Capítulo 115 — Refúgio e Vontades
Victoria Clark
O som daquelas três palavras vindas da boca do Adrian ainda ressoava de forma doce na minha mente: "Porque eu te amo".
Acordar e ver o olhar dele sobre mim, transbordando uma felicidade genuína pela descoberta do nosso bebê, fez com que qualquer resquício das dores e do medo da noite anterior simplesmente desaparecesse.
Fisicamente, o meu corpo ainda se encontrava um pouco cansado, com a cabeça meio pesada pela carga de medicação e pela pressão que teimava em continuar baixa, mas o meu peito estava transbordando de alívio.
No entanto, a calmaria durou exatamente até o segundo em que processei a informação de que ele já tinha decidido, por conta própria, mudar a nossa vida inteira para a mansão do vovô Victor hoje mesmo. E como se não bastasse:
— E tem mais uma coisa... — Adrian acrescentou, mantendo o tom de voz calmo e controlado.
Olhei para ele com a testa franzida, tomada pela confusão:
— O quê? — ele soltou o ar de uma só vez, encarando-me nos olhos sem piscar
— Eu estou te destituindo do cargo de minha assistente, a partir de hoje… Você não trabalha mais.
Pisquei os olhos várias vezes seguidas, tentando digerir aquela frase absurda e acreditando sinceramente que tinha ouvido errado por causa do efeito dos remédios no meu organismo.
— Como é que é?! — Questionei, a minha voz subindo um tom. — Você por acaso está maluco, Adrian Foley? O que você quer dizer com "não trabalha mais"?!
— É para o seu próprio bem e para o bem do nosso bebê, Victoria — ele respondeu, com aquela postura corporativa e inabalável que me irritava profundamente quando usada contra mim.
— Seja mais específico, Adrian! Você não pode simplesmente me demitir da empresa sem mais nem menos!
— Nós vamos conversar sobre cada detalhe dessa decisão quando estivermos em casa, assim que você estiver devidamente acomodada e descansada na suíte.
A minha fúria subiu de zero a mil no mesmo milésimo de segundo. Esquecendo completamente da minha condição e das ordens médicas, joguei as cobertas da cama para o lado e tentei me levantar de uma vez da cama hospitalar para encará-lo de frente.
Mas, no exato instante em que firmei os meus pés no chão gelado, a minha visão escureceu por inteiro e uma tontura violenta fez o quarto girar ao meu redor.
— Victoria!! — Adrian esbravejou em puro pavor, avançando na minha direção e segurando os meus ombros com firmeza para me apoiar de volta no colchão. — Você ficou completamente maluca?! Você não pode se levantar assim brusca da cama! O médico deixou claro que a sua pressão continua baixíssima!
Ele me deu uma bronca enquanto me acomodava de volta nos travesseiros.
— Viu só?! Esse é exatamente um dos mil motivos pelos quais você não vai pisar naquela filial tão cedo! Você não tem a menor condição física de enfrentar uma rotina de trabalho agora!
Eu bufei de pura raiva, cruzando os meus braços sobre o peito e fuzilando meu marido com o olhar.
Antes que a nossa discussão escalasse mais, a porta do quarto se abriu e uma enfermeira entrou sorridente, trazendo os papéis de alta assinados pelo médico e uma sacola com as minhas roupas limpas para que eu tirasse a camisola do hospital.
— Eu vou te ajudar a se trocar, amor. — Adrian se ofereceu de imediato, aproximando-se da cama.
— Não preciso da sua ajuda para nada, senhor Foley — respondi em um tom de voz gélido, virando o rosto para o lado oposto. — Enfermeira, você pode me ajudar a ir até o banheiro, por favor?
Adrian fechou a cara, travando o maxilar ao perceber o meu gelo explícito, mas não contestou. A enfermeira me guiou com cuidado até o banheiro privativo. Em poucos minutos, tirei a camisola, vesti a minha roupa limpa e saí do cômodo pronta.
A mulher me ajudou a me sentar na cadeira de rodas por protocolo do hospital e nós seguimos pelo corredor em direção à saída do prédio.
Do lado de fora, no estacionamento privativo, o Joshua já nos esperava com a porta do carro aberta. Adrian me ajudou a me acomodar no banco traseiro e sentou-se ao meu lado.


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