"Camila"
Minha prima parecia não perceber o perigo em que estava se metendo. Quase tinha sido atacada em casa e agora o cunhado havia levado um tiro. Eu já tinha saído correndo para bem longe, não valia a pena ter dinheiro se fosse correr risco de vida.
Vim até o hospital para garantir que ela estava bem, mas, além de bem, ela estava caidinha pelo noivo falso, que eu já pecebia que não era tão falso assim.
Não queria ser uma pessoa pessimista, mas tinha medo de que, se ela dormisse com o Augusto, tudo desandasse, ele perdesse o interesse e minha prima acabasse arrastando um casamento de aparências carregado de mágoa.
Minha intenção era só dar uma passada e agora eu estava aqui, no quarto de um homem que nem conhecia, que acabara de acordar depois de uma cirurgia delicada.
A família do coitado estava em “protocolo de segurança”, seja lá o que isso significasse. Augusto foi resolver alguma coisa, e Isabella estava atualizando o povo, que parecia não se importar com o fato de só ela estar no hospital.
E eu?
Eu estava aqui, ouvindo a enfermeira me atualizar sobre o estado de saúde e os cuidados de um cara que eu nem conhecia.
César estava acordado, mas ainda dopado, tentando se situar no mundo quando percebeu minha presença.
— Água... — ele murmurou com certa dificuldade.
Peguei a água e ofereci com um canudo. Isabella estava certa, a beleza da família era genética. Ele era bonito, mesmo naquela situação — acabado, recém-saído da sedação — dava para ver que tinha um porte físico de dar inveja.
— Eu morri? — Ele perguntou me olhando de uma forma estranha.
— Não, está vivíssimo.
— Você não é meu anjo?
— Gato, faz cinco minutos que você acordou e já está me passando cantada? Dá pra ver que ser sem-vergonha é de família.
— Você não é um anjo?
— Tô bem longe de ser um anjo.
Como ele podia achar que eu era um anjo? Tenho cabelo preto, curto e cacheado, e pele morena. Pela representação que fazem por aí, “anjo” não é a primeira coisa que vem à cabeça quando olham pra mim.
— Uma deusa... você é uma deusa — Ele falou mais empolgado.
— É, gato, a anestesia bateu forte. Toma mais um pouco de água — falei, ajudando-o a beber.
Só mesmo dopado para um homem desses me chamar de anjo e deusa. Normalmente, quando me elogiavam, era porque queriam bebida grátis na Lush.
— Como ele está? — perguntou Isabella, entrando no quarto.
— Parece bem. Já me chamou de anjo e deusa... não sabia que esse aqui também era um cafajeste.
— Mas o César não é! O Augusto disse que ele é todo certinho, cumpridor das ordens. Até onde eu sei, nem de festa ele gosta.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido