Capítulo 168 — Esperando por um assessor, mas…
Adrian Foley
Mesmo com a tirada do William, o clima na mesa ainda ficou pesado. E o cretino do Lukas não facilitou.
— O seu noivo é sempre assim, senhorita Olsen? — Lukas comentou em tom provocador, inclinando-se na direção dela.
Henry apoiou os dois antebraços na mesa, encarando o rapaz com um sorriso que não carregava um único pingo de simpatia.
— Apenas quando estou analisando até onde vai a audácia de um diretor júnior antes de eu decidir se cancelo a cota dele da negociação ou se viro lutador como disse meu amigo, senhor Weber.
William fingiu tossir para disfarçar o riso, e Dieter rapidamente interveio, pigarreando e puxando o assunto de volta para os números consolidados.
Por volta das dez e meia da noite, os pratos principais foram recolhidos. Dieter cruzou as mãos sobre a toalha de mesa, os olhos brilhando em aprovação:
— Senhor Foley, estou extremamente impressionado com a solidez dos dados apresentados. A holding Foley tem em mãos exatamente o ativo de infraestrutura que a nossa assembleia procura para fechar o ano fiscal. Nós gostaríamos muito de formalizar a intenção de compra amanhã pela manhã.
— Eu aceitarei analisar uma proposta formal de vocês, senhor Schmidt — respondi com calma calculada, sem demonstrar a empolgação de quem sabia que tinha acabado de valorizar o negócio em trinta por cento. — Se os termos refletirem rigorosamente o que alinhamos nesta mesa, nós assinaremos o memorando de entendimentos antes do fim da semana.
— Maravilhoso! — Dieter sorriu, claramente satisfeito. — Na verdade, já trouxemos uma minuta preliminar estruturada com as nossas garantias bancárias e as diretrizes principais para adiantar o processo, caso o senhor não se importe de dar uma olhada inicial ainda esta noite.
— De forma alguma — assenti. — Podem me entregar que levarei para o meu escritório.
Lukas Weber se levantou de imediato da cadeira, ajeitando o terno.
— Os documentos originais lacrados estão no compartimento de segurança do nosso carro executivo com o motorista. Eu vou descer até o saguão para buscar a pasta agora mesmo, se me dão licença.
— Fique à vontade, senhor Weber — concordei.
O rapaz saiu da sala privativa. Minutos depois, o garçom entrou trazendo o cardápio de sobremesas. Dieter e Klaus pediram apenas café expresso, mas a conversa continuou fluindo de forma leve e vitoriosa.
Quando Lukas retornou trazendo uma pasta de couro rígido com o selo do consórcio, ele a estendeu diretamente para mim.
— Aqui estão os termos completos, senhor Foley.
Peguei o documento, sentindo o peso do papel timbrado.
— Vou avaliar cada anexo com a minha equipe jurídica e daremos um retorno formal até o meio-dia de amanhã.
Os representantes alemães se levantaram, trocando apertos de mão calorosos conosco e agradecendo pela recepção impecável antes de se retirarem pelo corredor privativo em direção ao elevador.
Ficamos apenas nós cinco na sala reservada. Eu já ia me levantar para pedir a conta, mas William e Sara cruzaram os braços, encarando a travessa de sobremesa que tinha acabado de pousar no centro.
— Nem pense em nos tirar daqui agora, Ade — William protestou, pegando a colher de sobremesa com determinação. — Nós passamos mais de duas horas aguentando conversa de auditoria fiscal e elogios baratos de alemão atrevido. Nós temos direito a devorar esse tiramisù artesanal até a última migalha!
— Faço coro com o Will, chefe! — Sara riu, servindo uma fatia generosa no prato. — Isso aqui parece uma obra de arte.
Henry revirou os olhos com um meio sorriso, abraçando a cintura da Sara.
— Pelo menos o atrevido foi embora sem nenhum dente quebrado.
Olhei para a sobremesa perfeitamente montada, polvilhada com cacau puro e mascarpone fresco, e a imagem da Victoria encolhida na nossa cama veio como um estalo carinhoso na minha mente. Minha mulher era completamente alucinada por tiramisù autêntico.
Chamei o garçom que recolhia as xícaras de café.
— Por favor, vocês poderiam preparar uma porção inteira desse tiramisù em uma embalagem especial para viagem? Minha esposa está em casa, grávida, e ela simplesmente adora essa sobremesa.
O homem abriu um sorriso cortês de imediato.
— Com certeza, senhor Foley. Providenciaremos uma embalagem térmica de alta conservação agora mesmo.
Sara arregalou os olhos, soltando uma risada divertida.
— Gente, eu não sabia que restaurante chique de alta gastronomia com três estrelas tinha serviço de delivery!
Caímos na risada.
— Não é delivery, Sarinha — William brincou, apontando a colher para mim. — É o efeito Adrian Foley no modo marido apaixonado. Se ele pedisse a lua enrolada em papel celofane, o chef daria um jeito de embalar.
Minutos depois, o garçom retornou com uma sacola elegante de papel kraft escuro e laço de fita, contendo a embalagem térmica impecável. Agradeci, assinei a comanda executiva e nos preparamos para sair.
Quando eu já estava ajeitando a lapela do paletó para pegar o caminho do estacionamento, o meu celular vibrou no bolso com uma chamada de número desconhecido com código internacional da Alemanha.
Atendi de imediato.
— Adrian Foley.
A voz apressada e polida de Dieter Schmidt soou do outro lado.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo