Capítulo 164 — Sobre isso…
Adrian Foley
Victoria piscou, assustada com a dureza na minha voz, e se encolheu de leve contra os travesseiros.
— Adrian... Eu só não queria te alarmar à toa. O Pat disse que era só uma coleta de rotina para checar a anemia, nada de mais...
— Nada de mais?! — minha voz subiu um tom, ecoando pelas paredes do quarto. — Você passa o dia inteiro dopada de sono, sem conseguir ficar de pé por causa da pressão baixa, o Patrick entra nesta suíte para tirar tubos de sangue e você acha que isso é 'nada de mais'?! Nós combinamos isso hoje na hora do almoço, Victoria! Eu deixei muito claro que não aceitaria ser colocado de fora de absolutamente nada que fosse relacionado a sua saúde e a do bebê!
— Eu não te coloquei de fora! — ela rebateu, com a voz embargada e os olhos marejando de imediato. — Eu só queria te poupar de mais um estresse! Você já está carregando peso demais Adrian, e eu não sou uma boneca de porcelana que vai quebrar a qualquer segundo!
— Mas está agindo com uma irresponsabilidade absurda com a sua saúde e com a do nosso filho! — disparei, cego pelo pavor de vê-la frágil.
— Irresponsabilidade? — ela repetiu. — Eu fiz tudo que foi preciso! — Victoria começou a enumerar. — Passei o dia nesse quarto. Aceitei que o vovô chamasse o Pat. Tudo que a Aline sugeriu eu aceitei, e você tem coragem de me chamar de irresponsável?!
— Você precisa parar de se fazer de vítima, Victoria, e entender o meu lado! E se acontece uma complicação grave, como é que eu fico?! Eu tenho que saber de cada detalhe, porra! E não ser pego de surpresa!!
No mesmo segundo em que a palavra dura saiu da minha boca, Victoria cobriu o rosto com as duas mãos e desabou em um choro convulsivo e doloroso. Os ombros dela tremiam sob o tecido da blusa, e os soluços cortavam o ar como lâminas.
Aquele som quebrou toda a minha armadura de raiva em pedaços.
O nó da culpa me socou o estômago com violência. Que tipo de homem entrava no quarto gritando com a mulher grávida e doente, que nem passar por estresse podia?
Passei a mão com força pelo meu cabelo, respirando fundo para engolir a minha própria babaquice. Me aproximei dela na cama, passei os braços por baixo do corpo trêmulo dela e a puxei com força para o meu colo, aninhando-a contra o meu peito.
Ela enterrou o rosto na curva do meu pescoço, molhando a minha pele com lágrimas quentes, e soltou com a voz quebrada.
— Me desculpa, Adrian... Me perdoa... Eu não queria fazer nada errado...
Apertei os braços ao redor da cintura dela, beijando os cabelos castanhos repetidas vezes.
— Shh... Calma, princesa. Sou eu quem tenho que pedir desculpas. Eu sou um idiota completo... Me perdoa, amor. Eu deixei o pavor falar por mim. É que... a ideia de algo acontecer com você ou com esse bebê me deixa apavorado.
Ela continuava soluçando contra o meu peito, as mãos pequenas agarrando o colarinho da minha camisa com desespero.
— Eu também tenho esse medo, Adrian. Todo santo dia desde que saí daquele hospital. Eu finjo que não, mas é mentira! Eu tenho um medo do caralho!
A voz dela saía entrecortada, crua de tanta vulnerabilidade.

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