Capítulo 196 — Loucura apaixonada
William Robinson
— Amor, por favor, vamos pelo menos comer, e… — ele tentou mais uma vez.
— Eu não estou com fome, Augustus — cortei de forma definitiva, desviando o olhar para a parede para não fraquejar diante daquele tom carinhoso. — Eu não quero camarão, não quero vinho e não quero conversa fiada. A única coisa que eu quero agora é tomar um banho e dormir. Por favor, me dê licença.
Passei por ele sem esperar réplica e caminhei em linha reta até a suíte master.
Empurrei a porta, acendi a luz do closet e comecei a puxar as minhas coisas das gavetas com movimentos rápidos e decididos. Peguei um pijama confortável de algodão preto, peças íntimas limpas, meu kit de cremes noturnos e a minha nécessaire com escova e pasta de dentes.
Em seguida, caminhei até os cabides e retirei o terno cinza-claro sob medida, a camisa de seda italiana e a gravata que eu pretendia usar no expediente da manhã seguinte, acomodando tudo com cuidado sobre o meu braço.
Passos soaram na soleira do quarto.
Augustus estava parado ali, com a camisa social agora totalmente desabotoada no peito e as mangas arregaçadas até os cotovelos. Ele olhava para as roupas empilhadas nos meus braços e para a mala de mão vazia no chão do closet com uma expressão de puro alarme.
— O que você está fazendo, William?
— O que parece que estou fazendo? — respondi sem encará-lo, ajeitando as coisas contra o meu tronco. — Estou pegando o que preciso para tomar banho e me arrumar amanhã cedo.
— E por que está tirando essas roupas da suíte? — a voz dele subiu um tom, tingida de incredulidade. — William, este é o nosso quarto. A sua cama é esta aqui.
Parei no meio do quarto, erguendo finalmente os olhos para fitá-lo com toda a mágoa que transbordava da minha alma.
— Esta noite ela não é. Eu prefiro não dividir a mesma cama com você hoje, Augustus. Não estou com cabeça para fingir que está tudo bem, e não quero acordar no meio da madrugada sentindo esse aperto horrível no peito toda vez que olhar para o seu lado.
Augustus avançou dois passos largos, a expressão desarmada se transformando em um desespero controlado. Ele estendeu as duas mãos para segurar os meus ombros, tentando um último contato físico para quebrar a barreira que eu havia erguido.
— Meu amor, por favor... não faça isso. Nós nunca dormimos separados desde que nos mudamos para este apartamento. Nós não somos um casal que foge das conversas difíceis ou que se tranca em cômodos diferentes. Deixe essas roupas aí. Vamos deitar, eu só quero te abraçar. Não precisamos falar nada se você não quiser, mas fique comigo.
Por um segundo fugaz, o calor das mãos dele quase me fez ceder. O desejo de largar tudo no chão, me enfiar debaixo do edredom dele e deixar que aquele peito largo me protegesse do mundo foi quase irresistível.
Mas a imagem da Karen tocando o braço dele, chamando-o de Gu, e a lembrança daquela hesitação maldita de segundos antes voltaram a queimar a minha mente como ferro quente.
Dei um passo para trás com firmeza, desvencilhando-me do toque dele.
— Não, Augustus. Não hoje.
Girei nos calcanhares antes que ele pudesse tentar me segurar novamente. Saí da suíte master em passos rápidos, atravessei o corredor na penumbra e empurrei a porta do quarto de hóspedes no final do corredor.
Entrei no cômodo, apoiei as roupas e a nécessaire sobre a poltrona lateral e, em um reflexo mecânico e defensivo, girei a chave na fechadura metálica da porta.
O estalo do trinco trancando ecoou pelo corredor vazio como um tiro no escuro.

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