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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 179

Capítulo 179 — Rastros na Névoa

Alexander Sterling

Enquanto a rotina lá fora seguia seu curso aparente, com o sol iluminando a baía de São Francisco e os carros cortando as avenidas do centro financeiro, o ar dentro daquela sala operava em outra frequência: a da paciência cirúrgica de quem caça sem fazer barulho.

Apoiei os antebraços sobre a mesa de madeira escura, os nós dos dedos relaxados, observando as três telas conectadas aos servidores seguros que Jo havia configurado antes de eu deixar Houston.

Ao meu lado, Chen digitava em um ritmo frenético e contínuo. Andrew analisava relatórios impressos na ponta da mesa, cruzando dados de registros comerciais com uma caneta preta, enquanto Thomas, encostado junto à janela entreaberta, mantinha o rádio de comunicação de baixa frequência colado ao ouvido.

— Jo terminou de varrer a segunda camada dos bancos em Zurique, Alex — Chen quebrou o silêncio com a voz baixa e pragmática, sem desviar os olhos do código que rolava na tela central. — As contas da subsidiária bávara que a tal Diana usou como cavalo de Tróia estão congeladas, exatamente como o Schmidt garantiu ao Adrian. Mas o rastro não começou na Alemanha. A rota original do dinheiro é muito mais interessante.

— Mostra o fluxo — ordenei com a voz rouca e firme, sem me mover um milímetro.

Chen deu dois toques secos no teclado. Um diagrama financeiro tridimensional se abriu na tela principal, desdobrando linhas verdes e vermelhas que conectavam uma rede complexa de empresas offshore sediadas nas Ilhas Cayman, no Panamá e em Luxemburgo.

— Aqui — Chen apontou com o indicador para um nó central do gráfico. — Antes de aportar quarenta milhões de euros na Baviera sob o nome Hohenzollern, três transferências fracionadas de menor porte saíram de uma empresa de fachada chamada Vanguard Logistics Corp, registrada em Delaware. Uma transação em maio, outra em julho e uma terceira há três semanas.

Inclinei o tronco para a frente, estreitando os olhos. Delaware era o paraíso fiscal doméstico predileto de empresários que queriam blindar patrimônio e esconder beneficiários finais atrás de agentes fiduciários anônimos.

— Quem assina a custódia das contas da Vanguard, Chen?

— Oficialmente? Um escritório de advocacia fantasma com sede postal em Wilmington — Chen abriu um sorriso de canto, aquele meio sorriso de predador quando encontra a presa desatenta. — Mas a Jo puxou o registro de IP das autorizações de transferência eletrônica dos tokens bancários. Duas dessas assinaturas digitais foram validadas a partir de um servidor fixo localizado bem aqui na Califórnia. Mais precisamente, dentro de um galpão de exportação na zona portuária de Oakland.

— Edgar Walton — Thomas completou da janela, girando o corpo devagar para nos encarar. O semblante dele estava endurecido pela vigília matinal. — A equipe de campo que deixamos nos galpões dele reportou movimentação estranha desde às sete da manhã. Carros executivos sem identificação entraram duas vezes pelo portão dos fundos.

— Edgar acha que j**a xadrez — comentei com frieza calculada, pegando a caneca de café e tomando um gole sem açúcar. O calor amargo desceu queimando a garganta. — Mas ele é apenas um peão que vendeu a própria alma para tentar derrubar a holding Foley. Ele sabe que a estrutura dele está estrangulada pelas dívidas e que o Adrian tem o poder de sufocá-lo no mercado a qualquer momento.

— E foi exatamente aí que os Bowers entraram — Andrew interveio, deslizando uma folha de papel timbrado na minha direção. — Olha isso aqui, Alex. Nós cruzamos os sócios ocultos da Vanguard com a massa falida que a família Bowers deixou para trás depois daquela devassa judicial no Texas. Dois dos antigos diretores de compliance que respondiam diretamente ao clã Bowers constam como procuradores da conta de Delaware. Diana não está agindo sozinha. Ela tem o maquinário residual da família financiando essa palhaçada, e Edgar Walton está servindo de base física e logística para ela operar dentro da cidade.

