Capítulo 142 — Eu garanto!
Adrian Foley
— Repete, Henry. — A minha voz saiu cortante, como uma lâmina deslizando no gelo.
— É exatamente isso o que você ouviu, Ade — meu amigo confirmou do outro lado da linha, o peso da seriedade evidente em cada palavra. — A tal multinacional europeia entrou em contato institucional solicitando uma audiência de urgência para apresentar uma proposta de investimento conjunto, e deixaram registrado que a representante legal e executiva deles aqui nos Estados Unidos é a Diana Bowers.
Soltei uma risada seca e sem nenhum humor, sentindo o sangue pulsar nas minhas têmporas.
— Você nem precisava ter me ligado para perguntar isso, Henry. A resposta é um não absoluto e irrevogável. Não existe qualquer hipótese de diálogo, reunião ou negociação com essa mulher. Recusa a proposta agora mesmo e encerra qualquer canal de comunicação com essa empresa.
— Pode deixar, vou formalizar a recusa no sistema e despachar a assessoria deles imediatamente — Henry garantiu antes de desligar.
Encerrei a chamada e joguei o celular sobre a mesa de mogno. Thomas, Chen e Andrew mantinham a postura atenta de quem já estava calculando os próximos movimentos no tabuleiro.
— Eu vou agilizar a instalação dos protocolos táticos e o escaneamento do perímetro da mansão agora mesmo — Thomas assumiu a liderança com a sua costumeira objetividade militar.
— E eu vou entrar em contato agora mesmo com o Ben — Chen completou, cruzando os braços. — Vamos dissecar o quadro societário dessa tal multinacional até o último centavo para entender se a Diana é apenas uma testa de ferro ou se a própria família Bowers está por trás dela. Pedi pro Henry me mandar o que ele tem sobre eles.
— Vou enviar uma mensagem pra ele, e quanto a vocês já disse, todos tem autonomia para fazerem o que for preciso. — eles assentiram.
Saímos do escritório e seguimos pelo corredor largo em direção à sala de jantar. De longe, o som melodioso da risada gostosa da Victoria ecoou pela casa, quebrando instantaneamente a tensão densa que havia se instalado no meu peito.
Um meio sorriso inevitável surgiu nos meus lábios. Aquela mulher tinha o dom de me desarmar com um simples riso.
Ao entrarmos na sala, encontramos as meninas acomodadas ao redor da mesa farta. minha mulher se virou na cadeira com um brilho radiante nos olhos.
— Venham, meninos! Parem de falar de negócios por cinco minutos e sentem-se para comer. A Maria preparou uma mesa maravilhosa com todo o carinho para receber vocês.
— Um convite desses a gente não recusa nunca — Andrew brincou, puxando uma cadeira ao lado da Catharina.
Todos nos acomodamos para o lanche. Pouco depois, passos ritmados acompanhados pelo som compassado de uma bengala anunciaram a chegada do meu avô e da tia Marie.
Me levantei para fazer as honras.
— Vovô, esses aqui são os amigos que fui visitar em Houston daquela vez. Thomas e Aline, Chen e Lyu, Andrew e Catharina.
Meu avô abriu um sorriso largo e acolhedor, estendendo a mão para cumprimentar cada um com a sua habitual simpatia impecável.
— É uma honra imensa receber vocês sob o meu teto, rapazes e senhoritas! Sejam muitíssimo bem-vindos à nossa casa.
— O prazer é todo nosso, senhor Foley — Thomas respondeu cordialmente.
— Nós dois só viemos dar um abraço em vocês antes de sairmos — tia Marie avisou, ajeitando o lenço de seda no pescoço. — Victor inventou um compromisso e disse que é inadiável.
— Eita velha reclamona, eu não inventei, não é imaginário é muito real. — meu avô retrucou, tia Marie revirou os olhos.
O pessoal na mesa tentou segurar o riso diante da interação deles dois. Olhei para o vovô arqueando uma sobrancelha antes de perguntar.
— E posso saber que compromisso tão urgente é esse a essa hora?
— Nós vamos escolher os trajes para o meu casamento, garoto! — o velho respondeu com pompa e entusiasmo, ajeitando a lapela do paletó.

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