Capítulo 198 — Assim como, querida?
William Robinson
A porta do meu gabinete se abriu de par em par, e a figura da Karen Delyon surgiu na soleira, emoldurada pelo sorriso formal da recepcionista.
Ela estava exatamente como na noite anterior: impecável em uma saia-lápis de corte sóbrio, camisa de seda pura off-white e um blazer estruturado que gritava alta costura nova-iorquina.
Os cabelos castanhos perfeitamente alinhados e aquela postura de quem acredita piamente que o mundo corporativo existe apenas para servi-la. Seus olhos passaram pela sala ampla, varrendo a decoração moderna até pousarem nas quatro mulheres reunidas ao meu redor e, finalmente, em mim.
Houve um segundo de silêncio denso. Aquele tipo de pausa em que qualquer faísca vira incêndio.
— Bom dia, senhores — Karen cumprimentou com a voz polida, mantendo o queixo ligeiramente erguido. — Espero não estar interrompendo nenhuma conferência confidencial. Fui informada pela presidência de que o senhor Robinson estava disponível para despachar as pastas fiduciárias.
Antes que eu pudesse respirar para responder, o "comitê de proteção" ao meu lado se movimentou com a elegância de leoas prontas para defender o território.
Victoria deu um passo à frente, ajustando com graça o tecido do seu vestido que delineava a barriguinha evidente. O olhar dela, costumeiramente doce e acolhedor, tinha a temperatura de uma geleira alpina.
— De forma alguma, senhorita Delyon — Vic falou com uma calma suave, cada sílaba carregada de uma autoridade inata que deixava bem claro quem mandava naquele império. — Nós estávamos apenas encerrando uma conversa estritamente pessoal entre a dona desta casa, suas amigas e o nosso diretor administrativo. Na verdade, já estávamos de saída.
Karen fixou os olhos na barriga da Vic e forçou um sorriso cordial.
— Senhora Foley, certo? — Vic assentiu com um aceno. — A reconheci da foto que fica em cima da mesa do senhor Foley. A propósito, parabéns pela gestação. Adrian comentou ontem sobre as novidades na família.
— Obrigada — Vic respondeu, sem devolver o sorriso, mantendo a postura irretocável. — Nós cuidamos muito bem do que nos pertence, senhorita Delyon. Em todos os sentidos. O William é família, e o trabalho dele nesta filial é motivo de orgulho para toda a Holding. Lembre-se disso, William é família. — minha amiga deu seu último aviso. — Tenha um excelente expediente, senhorita Delyon.
Evelyn passou os olhos da cabeça aos pés de Karen, soltando um suspiro debochado enquanto ajeitava a alça da sua bolsa no ombro.
— Sabe, querida... vou te dar um conselho de boas-vindas: em São Francisco o clima é imprevisível. Às vezes, quem vem de Manhattan acha que ainda tem espaço para certas intimidades antigas, mas acaba percebendo rápido demais que o mercado daqui mudou. E mudou para melhor.
Natalie apenas deu uma risadinha baixa, antes de dizer.
— Vamos, meninas? Deixem o nosso diretor trabalhar. Will, te esperamos lá embaixo para o café da tarde, meu bem. Arrasa como você sempre faz.
As três se despediram com abraços e beijos carinhosos em mim, passando por Karen como se ela fosse um móvel colocado fora de lugar no corredor.
Anya olhava para mim com os olhos arregalados, contendo o fôlego diante da tensão palpável.
— Obrigada, Anya. Pode nos dar licença — falei com a voz tranquila e aveludada.
— Sim, senhor Robinson — a recepcionista assentiu com reverência e saiu, fechando a porta com cuidado.
Na sala, restamos eu, Sara e Karen.
Sara me olhou de soslaio, a pasta suspensa ainda segura contra o peito, os olhos atentos e protetores.
— Quer que eu fique, Will?
— Por favor, Sarinha — respondi com um sorriso calmo, gesticulando para a cadeira ao lado da minha mesa executiva. — Sente-se aqui ao meu lado. Nós vamos precisar validar os acessos criptografados das contas de Londres e a sua presença como secretária executiva desta divisão é indispensável.
Sara assentiu e se acomodou com postura impecável, abrindo o tablet para registrar a ata da reunião.


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