Capítulo 174 — Laços e Promessas
Adrian Foley
— Senhora Sterling, te apresento a minha esposa. Victoria Foley.
As palavras saíram da minha boca carregadas de um orgulho que não fiz questão nenhuma de disfarçar. Apoiei a mão espalmada na curva da cintura da Victoria, sentindo o calor do corpo dela contra o meu.
Evie parou a um passo de nós. O olhar atento, perspicaz e caloroso dela varreu o rosto da minha mulher de cima a baixo, descendo com delicadeza evidente para a curva suave da barriga sob o vestido. Um sorriso radiante, genuíno e desarmado tomou conta dos lábios dela antes de dar mais meio passo e estender os dois braços abertos.
— Pelo amor de Deus, me dê um abraço aqui, mulher! — Evie exclamou sem qualquer cerimônia elitista, envolvendo Victoria em um abraço acolhedor e cheio de afeto. — Nada de “senhora Sterling”, por favor. É Evie. Que alegria imensa finalmente te conhecer, Victoria!
Vic piscou, pega de surpresa pelo calor espontâneo da recepção, mas a rigidez inicial dela se desfez em uma fração de segundo. Ela retribuiu o abraço com a mesma franqueza, abrindo um daqueles sorrisos doces que iluminavam qualquer ambiente.
— É um prazer enorme, Evie. O Adrian falou tanto de todos vocês que parecia que eu já conhecia a família inteira.
Evie se afastou apenas o suficiente para segurar as mãos da Victoria entre as suas, os olhos cor de mel brilhando com uma cumplicidade feminina imediata.
— Ah, não acredite em metade do que o seu marido diz, querida. Ele adora bancar o homem misterioso e controlado, mas os meninos me contaram que você colocou essa fera no cabresto rapidinho. Eu precisava ver com os meus próprios olhos a mulher que conseguiu domar o solteirão mais inacessível dos Estados Unidos e ainda colocou um herdeiro a caminho! Você é linda demais, Vic. Parabéns por essa bênção na barriga.
— Obrigada — Vic respondeu, as bochechas corando de leve, mas os olhos brilhando em pura diversão. — E sobre colocar no cabresto... confesso que às vezes dá um trabalho infernal, mas ele até que é obediente quando quer.
William, esparramado no sofá com uma taça de vinho na mão, soltou uma gargalhada escandalosa.
— Obediente?! Minha filha, você não colocou o Adrian no cabresto, você fez um adestramento de elite com direito a coleira de choque invisível! Se a Vic espirrar na sala, esse homem manda blindar o estado da Califórnia inteiro em dez minutos!
— Menos, William — Augustus repreendeu o namorado com a voz calma de costume, embora um meio sorriso brincasse no canto dos seus lábios enquanto tomava um gole do seu café.
— Menos por quê, Gu? Eu sou a voz da verdade nesta casa! — William retrucou, apontando a taça na minha direção. — O Adrian virou um cachorrinho adestrado pela Vic e o Henry, depois das histórias que eu ouvi agora há pouco, pelo visto continua o mesmo fã número um do Alex desde a infância. A masculinidade desta sala está por um fio! Tô avisando.
Todos nós gargalhamos, eu podia retrucar sobre ele me chamar de “cachorrinho” da minha mulher, mas a verdade era exatamente essa. Agora o Henry, que estava sentado ao lado da Sara com o copo de conhaque pela metade, bufou alto, as orelhas ficando vermelhas.
— Cala a boca, William. Ninguém te perguntou nada sobre o meu respeito pelo Sterling. Respeito, ouviu bem?
Alex se desencostou da lareira com a calma predatória de sempre. Alto, de ombros imponentes, vestindo uma camisa preta e o olhar escuro e penetrante, ele caminhou até nós com passos lentos e firmes.
Parei ao lado da minha esposa e gesticulei para o meu velho amigo:
— Vic, este é o Alexander.
Alex estendeu a mão grande para a Victoria com um respeito contido e solene. Quando ela colocou a mão pequena na dele, o grandalhão segurou os dedos dela com delicadeza surpreendente para o seu porte físico:
— É uma honra, Victoria. Seja muito bem-vinda à nossa família estendida. O Adrian teve muita sorte em encontrar você. Se precisar de qualquer coisa, em qualquer hora do dia ou da noite, a minha família e eu estamos sob as ordens de vocês dois.
— Muito obrigada, Alexander. É um alívio enorme ter vocês aqui com a gente — Victoria respondeu firme, sustentando o olhar dele sem pestanejar, provando mais uma vez que não se intimidava com a postura dura de homem nenhum.
A cumplicidade instantânea entre Victoria, Evie e Alex acendeu um calor confortável no meio do meu peito. Ver a mulher que eu amava sendo recebida com tanto carinho e reverência pelas pessoas mais leais que eu tinha na vida limpava qualquer resquício da amargura e da tensão que aquele jantar maldito havia deixado nas minhas costas.
Evie deu uma cotovelada de leve nas costelas do marido, apontando com a cabeça para o outro lado.
— Viu só, Amor? Como a Vic é fina, educada, articulada... Completamente o oposto daquela criatura ali que não para de me encarar como se quisesse roubar o meu marido no meio da noite.
Todos os olhares se voltaram para Henry, que afundou um pouco mais no estofado, fingindo examinar o gelo dentro do seu copo.
— Eu não estou te encarando, Evelyn. Eu estou apenas analisando como o Alex tem paciência de te aguentar sem perder a sanidade.
— Inveja pura! — Evie devolveu sem pestanejar, rindo alto e arrancando risadas de Catharina e Aline, que assistiam ao duelo sentadas no tapete perto das poltronas. — O padre ainda estava no sermão e o Henry já estava com cara de quem ia pedir impugnação do matrimônio por motivos de ciúme excessivo!
Sara cobriu o rosto com uma das mãos, rindo baixinho contra o ombro do namorado.
— Amor, por favor, não tenta se defender que está ficando cada vez pior...
— Até você, Sarinha? — Henry resmungou, passando o braço ao redor dos ombros dela com um bico conformado. — Ninguém respeita a história de dois homens que cresceram juntos?
— Ninguém aguenta a sua carência, isso sim! — rebati, puxando Victoria para se sentar comigo na poltrona dupla. A acomodei entre os meus braços, mantendo a mão pousada no seu ventre com naturalidade.
Henry pigarreou, tentando recuperar a compostura.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo