"Augusto"
— Você tem alguma prova? — meu pai perguntou sério.
— Não — confessei —, mas tenho certeza de que Diana é capaz de qualquer coisa para provar que o meu relacionamento é falso.
— E você acha que, para isso, eu contrataria um marginal qualquer para aterrorizar a pobre coitada? — ela rebateu, incrédulo. — Você é melhor que isso, Augusto. Vou repetir só mais uma vez, não tenho nada a ver com isso. Ao invés de fazer acusações, precisamos descobrir se foi um ataque direcionado apenas a você ou se o resto da família também está em perigo.
— O John disse que ainda não é possível ter certeza sobre a motivação do ataque — meu pai completou, pensativo.
Éramos uma família com dinheiro e uma empresa famosa de segurança corporativa. Desde pequenos, fomos treinados para lidar com situações assim. Depois de adultos, trabalhando na empresa, passamos a ser responsáveis também pela segurança dos nossos clientes.
Se não foi Diana, podia ter sido qualquer um. Por qualquer motivo. Inimigos não faltavam.
— E você, César, não tem uma opinião a dar? — perguntei. Meu irmão mais velho permanecia calado, encarando o tapete.
— O John falou que eram três homens: um ficou de vigia na porta, e os outros dois andaram pela casa. Roubaram algumas coisas, colocaram em sacos e subiram, onde amedrontaram a sua noiva. Nossas casas são monitoradas, uma invasão assim seria reportada imediatamente. Nesse caso, você só soube porque a Isabella ligou. É estranho. A única conclusão a que cheguei é que esse ataque foi apenas um recado. Alguém quer nos mostrar que, apesar dos nossos cuidados, é possível encontrar uma falha na segurança e que não estamos seguros nem dentro de casa.
O tom de César era fatalista. Eu ainda tinha dúvidas. Na verdade, duvidava de tudo, inclusive de Diana. Minha irmã não era santa e, sim, era capaz de fazer uma coisa dessas.
— A partir de hoje, a segurança de vocês será reforçada — disse meu pai. — Augusto, você precisa deixar a Isabella a par da situação. Ela precisa de um segurança particular, pelo menos até esclarecermos tudo. Você não pode voltar para casa ainda.
— Não pretendo voltar para lá. Vou comprar outro lugar. Se a segurança falhou uma vez, pode acontecer de novo.
— Tudo bem. Sua mãe e sua avó vão adorar.
— Vou ver com a Isabella.
A conversa se estendeu, outros assuntos surgiram, mas eu só pensava em voltar para o quarto, para ela.
Sabia que Isabella não ia gostar de ficar nessa casa. Disso eu tinha certeza. Mas era o lugar mais seguro no momento, e eu não queria arriscar outro endereço até comprar a casa nova.
Quando subi novamente, já haviam se passado mais de duas horas. Apesar do beijo quente que trocamos antes, eu não sabia como Isabella me receberia. Ela lutava contra a atração e a vontade de ser minha — era nítido.
Mas, ao chegar ao quarto, ela não estava mais lá. Por um instante, temi que tivesse ido embora, desistido de tudo. Desci às pressas, e a encontrei conversando com a minha avó, que, claro, estava contando tudo sobre mim.
— Sua avó estava me dizendo que você tem medo de injeção. Eu não imaginava que o grande Augusto Salvatore teria medo de uma agulha — Isabella disse assim que entrei na sala, rindo da minha cara.
— Vó, a senhora não pode entregar meus pontos fracos assim! — reclamei, divertido.
— Ele contou que o aniversário dele está chegando? — minha avó perguntou animada. — É daqui a dois meses! A Diana já tem tudo planejado. E o dela é só daqui a seis meses... Trinta anos, uma excelente idade para ter filhos.
Isabella ficou sem graça, e eu tratei de encerrar o assunto.
— Vó, vou roubar a Isabella da senhora por um tempo. Precisamos conversar. — Peguei minha noiva pela mão e a levei de volta ao quarto, onde poderíamos falar a sós.
Minha avó apenas riu e nos dispensou com um gesto.
— Então você resgata bichinhos desde criança? É sério que cuidou de um passarinho até soltá-lo? — Isabella perguntou, empolgada.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido