Quando abri os olhos, demorei um momento para entender onde estava e o que tinha acontecido.
Estava abraçada a Augusto, com a cabeça apoiada em seu peito, sentindo o cheiro dele. Eu deveria me afastar — esse tipo de intimidade era perigoso —, mas não queria estar em nenhum outro lugar.
Augusto me olhou, preocupado, e explicou que estávamos na casa da avó dele, em segurança. Não tenho muita certeza sobre o que aconteceu a seguir, de repente, eu estava beijando Augusto como se fosse nosso primeiro beijo.
No instante seguinte, me agarrava a ele, o beijando como se fosse minha bóia de salvação. Perdi-me na boca de Augusto, esquecendo as consequências de ceder a um homem como ele.
Se a irmã dele não tivesse chamado, eu teria me entregado a Augusto ali mesmo. Com a saída dele do quarto, recobrei um pouco da sanidade, saí da cama e vesti uma roupa. Alguém havia trazido malas com nossas roupas, teria que confirmar com Augusto quanto tempo ficariamos na casa.
Nosso quarto era um quarto comum de hóspedes. Eu poderia ficar ali, mas a curiosidade falou mais alto. No dia da festa de aniversário, eu só conhecera alguns cômodos do andar de baixo.
Saí pelo corredor; havia mais quartos do que imaginava naquela casa enorme. Desci as escadas sem encontrar ninguém pelo caminho, até chegar a outra sala e dar de cara com a avó de Augusto, lendo um livro.
— Olá, minha querida, pode entrar. A Úrsula me contou o que aconteceu... que coisa horrível! Mas, pelo que vejo, você já melhorou.
— Obrigada. Estou bem, foi realmente um susto muito grande.
— Aqui é um lugar seguro, ninguém seria louco de invadir. Mas então, me fale sobre o casamento. Já está tudo preparado?
— Ainda não, mas estou organizando as coisas.
— De todos os três, jamais imaginei que Augusto fosse o primeiro a se casar. Mas acho que faz sentido. Quando criança, ele sempre foi um menino sensível, amoroso... Meu neto não podia ver um bichinho na rua que já queria trazer pra casa. Provavelmente seria veterinário, se o destino dentro da empresa não estivesse traçado.
— Mas se ele não quisesse trabalhar na empresa da família e escolhesse ser veterinário, não poderia? — perguntei, em choque. Era um pouco triste ser obrigado a fazer algo que não queria.
— Infelizmente, não. Meu filho sempre foi inflexível, e nenhum dos filhos jamais questionou o próprio destino.
— Não é um pouco cruel isso? Decidir o futuro do outro?
— Pode ser, mas às vezes nascemos com o destino determinado, e só resta se adaptar. Augusto fez a faculdade que o pai quis e depois assumiu o cargo na empresa, seguindo o protocolo. Mas apenas isso, continuou resgatando animais, apoia ONGs e, claro, leva uma vida fora dos padrões.
— Então a senhora acha que o comportamento dele é uma resposta ao pai autoritário?
— Cada um luta com as armas que tem. Claro que não é só isso... Mas enfim, o que você gostaria de saber sobre o seu futuro marido? Imagino que vocês ainda não se conhecem muito bem.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido