio da rua, mas não podia descartar essa hipótese. Já tinha aprendido que precisava estar dois passos à frente.
Respirei fundo, saí do carro e apertei a campainha.
Demorou alguns segundos.
Quando a porta se abriu, ela me olhou surpresa — como se não me esperasse — e, logo em seguida, escancarou tudo, correndo até o portão antes de se atirar nos meus braços.
— César… — ela sorriu. — Eu vi as notícias. Você está bem? Eu fiquei tão preocupada… não sabia para quem ligar. Minha mãe precisou sair e eu não pude sair com o Adam.
Cada palavra parecia ensaiada. Ou talvez fosse só impressão… porque eu sabia demais.
— A gente precisa conversar.
Ela fechou a porta com cuidado, me observando com atenção enquanto entrávamos. Adam não estava por perto.
— Duas pessoas morreram, Júlia — falei, observando cada reação. Como alguém podia ser tão fria?
O silêncio que se seguiu foi curto demais.
— Eu sinto muito — ela disse, levando a mão ao peito. — Sério. Eu vi as imagens na televisão… foi horrível. Fiquei muito assustada… desesperada sem saber o que tinha acontecido com você.
Lágrimas surgiram em seus olhos. Mas, para mim… tudo parecia encenação. O olhar dela desceu para meu braço enfaixado, e ela tentou tocar, mas me afastei imediatamente.
— Para com isso. Pode parar. Eu sei quem você é.
Era impossível continuar fingindo que não sabia de nada. Eu estava cansado, há mais de vinte e quatro horas sem dormir.
Ela franziu a testa, confusa ou fingindo muito bem.
— César…?
Ri, sem humor. Júlia era boa. Melhor do que eu imaginava.
— Fingir que se importa. Se preocupar… — balancei a cabeça. — Eu não deveria nem estar aqui.
O olhar dela mudou. As lágrimas ainda estavam ali… mas a postura era outra, compreendeu do que eu falava.
— Eu sei do seu noivo.
Um segundo de silêncio.
— Você não deveria ter vindo aqui — ela disse, fria.
— Realmente… você não deveria ter vindo — outra voz surgiu.
Virei o rosto.
Romeo saiu de um dos quartos e entrou na sala, como se já estivesse assistindo à cena desde o começo.
Júlia se afastou, dando espaço para que ele ficasse frente a frente comigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...