Capítulo 177 — Mantenha os olhos também
Henry Reeves
O sangue subiu tão quente para a minha cabeça que a minha visão periférica escureceu por um segundo inteiro.
Encarei o Adrian no centro daquela sala de reuniões com a vontade pura e simples de atravessar a mesa de vidro e arrancar a postura cínica dele na marra. Ele estava ali, parado com as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, os ombros largos relaxados e aquela expressão impassível de quem não dava a mínima para a fúria que havia acabado de detonar no meu peito.
— Adrian, você só pode estar de sacanagem com a minha cara! — repeti, dando mais um passo na direção dele, a voz saindo cortante, sem qualquer filtro profissional. — Você está mesmo mandando a minha mulher ir trabalhar na filial, depois do que aconteceu ontem?
Adrian nem piscou. Ele apenas inclinou a cabeça de lado, sustentando o meu olhar com uma frieza irritante.
— Primeiro: baixa o tom de voz, Henry. Você está dentro da diretoria executiva da Holding, não no meio de um ringue clandestino. E segundo: você sabia muito bem, desde que a contratei, que a Sara assumiria o secretariado executivo da filial.
— Eu sabia do planejado, porra! — bati com o punho fechado contra a lateral da minha coxa, bufando de ódio. — Mas agora nós temos a porra de um fator a mais! Um alemão atrevido, folgado, que não escondeu o interesse na Sara nem por um segundo enquanto eu estava sentado do lado dela! E a sua ideia brilhante de gênio corporativo é colocar os dois trabalhando no mesmo corredor?!
Sara deu um passo à frente, segurando o meu antebraço com firmeza. O toque dela era macio, mas a pegada trazia uma ordem clara.
— Henry, chega. Se controla, por favor.
— Eu estou controlado, Sara! — rebati de imediato, virando o rosto para ela e tentando, sem sucesso, baixar o fogo que queimava sob a minha pele. — Eu só não vou aceitar esse palhaço achar que pode te usar como escudo de compliance para vigiar a porra dos alemães!
— O palhaço em questão é quem paga seu salário, então recomendo que se controle, Reeves. E não estou usando nem a Sara, e muito menos o William como escudo. Eu os estou colocando para fazer exatamente a função para que foram contratados. O Weber foi um acidente de percurso.
— Acidente. — rebati bufando.
Augustus soltou um suspiro pesado da ponta da mesa, cruzando os braços.
— Henry, a presença da nossa equipe na filial é indispensável para travar qualquer movimentação suspeita do Weber e dos auditores.
— Ah, com certeza! Sarinha e eu somos indispensáveis. — William se intrometeu, abrindo um sorriso largo e teatral. — O Henry acha que a filial é um bordel medieval, Gu. Fica calmo, Reeves. Eu serei o cão de guarda da virtude da sua donzela. Se o loirão da Baviera der um passo fora da linha, eu jogo uma xícara de café quente na virilha dele e digo que foi imperícia técnica.
Virei o pescoço na direção do William tão rápido que a vértebra estalou.

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