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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 197

Capítulo 197 — Não é trabalho, é pessoal

Victoria Foley

A claridade suave do início da manhã entrava pelas cortinas da nossa suíte, desenhando reflexos dourados sobre o lençol de seda. Acordei devagar, embalada por uma sensação gostosa de aconchego, sentindo o calor firme e protetor do corpo de Adrian colado às minhas costas.

Antes mesmo que eu pudesse me espreguiçar, a mão grande e quente do meu marido deslizou com extrema lentidão sobre o tecido da minha camisola de cetim, descendo da minha cintura até pousar com reverência sobre a minha barriga.

Um arrepio doce percorreu a minha espinha. A barriguinha, que há poucas semanas era apenas uma leve saliência discreta, agora despontava redondinha, firme e visivelmente aparente. Adrian apoiou o queixo no meu ombro, beijando a curva sensível do meu pescoço antes de deslizar o tronco para baixo na cama.

Ele apoiou a bochecha áspera pela barba por fazer contra a minha pele aquecida e deixou uma sequência de beijos lentos e estalados exatamente ali, onde o nosso milagre crescia a cada dia.

Não contive uma risada baixa, afagando os cabelos escuros dele.

— Bom dia, papai coruja... você não cansa de mimar essa barriga nem antes do despertador tocar?

Adrian ergueu os olhos azuis brilhantes, me encarando com aquele sorriso enviesado e devastador que fazia o meu coração errar as batidas como no primeiro dia.

— Eu nunca vou me cansar disso, minha vida. Conversar com o nosso herdeiro logo cedo virou a minha prioridade estratégica número um. E, pelo visto, ele concorda comigo, porque sempre fica mais calmo quando eu encosto aqui.

— Você e suas teorias absolutistas, senhor Foley. Nós nem sabemos se é um herdeiro ou herdeira. — brinquei, acariciando a mandíbula marcada dele e puxando-o para um beijo demorado, cheio de sono, cumplicidade e carinho.

Quando o beijo terminou, apoiei as costas nos travesseiros altos e respirei fundo. O contraste entre a paz do meu quarto e a confusão instalada no nosso círculo de amigos me fez pegar o celular na mesinha de cabeceira.

As mensagens acumuladas confirmavam que a noite havia sido longa e dolorosa.

— Ade... hoje eu não vou ficar em casa descansando como tínhamos combinado — avisei em tom suave, enquanto ele se sentava ao meu lado na cama, esticando os ombros largos. — Eu vou até a filial depois do café.

Adrian franziu o cenho na mesma hora, os olhos semicerrados em desaprovação evidente.

— Até a filial, Victoria? O que você vai fazer naquele prédio? Você está afastada há semanas, eu disse que você só volta a trabalhar quando o Pat garantir que isso não será um risco nem para você e nem para o bebê.

— Não é trabalho, amor. É pessoal — suspirei, bloqueando a tela do aparelho. — Eu, a Sara, a Natalie e a Evelyn passamos metade da madrugada acordadas consolando o William no nosso grupo de mensagens. Ele está em pedaços, Ade.

Adrian soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto com clara exasperação.

— O William passou do ponto ontem, Vic. Ele invadiu a minha sala no meio de um fechamento de contrato internacional, fez um escândalo desnecessário na frente de uma recém-contratada e quase me jogou contra a parede porque tentei trazê-lo à razão. Eu deixei passar porque ele é nosso amigo, mas se fosse outra pessoa, eu o teria demitido no mesmo instante!

— Adrian Foley, não ouse falar assim! — repreendi de imediato, arqueando a sobrancelha e lhe lançando um olhar afiado. — Você sabe muito bem que, se fosse o contrário, se um fantasma do meu passado entrasse na sua empresa com sorrisinho de lado e intimidade, você teria queimado a cidade inteira antes de pedir explicações!

Adrian engoliu em seco, claramente desarmado pela precisão do meu argumento, mas tentou se defender.

— Eu reconheço os meus excessos, Victoria, você me conhece melhor do que ninguém. Eu até entendo o ciúme que ele sentiu ao ver a Karen lá. O que eu não posso aceitar é a proporção que isso tomou dentro da minha empresa. E outro surto desse, eu não irei admitir! Eu também falei com o Augustus ontem até tarde da noite, ele estava transtornado. O William se recusou a jantar, trancou a porta do quarto de hóspedes e o fez dormir sozinho no quarto deles. Isso não se faz com quem se ama. Trancar a porta para o próprio parceiro e recusar o diálogo é imaturidade. Eu e você temos nossos momentos, mas conversamos e nos resolvemos.

Toquei o braço de Adrian com carinho, mas mantendo uma seriedade firme no olhar para fazê-lo enxergar a raiz daquele abismo.

— Presta atenção no que você está dizendo, amor. A situação deles não é igual à nossa. Não se trata de uma DR comum de casal e muito menos de um simples ciúme possessivo. O que o Will sente dentro do peito é um medo visceral de rejeição.

Adrian me fitou em silêncio, a expressão endurecida dando lugar à curiosidade reflexiva.

— Rejeição por que, Vic? O Augustus moveu montanhas para trazê-lo para São Francisco, o assumiu sem medo e o defende contra qualquer investidor que ouse olhar torto. Isso pra mim fica claro que o Gu quer tudo, menos rejeitar o William.

— O Will cresceu sendo marginalizado por ser exatamente quem ele é, Ade — expliquei, a voz embargada pela empatia que eu sentia pelo meu amigo. — Ele construiu aquela pose extravagante, cheia de ironias e deboches, como uma blindagem para o garoto machucado que ninguém queria acolher. A sociedade aplaude o que é padrão: homem, mulher, casamento tradicional e filhos perfeitos de comercial de margarina. E o Will sabe que ele é a primeira relação homoafetiva do Augustus. Quando ele entra naquela sala e vê uma executiva brilhante, refinada, linda e que já foi a noiva do namorado dele... o que passa pela cabeça dele não é desconfiança sobre o caráter do Gu. É o pavor de acordar amanhã e ver o Augustus perceber que a vida tradicional com uma mulher como a Karen seria infinitamente mais fácil, segura e aceita do que enfrentar o mundo de mãos dadas com um homem afeminado. É esse trauma que está falando alto, não o capricho.

Adrian permaneceu em silêncio por longos segundos, absorvendo cada palavra. O olhar dele suavizou, perdendo a rigidez.

— Eu não tinha enxergado por esse ângulo... — ele admitiu em voz baixa, pousando a mão sobre a minha nuca e me puxando para colar a testa na minha. — Você tem uma sensibilidade absurda, meu amor. O Augustus é um dos meus amigos mais leais e eu conheço o caráter dele: aquele homem é completamente cego de amor pelo William. Ele nunca trocaria o que construiu com o Will por nada nem ninguém. Mas compreendo que para o William a sombra seja pesada.

— Eu não duvido do amor do Augustus, amor. Nem por um segundo — murmurei de volta. — Mas o William precisa das amigas dele agora. Ele precisa lembrar do valor que tem.

Adrian beijou a ponta do meu nariz, suspirando com resignação afetuosa.

— Tudo bem. Você pode ir até a filial visitá-lo. Mas com três condições inegociáveis: você não vai carregar peso nenhum, vai se sentar confortavelmente e não vai se estressar com assuntos de trabalho. E nem com os assuntos do Will.

— Sua matemática está péssima, senhor Foley. Foram quatro condições, não três. — Ade riu, uma risada gostosa que encheu meu peito.

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