Pousei a caneca sobre a mesa com um estalo seco. O tabuleiro começava a clarear, mas a experiência de anos lidando com o submundo corporativo e com o crime organizado me ensinou uma regra de ouro: quando você descobre a cabeça da serpente, você não corre com a faca em punho. Você espera o momento em que ela expõe o corpo inteiro para não deixar margem de fuga.

— Jo consegue monitorar essa conta da Vanguard sem disparar os alertas de segurança deles? — perguntei a Chen.

— Consegue — Chen assentiu com confiança absoluta. — Ela inseriu um protocolo fantasma nos espelhos do servidor. Qualquer centavo que sair daquela conta para qualquer entidade ligada ao Edgar ou à Diana vai apitar direto no meu celular e no seu. Eles não fazem ideia de que nós já estamos dentro da rede.

— Excelente. Nada de movimentações ostensivas perto dos galpões do Edgar por enquanto — ditei as ordens com clareza militar. — Mantenham apenas dois homens em vigilância velada a três quadras de distância, trocando os veículos a cada quatro horas. Não quero ninguém chamando a atenção da segurança privada dele. Se o Edgar ou a Diana desconfiarem que nós fechamos o cerco nas contas, eles transferem os fundos para contas cifradas no Leste Europeu e nós perdemos a ligação direta entre os dois.

— Entendido — Thomas respondeu, acionando o comunicador para repassar as diretrizes para os homens de plantão no perímetro.

Endireitei a postura, ajustando o coldre sob a jaqueta escura e conferindo a carga da arma com um movimento automático de quem carrega a segurança própria como extensão do corpo.

Olhei o relógio novamente: onze e quinze.

— Vou descer até a holding — anunciei, pegando a chave da minha caminhonete sobre a bancada. — Adrian precisa ver esse mapa financeiro pessoalmente antes que tome qualquer outro passo na filial.

— Quer que eu vá junto, Alex? — Andrew se prontificou.

— Não precisa. Fiquem aqui com o Thomas e mantenham os olhos cravados na casa. Evie e Rachel estão lá em cima com a Victoria e as meninas. Minha prioridade absoluta continua sendo a segurança daquela suíte. Ninguém que não faça parte do nosso círculo põe os pés além do portão de ferro.

— Pode deixar — Chen garantiu, já voltando a digitar no monitor para aprofundar os cruzamentos de dados.

Saí do escritório com passos pesados e calmos. Passei pela sala de estar ampla, onde a casa respirava uma calmaria que contrastava violentamente com os dados de inteligência que eu acabei de analisar.

Maria organizava flores frescas sobre o aparador e me lançou um cumprimento gentil com a cabeça, ao qual retribuí com um breve aceno respeitoso.

Subi rapidamente os degraus até o quarto onde Evelyn estava acomodada. Bati de leve na porta, abrindo apenas o suficiente para ver a minha esposa sentada na beirada da poltrona, lendo um livro enquanto a nossa pequena Rachel dormia um sono tranquilo no berço portátil instalado no canto.

Evie ergueu os olhos cor de mel e abriu aquele sorriso radiante que tinha o poder de desmontar qualquer resquício de tensão no meu peito. Ela fechou o livro e veio até mim em silêncio, passando os braços pela minha cintura e apoiando a bochecha contra o meu peito.

— Já vai sair, amor?

— Vou passar na holding para alinhar uns relatórios com o Adrian — murmurei em tom baixo, envolvendo-a com um dos braços e beijando o topo da sua cabeça. O cheiro doce da colônia dela era a minha paz. — Os meninos estão no comando aqui embaixo. Qualquer coisa fora do comum, você me liga na mesma hora.

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