Capítulo 195 — Guarde seus cuidados…
William Robinson
A minha pergunta permaneceu suspensa no ar daquela sala imensa, pesando como chumbo derretido entre nós dois.
Por que ela?
Eu continuei cravando meus olhos marejados nos de Augustus. As minhas mãos seguravam os pulsos dele com um aperto quase doloroso, esperando desesperadamente por uma resposta rápida, fluida, qualquer justificativa instantânea que arrancasse aquela agonia em brasa cravada no meu peito.
Eu precisava que ele dissesse que foi um mero engano de logística, que o Adrian havia encontrado o currículo por acaso em uma pasta antiga, que tudo não passava de uma coincidência estatística sem importância.
Mas Augustus não respondeu de imediato.
Ele hesitou.
Foram apenas três ou quatro segundos. Um intervalo minúsculo para qualquer pessoa comum, mas, para quem amava e conhecia cada microexpressão daquele homem, aquele breve hiato pareceu um século de condenação.
Vi as pupilas azuis dele oscilarem de leve, a mandíbula travar de forma calculada e o olhar analítico de jurista entrar em ação, buscando as palavras certas para montar uma defesa bem articulada.
E foi exatamente essa pausa que terminou de estraçalhar o que ainda restava das minhas defesas.
Para mim, aquela hesitação não era reflexão; era dúvida. Era a confirmação silenciosa de que existia algo mais complexo ali dentro, algo que ele precisava polir e amaciar antes de me entregar de bandeja.
Soltei os pulsos dele em um movimento brusco, dando dois passos para trás, sentindo o estômago despencar em um vazio gélido.
— William... — Augustus começou, estendendo a mão para o vazio entre nós, a voz saindo com aquela sobriedade controlada que sempre me irritava quando estávamos no meio de uma tempestade emocional. — Não transforme uma decisão estritamente técnica em um fantasma afetivo. Quando o Adrian me comunicou a necessidade urgente de assumir as contas fiduciárias da divisão europeia para blindar o consórcio contra as fraudes dos Bowers e do Walton, nós precisávamos de alguém de confiança absoluta e com circulação comprovada no mercado internacional. A Karen passou os últimos cinco anos chefiando o setor de conformidade em Manhattan. Ela tem licença britânica, conhece a legislação suíça e não tem nenhum vínculo societário que possa ser corrompido pelos nossos concorrentes. Foi uma indicação pautada em excelência, nada além disso.

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