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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 199

Capítulo 199 — Enquanto muitos me julgam…

William Robinson

— Exatamente!! — ela me respondeu irritada. — Augustus nunca foi uma coisa dessa!

Sara deu um passo à frente no mesmo segundo, os olhos castanhos chispando em chamas, o tom de voz subindo em defesa pronta.

— Olha aqui, senhorita Delyon, a senhora meça as suas palavras dentro deste...

Ergui a mão esquerda no ar com serenidade, tocando com carinho no antebraço da Sara para contê-la.

— Deixa comigo, Sarinha. Não se desgaste com matéria morta.

Olhei diretamente nos olhos de Karen, mantendo a minha coluna ereta, o queixo empinado e uma expressão tão fria e inabalável que o sorriso arrogante dela congelou na mesma hora.

— Deixe-me esclarecer uma coisa para você, senhorita Delyon — comecei, a voz saindo baixa, firme e cortante como um bisturi, sem perder a cadência elegante por um segundo sequer. — O homem que você conheceu há cinco anos pertencia a um mundo de aparências, de cobranças vazias e de silêncios convenientes para agradar a uma aristocracia hipócrita que nunca se importou com a felicidade dele. O Augustus que está comigo hoje não precisou de lavagem cerebral nenhuma; ele apenas precisou de alguém corajoso o suficiente para amá-lo por inteiro, sem máscaras, sem contratos sociais e com uma cumplicidade real que você nunca foi capaz de oferecer. Se para você isso parece estranho ou desconcertante, o problema não está no que ele se tornou... está na sua incapacidade de aceitar que o passado de vocês não passa de uma nota de rodapé esquecida na história dele.

Karen arregalou os olhos, o rosto queimando em um tom vermelho vivo de puro choque e humilhação. Ela abriu a boca para retrucar, mas não encontrou uma única palavra para articular diante da muralha de dignidade que eu ergui na frente dela.

Sara soltou uma risada debochada ao meu lado, cobrindo a boca com a palma da mão.

— Meu Deus... que vergonha alheia. Depois dessa eu ia embora sem nem olhar pra trás.

Sorri com superioridade, apreciando cada fração de segundo da derrota daquela criatura. Dei meio passo para trás, segurando a borda da porta aberta com elegância extrema.

— O nosso assunto corporativo encerrou por hoje, senhorita Delyon. Tenha um bom retorno à matriz da holding. A saída fica exatamente à sua direita.

Karen bufou com força, travando os maxilares com tanta raiva que o estalo quase pôde ser ouvido na antessala. Ela deu meia-volta sobre os saltos finos e saiu marchando duro pelo corredor envidraçado, com o tecido do terninho estalando no ar até sumir na direção dos elevadores privativos.

Assim que a silhueta dela desapareceu pela esquina da recepção, Sara e eu nos olhamos.

— PUTA QUE PARIU, WILLIAM! — Sara deu um pulo no lugar, jogando as duas mãos para cima em pura euforia. — Você destruiu a mulher! Você acabou com a raça daquela cascavel sem levantar um tom da voz! Eu quase aplaudi de pé aqui no meio do corredor!

— Querida, você achou o quê?! — dei uma gargalhada solta, batendo palmas delicadas no ar enquanto entrava de volta na sala sem nem me preocupar em fechar a porta. — Ela achou que eu ia descer do salto e fazer barraco de feira na minha própria filial! Comigo o veneno é servido em taça de cristal Baccarat com borda de ouro! Ela nunca mais ousa me olhar com essa cara de nojinho aristocrático!

Estávamos no meio de uma rodada de risos e celebrações quando uma voz masculina, grave, aveludada e profundamente marcante soou bem na entrada do gabinete.

— E o nosso assunto... será que também encerrou?

O riso morreu na minha garganta.

Meu coração deu um salto violento dentro da caixa torácica, batendo na boca com tanta força que o ar sumiu dos meus pulmões.

Virei o corpo devagar, sentindo a espinha gelar e queimar ao mesmo tempo.

Parado na soleira da porta, com um terno azul-marinho de três peças sob medida, o paletó perfeitamente ajustado aos ombros largos e a postura de quem dominava qualquer ambiente com a sua mera presença, estava Augustus.

Os cabelos loiro-escuros estavam penteados com a disciplina habitual, mas os olhos azuis... aqueles olhos azuis intensos, profundos e devastadores estavam cravados em mim com uma mistura avassaladora de alívio, desejo e afeto desmedido.

Engoli em seco, sentindo a minha armadura de deboche tentar se reerguer no piloto automático para disfarçar o impacto que a presença daquele homem causava no meu corpo.

— Ora, ora... o que temos aqui? O tribunal de pequenas causas resolveu despachar pessoalmente no meu gabinete sem agendamento prévio na recepção?

Sara olhou de mim para o Augustus, captando a eletricidade estática que tomou conta da sala em uma fração de segundo. Ela mordeu os lábios para conter um sorriso travesso, deu dois passos discretos em direção à saída e falou com um tom divertido.

— Bom... acho que a secretária executiva aqui precisa checar uns relatórios urgentes lá fora e deixar a diretoria resolver essas pendências contratuais a sós.

— Sara Olsen, não ouse me abandonar aqui! — tentei segurar o braço da minha amiga com uma expressão de falso desespero, puxando assunto de forma atrapalhada — Nós temos que validar as procurações das docas! Temos prazos alfandegários para...

Sara puxou o braço com suavidade, soltou uma risadinha baixa e se inclinou bem perto do meu ouvido para que apenas eu escutasse o seu sussurro.

— Will... você acabou de espantar a varejeira de esmeralda. Agora para de graça e aproveita o doce que está aí na sua frente, seu bobo.

Ela se afastou com uma piscadela cúmplice, passou por Augustus na porta e parou por um segundo.

— Uma boa sorte para você, senhor Evans.

Augustus abriu um sorriso discreto e compreensivo, respondendo em voz baixa.

— Obrigado, Sara.

— Ele vai precisar de um milagre, isso sim! — rebati com o queixo empinado.

Sara riu alto pelo corredor e puxou a folha dupla da porta, fechando-a com um clique definitivo e nos deixando completamente a sós no silêncio daquele gabinete amplo.

O silêncio que se instalou era espesso, carregado de uma tensão íntima que fazia a temperatura da sala subir gradativamente.

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