Capítulo 116 — Linhas de Controle
Victoria Clark
O olhar do Adrian mudou no mesmo milésimo de segundo em que ouviu a minha pergunta. A mandíbula dele travou sutilmente, e a firmeza calculada com que ele me segurava no colo pareceu hesitar por um breve instante antes de ele retomar a sua postura inabalável.
— Vamos entrar primeiro, amor — ele respondeu com cautela, a voz baixa e estrategicamente calma. — Nós tomamos um banho quente, comemos um café da manhã reforçado e eu te prometo, do fundo do meu coração, que nós dois vamos sentar e conversar sobre absolutamente tudo.
Mordi o lábio inferior, claramente relutante. Eu odiava quando ele adiava respostas, mas a exaustão ainda presente no meu corpo e o abraço firme dele me fizeram ceder.
— Está bem — concordei, soltando o ar devagar.
Adrian caminhou comigo pelos degraus da entrada e passou pelas grandes portas de madeira da mansão Foley. Assim que pisamos no hall de entrada, a dona Maria veio ao nosso encontro com um sorriso caloroso no rosto.
— Bom dia, meus queridos! Já está tudo devidamente pronto para a acomodação de vocês. O senhor Victor já mandou o motorista buscar todas as malas e pertences pessoais de vocês na cobertura do centro.
— Obrigado, Maria — Adrian disse, ajeitando o meu corpo nos seus braços. — Onde está o meu avô?
— Ele foi pessoalmente ao hospital buscar a senhora Marie, meu garoto. A alta dela saiu agora pela manhã — ela explicou, ajeitando o avental.
Soltei o ar em uma nítida demonstração de derrota, recostando a cabeça no ombro do Adrian.
— Eu queria tanto ter ido junto para buscar a tia Marie...
Adrian inclinou o rosto e me deu um beijo suave e demorado na bochecha, tentando me tranquilizar.
— O mais importante é que a sua tia teve alta e está bem, Vic. E muito em breve vocês duas estarão juntas bem aqui. — Olhei para ele, confusa.
— Como assim, bem aqui?
Adrian esboçou um sorriso de canto, provocativo.
— O vovô Victor está totalmente disposto a trazer a tia Marie para morar definitivamente aqui na mansão com ele.
Maria soltou uma risada fraca, balançando a cabeça.
— Disposto é um eufemismo muito leve, meu garoto! O seu avô está é completamente determinado! Ele já mandou reformar a suíte do térreo inteira para ela!
Nós três rimos juntos no hall. Adrian se despediu da governanta e subiu as escadas comigo no colo, seguindo direto pelo corredor do andar superior até o seu antigo quarto. Ele abriu a porta com o pé, caminhou até a cama king size e me depositou sobre o colchão macio com um cuidado absurdo, como se eu fosse feita de vidro.
Inclinou-se e deu um beijo carinhoso na minha testa.
— Vou encher a banheira para nós.
Ele foi até a suíte e voltou poucos minutos depois. Com gestos lentos e extremamente delicados, Adrian começou a tirar a minha roupa, peça por peça, sem qualquer malícia, apenas com um zelo profundo. Em seguida, despiu a própria roupa, me pegou no colo novamente e me levou para o banheiro.
Entramos na água morna da banheira, que borbulhava com óleos essenciais. Me acomodei deitada sobre o peito largo dele, sentindo os seus braços me envolverem.
— Acho que você precisa de uma massagem… — ele sussurrou em meu ouvido, suas mãos acariciarem os meus ombros de forma suave.
— Eu preciso só de você, amor. Só ficar aqui quietinha com você. — ele deu um beijo em minha têmpora me abraçando logo em seguida.
Ficamos ali por longos minutos em silêncio, apenas aproveitando a paz do momento e o calor da água. Assim que saímos, nos enxugamos e vestimos roupas leves e frescas: ele colocou uma calça azul de moletom e eu vesti uma camisola de algodão bem soltinha.
Voltamos para o quarto e encontramos a Maria terminando de arrumar uma bandeja gigante de café da manhã sobre a mesa de apoio, repleta de frutas frescas, sucos naturais e pães.
Comemos em um silêncio confortável, embora a minha mente continuasse trabalhando a mil por hora. Assim que terminamos, Adrian colocou a bandeja de lado e nos deitamos juntos na cama.

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