Capítulo 176 — Jogo Aberto
Adrian Foley
O silêncio na ante-sala da presidência era tão denso que se podia ouvir o zumbido suave do ar-condicionado central. Dieter Schmidt parecia prestes a ter um colapso cardíaco ali mesmo, no meio do corredor, com o nó da gravata torto e o rosto cinzento de desespero.
— Herr Foley, nós não podemos ter essa conversa aqui fora — Dieter praticamente suplicou, a voz falhando enquanto olhava de soslaio para duas funcionárias que fingiam digitar em suas baias. — Por favor. Me dê dez minutos a portas fechadas. Eu imploro pela sua atenção antes que essa decisão se torne irreversível.
Augustus e Henry permaneceram imóveis atrás de mim, os olhares impassíveis, esperando apenas o meu comando.
Encarei o negociador por mais três segundos intermináveis, deixando o peso da recusa afundar bem na garganta dele.
— Dez minutos, Schmidt. Nem um segundo a mais — decretei, virando as costas e empurrando a pesada porta de carvalho da minha sala de reuniões.
Henry e Augustus entraram logo atrás de mim, seguidos por Dieter e os dois auditores alemães, Hans e Klaus, que aguardavam encolhidos no lounge e se esgueiraram para dentro com pastas pretas coladas ao peito.
Caminhei até a cabeceira da imensa mesa de vidro fumê, puxei a cadeira de couro e me sentei, apoiando os antebraços sobre o tampo. Não convidei nenhum deles para sentar. Henry encostou o quadril na bancada de apoio ao lado da janela panorâmica, cruzando os braços com uma expressão que prometia sangue, enquanto Augustus manteve a postura séria de sempre.
Dieter permaneceu em pé, apoiando as duas mãos trêmulas na borda da mesa.
— Senhor Foley, o senhor precisa nos ouvir. Ontem à noite, quando o senhor desceu e nós fomos notificados pela gerência do restaurante sobre o ocorrido no mezanino... nós convocamos uma assembleia extraordinária de emergência com o conselho em Frankfurt às duas da manhã pelo horário europeu.
— Poupe-me dos seus relatórios de madrugada, Schmidt — rebati com a voz calma e cortante. — A sua equipe tentou me enfiar uma criminosa goela abaixo. Vocês usaram uma identidade forjada para mascarar a presença de Diana Bowers em uma negociação com a minha empresa. Isso não é apenas quebra de confiança. É fraude, é má-fé contratual e é motivo suficiente para eu acionar a comissão de valores mobiliários e barrar a entrada do consórcio de vocês em qualquer porto americano.
Bati a palma da mão espalmada contra a mesa de vidro com tanta força que o estrondo ecoou pela sala inteira, fazendo Klaus dar um pulo assustado para trás.
— O negócio está cancelado! Peguem as suas minutas, peguem os seus relatórios e saiam do meu prédio antes que eu chame a segurança para escoltar os três até a calçada!
— Herr Foley, ela nos enganou! — Dieter elevou o tom de voz, desesperado, dando um passo à frente com as mãos espalmadas em súplica. — Eu dou a minha palavra de honra, pela memória dos fundadores do nosso grupo: nós não tínhamos a menor ideia do histórico pessoal ou das desavenças dessa mulher com o senhor!
Soltei uma risada seca e sem humor, encarando o homem com puro desprezo:
— Palavra de honra? O senhor realmente espera que eu acredite que um consórcio bávaro com mais de cinquenta anos de mercado aceita uma associada de última hora sem checar a árvore genealógica inteira dela? Não me tome por idiota, Dieter.
— Mas foi exatamente isso o que aconteceu! — Hans, o auditor mais velho, interveio com a voz trêmula, abrindo um calhamaço de documentos sobre a mesa. — A senhora... essa mulher surgiu há seis meses em Munique através de um fundo de investimento suíço altamente conceituado. Ela injetou quarenta milhões de euros líquidos na composição societária da nossa subsidiária e apresentou credenciais bancárias impecáveis emitidas por Zurique. Ela usava o nome Hohenzollern, tinha passaporte diplomático e uma rede de contatos que facilitava a nossa entrada no mercado ocidental.
— E por que a insistência doentia dela em participar especificamente da compra dos meus terminais portuários? — perguntei, cravando os olhos em Dieter.
Dieter engoliu em seco, puxando o colarinho da camisa.
— Foi ela quem colocou os olhos nos seus ativos, senhor Foley. Quando nós desenhamos a expansão logística para a América, nós tínhamos três opções na mesa: terminais no Golfo do México, portos em Seattle ou a cadeia da Holding Foley na Califórnia. Ela manobrou o conselho inteiro. Usou o poder de voto das cotas dela para vetar as outras opções e insistiu que a sua rede era a única viável. Ela garantiu que conhecia a sua gestão e que facilitaria o diálogo.
— Ela usou vocês — Henry constatou da bancada da janela, a voz gélida cortando as desculpas. — Ela usou o consórcio de fachada para conseguir sentar na mesma mesa que o Adrian e forçar uma reaproximação.
— Sim! É exatamente isso o que estamos dizendo! — Dieter assentiu com veemência, os olhos brilhando de alívio por alguém ter colocado a verdade em palavras. — Nós fomos o cavalo de Troia dela sem saber! Quando ela nos mandou subir na frente ontem e ficou para trás dizendo que tinha imprevistos, nós achamos estranho. Mas quando soubemos que ela subiu sozinha para procurá-lo na sala privativa, o conselho em Frankfurt entendeu a gravidade da manipulação. Ela não queria os terminais. Ela queria o senhor Foley!
Augustus começou a analisar as folhas que Hans havia depositado na mesa.
— Se isso for verdade, o que o conselho de vocês fez a respeito nas últimas horas?
Dieter puxou uma ata corporativa com selos notariais alemães e a estendeu diretamente para mim.
— Às quatro da manhã, o conselho deliberou pela expulsão sumária da senhora Hohenzollern do comitê diretivo. O aporte dela foi congelado em conta caução sob investigação de conduta antiética e quebra de sigilo fiduciário. Ela foi formalmente destituída de qualquer representação, não tem mais acesso aos relatórios do consórcio e está proibida de pisar em qualquer sede nossa. O rompimento é total, absoluto e irrevogável!
Peguei o papel timbrado, correndo os olhos pelas assinaturas digitais e pelos termos jurídicos redigidos em alemão e inglês. A ata era límpida: Diana havia sido ejetada do consórcio com base em violação de governança corporativa.
Dieter juntou as mãos na altura do peito, a voz carregada de uma sinceridade crua.
— Herr Foley, nós somos empresários da velha guarda. Nós precisamos desse contrato. O nosso grupo investiu quase um ano de planejamento para integrar essa malha de terminais. Nós aceitamos todas as suas exigências de ontem à noite: sem margem cambial, pagamento à vista por carta de crédito internacional e manutenção da sua equipe de engenharia por doze meses. Nós só queremos fazer negócios limpos. Por favor... não nos puna pelas manobras sujas daquela mulher.

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