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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 263

"César"

O envelope deslizou por debaixo da porta. Fazia apenas algumas horas que Júlia tinha deixado meu apartamento.

Ao abrir o papel pardo e encarar a foto de Camila, presa em um cativeiro improvisado, com uma marca vermelha no rosto senti uma fúria que jamais julguei ser capaz de vivenciar. Júlia tinha saído da minha casa e decidido escolher o pior caminho para me convencer. Eu estava seguro de que a ideia de sequestrar Camila só poderia vir de Júlia.

Minha mente trabalhava rápido, como Camila fora capturada? Ela deveria estar segura em casa. Decidi, por ora, silenciar a minha cabeça das perguntas sem resposta. Não diria nada à mãe dela, muito menos à prima. Isabella não precisava desse tipo de noticia agora em estado de gravidez avançado. Minha única prioridade era trazer Camila de volta, ilesa. Não importava o preço.

No envelope, não havia instruções escritas, mas o recado, porém, era cristalino, a vida dela em troca de aceitar a oferta de venda. Eu faria a transferência sem hesitar; venderia minha casa, meu patrimônio, minha própria alma para resgatá-la. Ela era a minha vida.

Mas não era tão simples.

Quem tirou a foto não vendou os olhos de Camila. Ela encarava a lente com consciência, logo sabia quem a tinha levado. Isso nunca é um bom sinal em um sequestro. Além do fato do envelope ter sido entregue na minha casa, outro recado, eles estavam de olho.

Envolver a polícia agora seria um erro fatal, mas eu não iria para o confronto de peito aberto e sozinho. Eu tinha comprado um celular cuja única coisa que havia feito era sincronizar os contatos, era só o que importava no momento.

Disquei para John, meu ex-chefe de segurança. As coisas não tinham terminado bem entre nós, mas ele era o único em quem eu confiava para um trabalho tão delicado.

— Preciso de um favor — disparei assim que ele atendeu. — Uma equipe antissequestro. Discreta, profissional e sem polícia.

— Para quando? Quem é o alvo? — John foi direto ao ponto compreendendo a gravidade da situação.

— Agora. Estou envolvido em uma situação complexa, e a prima da Isabella, a Camila foi levada. Não é público, ninguém sabe, muito menos o Augusto. É um assunto pessoal. Consegue?

— Em cima da hora assim, o serviço é caríssimo. Preciso ver quem está disponível, se é que posso achar algué disponível em tão pouco tempo.

— Dinheiro não é problema, faça o que for preciso, você tem menos de meia hora — respondi, passei os nomes dos envolvidos, o número do telefone de Júlia e o de Camila e desliguei.

Fui até o quarto e abri o cofre onde guardava a arma. Romeo podia se achar um cara perigoso, mas ele não fazia ideia do que eu era capaz. Dez minutos depois, John retornou, a equipe estava pronta. Um especialista já rastreava todos os números de telefone.

Era uma equipe altamente especializada, que usava caminhos não convencionais para extrair informações, custaria milhões e pouco me importava desde que pudesse achar Camila.

— Quem fez o serviço não se esforçou para se esconder — informou o comandante da equipe minutos depois. — Já sabemos para onde ela foi levada.

Senti um aperto no peito, não era um bom sinal. Júlia provavelmente contava que eu ficasse desesperado e obedecesse na hora. Outra alternativa era inadmissível.

— Eu vou junto.

— Não posso autorizar civis na operação.

— Eu não estou perguntando, estou pagando. Eu vou junto.

O homem do outro lado da linha bufou, mas acabou cedendo. Mandou que eu fosse até o escritório de advocacia, uma forma de despistar quem estivesse me seguindo. Para qualquer um, pareceria que eu estava prestes a transferir a Lush para outro dono.

Meia hora depois, já estávamos a caminho. Tinha sido fácil. Fácil demais, claro que ajudava o fato saber quem era o responsável por tudo.

Segui dentro do carro com a equipe, que nada mais era do que um utilitário preto. A equipe era composta pelo comandante e mais quatro caras enormes, armados até os dentes. Ele dava ordens enquanto recebia informações de alguém que rastreava tudo por telefone.

Tentei me concentrar, mas só conseguia pensar que o carro estava indo devagar demais.

A culpa, mais uma vez, ameaçava me engolir junto com o medo de chegar lá e dar de cara com o meu pior pesadelo.

Fechei os olhos por um instante, mas a imagem veio com força bruta, Camila, assustada, presa, sabendo quem tinha feito aquilo e quem tinha colocado ela naquela situação.

Passei a mão pelo rosto, tentando afastar o pensamento, mas era impossível. A ideia de que ela poderia estar com medo… de que poderia estar me culpando… ou pior, perdendo a esperança… fazia meu estômago revirar.

— Cinco minutos — a voz do comandante cortou meus pensamentos.

Endireitei o corpo no banco, sentindo o coração acelerar de forma descontrolada. O momento estava chegando e, junto com ele, a certeza de que não podia falhar. Não dessa vez.

O carro desacelerou antes mesmo de virar a esquina. As luzes foram apagadas, e seguimos no escuro, apenas com a iluminação distante dos postes. O local onde Camila estava era um prédio baixo, que no escuro parecia abandonado. O local era uma rua de terra, e um terreno enorme descampado perdido na escuridão.

— Alvo confirmado. Prédio de três andares. Duas entradas. Movimento baixo — murmurou alguém no rádio.

— Você quis vir aqui. Como você mesmo disse, é você que está pagando, mas não me responsabilizo se acabar levando um tiro. Não sei como vai ser lá. Outra equipe já chegou para rastrear movimento e sinais de calor. Você nos pagou para resgatar a moça com vida, e eu tenho uma equipe para isso… mas não sei se posso proteger você.

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