Capítulo 103 — A Promessa no Corredor
Adrian Foley
As palavras da Victoria foram como um soco físico direto no meu peito. Eu encarei os seus olhos castanhos transbordando em lágrimas:
— Vic... — sussurrei o nome dela, a voz falhando.
— Ade, eu sei perfeitamente o que você vai dizer agora. Sei exatamente o que está passando pela sua cabeça neste instante... No contrato, no nosso acordo formal, na cláusula sobre nada de bebês. — Ela agarrou a gola da minha camisa com força e enterrou o seu rosto ali na minha gola. — Mas eu não quero perdê-lo, Ade! Eu não quero!
A envolvi com toda a força dos meus braços e depositei um beijo demorado e carinhoso no topo da sua cabeça.
— Minha vida, de onde exatamente você tirou essa ideia maluca? — A apertei ainda mais contra o meu peito. — Não existe mais contrato nenhum entre a gente, Vic! Você sabe disso, não sabe? Você é a mulher da minha vida. E agora... A mulher que está carregando o meu filho no ventre.
Victoria se agarrou a mim com ainda mais desespero e voltou a chorar de forma intensa. A dor e o pavor dela eram sentimentos quase palpáveis ali dentro do veículo.
Assim que o Joshua freou o carro na entrada de emergência do hospital, desci do veículo com ela nos meus braços, correndo desesperado para o lado de dentro da recepção.
— Por favor! Alguém nos ajuda aqui, por favor!
Uma enfermeira veio prontamente ao meu encontro no saguão.
— Senhor, o que aconteceu com ela?
Olhei para a profissional, a respiração totalmente descompensada.
— A minha esposa está grávida! Ela está tendo um sangramento forte e... E ela acabou de desmaiar de dor!
Outra profissional de saúde surgiu rapidamente pela lateral, já empurrando uma maca articulada.
— A coloque com cuidado aqui em cima, senhor.
Acomodei o corpo macio da Vic com o maior cuidado do mundo sobre a maca. Ela segurou a minha mão direita com uma força impressionante.
— Ade... Não me deixa sozinha aqui!
Dei um beijo amoroso na sua testa fria.
— Eu não vou te deixar, meu amor! Eu não vou a lugar nenhum, eu prometo! — Sussurrei bem perto do seu ouvido, para que somente ela pudesse escutar.
Fui seguindo a passos largos ao lado da maca, com as nossas mãos firmemente enlaçadas.
— O senhor precisa esperar aqui fora, por favor. — uma das enfermeiras disse, colocando a mão no meu peito para me impedir de prosseguir pelo corredor interno.
— Eu vou entrar com ela! Eu prometi a ela que não a deixaria! — Falei em um tom de voz autoritário.
— Senhor, eu entendo perfeitamente o seu desespero, mas infelizmente são as normas rígidas da área de emergência. Por favor, aguarde nesta sala. Em breve alguém da equipe médica lhe trará notícias.
E, sem me dar o menor espaço para mais discussões, as enfermeiras empurram a maca rapidamente pelas portas duplas de aço. Victoria olhou para mim por cima do ombro uma última vez.
— Ade... — ela chamou, a voz embargada de choro.
— Eu estou bem aqui, amor! Vou ficar exatamente aqui te esperando! — falei alta para que ela escutasse.
As portas duplas se fecharam no mesmo instante, me privando completamente da visão da minha mulher. Fiquei ali parado no meio daquele corredor frio, encarando o vidro fosco da porta com o peito dolorido e apertado.
— Grávida... A minha mulher está grávida. — murmurei para mim mesmo na penumbra.
— ADE!!

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