Capítulo 104 — A Única Certeza
Adrian Foley
O ar parecia congelado nos meus pulmões enquanto eu esperava pela resposta do médico. Toda a postura corporativa e inabalável que mantive por anos simplesmente não existia mais; aqui, nesse corredor de hospital, eu era apenas um homem aterrorizado com a possibilidade de perder a minha família.
— O quadro da senhora Foley requer cuidados, mas a situação está sob controle. — o médico começou, ajeitando os óculos no rosto de forma calma. — O que a sua esposa teve foi um Descolamento Coriônico Parcial. É um pequeno hematoma que se forma entre a parede do útero e o saco gestacional. Isso explica tanto o sangramento quanto as fortes cólicas que ela relatou sentir nos últimos dias.
— Mas e o meu filho... — a minha voz saiu rouca, quase sumindo. — O meu filho está bem?
— Sim, o embrião está preservado e o batimento cardíaco está presente e rítmico — ele respondeu com um tom tranquilizador. — Esse tipo de descolamento é relativamente comum no primeiro trimestre da gestação. No entanto, me diga: ela passou por algum estresse emocional ou físico muito grande recentemente?
A briga no corredor do bar veio no mesmo instante à minha mente. O desentendimento com a Mallory, a mentira que escondi dela, os dias em que fiquei ausente... Senti a culpa pesar como uma rocha no meu peito.
— Sim... — assenti, engolindo em seco. — Ela passou por uma chateação muito grande e um momento de estresse intenso poucas horas atrás.
— Isso explica a exacerbação dos sintomas — o médico pontuou. — Se ela já estava sentindo dores e com o organismo debilitado, o estresse funcionou como um gatilho. A dor aumentou, a pressão arterial caiu drasticamente e o corpo dela simplesmente desligou, causando o desmaio. Nos exames de sangue notamos algumas alterações metabólicas e a pressão dela continua consideravelmente baixa, o que exige a nossa atenção.
Um alerta vermelho disparou dentro de mim. Me aproximei um passo.
— Doutor, me diga a verdade. A minha mulher está realmente fora de perigo? Ela corre algum risco grave?
O médico esboçou um sorriso acolhedor e pousou a mão no meu ombro.
— Ela está bem, senhor Foley. As alterações são contornáveis com medicação e repouso. Mas, por extrema precaução, não vou dar alta a ela hoje. Ela ficará em observação aqui no hospital para estabilizarmos essa pressão e monitorarmos o hematoma.
Soltei o ar que mantinha preso no peito, sentindo um alívio gigante me inundar.
— Eu posso ver a minha esposa agora? Posso ficar com ela?
— Uma funcionária da nossa administração vai falar com o senhor em alguns instantes para pegar os dados do seguro-saúde. Assim que transferirmos a senhora Foley da emergência para a acomodação privativa, o senhor será chamado para o quarto. Já adianto, ela pode estar meio sonolenta, o que é normal devido a pressão baixa e a medicação que administramos.
— Obrigado, doutor. Muito obrigado.
O médico acenou com a cabeça e se retirou. Poucos minutos depois, uma funcionária do hospital se aproximou, pegou os dados do seguro-saúde da Victoria e liberou a papelada.
Quando voltei ao grupo que me aguardava na recepção, Henry tomou a frente.
— Bom, pessoal, o Ade precisa de espaço agora. Acho melhor todos nós irmos embora e deixarmos ele com a Vic.
— De jeito nenhum! — Will rebateu de imediato, cruzando os braços. — Eu só saio daqui quando olhar para a cara da Victoria e ver que ela está bem!
— Eu também não vou embora agora! — Sara concordou, com os olhos vermelhos de preocupação.
Augustus, no entanto, interveio com a sua calma habitual.
— Pessoal, este é um momento estritamente do casal. A Vic precisa descansar e o Adrian precisa estar ao lado dela. Quando ela tiver alta, e estiver acomodada em casa, todos nós faremos uma visita.
Natalie suspirou e concordou, puxando o Lucas pelo braço. Notei que o Avery parecia estranhamente contrariado em ir embora sem ver a Victoria, encarando o corredor interno com um semblante pesado.
Aquilo me incomodou profundamente por dentro, mas engoli a minha irritação. Eu não tinha energia para gastar com ele hoje; a única coisa que importava neste mundo era a minha mulher.
— Manda notícias no celular assim que estiver com ela no quarto, por favor, Ade — Natalie pediu, me dando um abraço rápido.
— Mando sim. Podem ir tranquilos.
— Eu aviso o tio Victor? — minha irmã perguntou e neguei com a cabeça.
— Eu faço isso depois, pode deixar. Obrigada. — Ela assentiu com um sorriso.

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