Capítulo 180 — Aguarde!
Adrian Foley
O silêncio que se instalou na sala da presidência após a entrada do Alexander foi quase palpável.
Henry, que até um segundo atrás parecia disposto a atear fogo no quadragésimo andar por pura crise de ciúmes, travou no meio do tapete. O rosto dele ainda queimava em um tom avermelhado, mas a presença física e a frieza de Sterling eram como um balde de água gelada jogado direto na fervura.
— Eu não deixei nada no estacionamento, Alex — Henry resmungou entre dentes, puxando as mangas da camisa social de volta para os punhos e tentando recompor a postura. — Eu só estava lembrando ao dono desta empresa que certas decisões afetam a estabilidade de quem carrega este império nas costas com ele.
Augustus permaneceu em silêncio na poltrona. Como alguém que havia chegado recentemente àquele círculo restrito, ele mantinha uma discrição polida, girando a caneta entre os dedos e observando a dinâmica quase fraternal entre nós sem se intrometer na discussão pessoal.
Desencostei da borda da mesa executiva e dei dois passos à frente, apontando com a mão para as poltronas de couro que cercavam a mesa de centro.
— Chega de chilique por hoje, Henry. Vamos sentar e falar de coisas que realmente importam.
Alex não perdeu tempo. Com passos pesados e decididos, ele caminhou até o centro da sala e se acomodou em uma das poltronas individuais. Henry puxou a cadeira ao lado com um suspiro conformado, enquanto Augustus ajeitou a postura para acompanhar a parte documental.
Puxei a poltrona em frente ao Alexander e me inclinei para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Para você ter vindo pessoalmente até aqui, Alex, é porque descobriu algo importante.
Alexander cruzou as pernas longas, o olhar escuro e penetrante varrendo a nós três antes de desbloquear a tela do celular.
— A assembleia de emergência que o Schmidt mencionou realmente aconteceu. As contas do consórcio em Zurique foram blindadas pelo conselho e a Diana foi ejetada formalmente do grupo. Mas isso é apenas a superfície burocrática. O que nos interessa é de onde veio o capital que ela usou para comprar a influência dentro daquele comitê.
Ele virou o aparelho na minha direção. Um mapa financeiro detalhado se iluminou, mostrando transferências cruzadas partindo dos Estados Unidos em direção à Europa.
— Três aportes milionários saíram de uma empresa de fachada chamada Vanguard Logistics Corp, sediada em Delaware — Alex explicou com a sua calma cirúrgica. — As assinaturas digitais que autorizaram a movimentação desses fundos foram autenticadas a partir de um servidor fixo localizado bem aqui na baía. Mais precisamente, dentro do galpão de exportação em Oakland registrado em nome de Edgar Walton.
A menção ao nome fez o ar da sala pesar de vez. Henry estreitou os olhos.
— O Edgar... Ele teve a pachorra de meter a mão nisso?
— Ele está servindo de intermediário e de braço operacional — retrucou Alex, apontando para o gráfico. — Andrew e Chen cruzaram os sócios ocultos da Vanguard com a massa falida que a família Bowers deixou no Texas. Dois antigos diretores de compliance que trabalhavam diretamente para o clã Bowers constam como procuradores dessas contas de Delaware. Ou seja: Diana está usando os recursos residuais da família para articular os ataques, e Edgar Walton é a base física e operacional dela aqui dentro.
Travei a mandíbula, sentindo o sangue gelar em pura frieza calculada.
— Edgar acha que tem imunidade porque ainda detém aquela fatia minoritária de ações da holding. — falei, a voz saindo baixa e cortante. — Ele acumulou prejuízos nos últimos anos, perdeu espaço no setor e sabe que é questão de tempo até ser totalmente engolido. Ele se juntou à Diana achando que as conexões europeias dela serviriam de trampolim para me enfraquecer por dentro e tentar retomar relevância no conselho.
Augustus analisou os documentos digitais com o olhar clínico de jurista e pontuou com sobriedade.
— Se comprovarmos o uso das empresas dele para lavar dinheiro de investigados e conspirar contra a governança da holding da qual ele é acionista minoritário, isso configura violação fiduciária gravíssima e fraude financeira. Temos embasamento legal não apenas para destituí-lo e forçar a recompra compulsória daquelas ações a preço de custo, mas para colocá-lo atrás das grades.
— Mas o momento do bote não é agora — Alex interveio com firmeza militar. — Eu mantive duas equipes de vigilância velada perto dos galpões de Oakland, mas sem qualquer aproximação física. Jo instalou um protocolo fantasma nos servidores da Vanguard. Se agirmos contra o Edgar agora, Diana entra em alerta máximo, corta o canal de Delaware e espalha o resto dos ativos por contas fantasmas no leste europeu. Nós precisamos que Edgar continue achando que a parceria dele está operando nas sombras.
Henry cruzou os braços, a postura tensa, absorvendo a magnitude da traição.
— E com os alemães trabalhando provisoriamente na nossa filial, nós cortamos qualquer ponte que a Diana pudesse tentar usar para influenciar o contrato por fora.
— Exatamente — assenti, olhando para o meu braço direito. — Ninguém dá um passo naquele andar sem que você saiba primeiro, Henry. Você tem acesso irrevogável a todas as câmeras, relatórios e espelhamentos de dados daquele prédio. O William vai cuidar da administração da filial e a Sara da rotina de secretariado, mas o controle do fluxo e das informações continua passando exclusivamente pela sua mesa.
Henry soltou o ar com força, relaxando a mandíbula ao entender a engrenagem.
— Eu vou monitorar cada linha de transmissão daquele lugar dia e noite.
Alex ergueu uma sobrancelha para ele, soltando com aquela voz grave e pausada.
— Só cuida para monitorar as portas lógicas da rede, Reeves. Se você descer até lá para fiscalizar a distância da cadeira do Weber em relação à Sara, vai acabar comprometendo a discrição da nossa equipe.
— Pelo visto você estava escutando atrás da porta. — Henry retrucou irritado.
— Não, cheguei no meio da conversa e não quis atrapalhar. São coisas diferentes. Se não queria que eu ouvisse, devia ter se controlado mais. — Alex rebateu.

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