Capítulo 206 — Pacto de Sangue
Lucas Avery
O silêncio do médico naquele segundo de pausa pareceu durar uma eternidade inteira. Adrian e eu estávamos colados ombro a ombro, o ar preso na garganta, esperando uma sentença que definiria o restante dos nossos dias.
O doutor consultou a prancheta de prontuários por um breve instante, ergueu os olhos cansados e soltou um suspiro compassado, adotando um tom firme, mas tranquilizador.
— Senhores, respirem. A senhorita Weston está estável e fora de qualquer risco de morte.
Senti os meus joelhos fraquejarem. O ar que eu vinha prendendo desde o momento em que recebi a ligação do Ade escapou em um sopro trêmulo, e tive que apoiar a mão no ombro do Adrian para não cambalear no piso do corredor.
Atrás de nós, ouvi o suspiro de puro alívio do William e o choro contido da Sara sendo abraçada por Henry.
— Mas o acidente foi grave — o médico prosseguiu sem rodeios, mantendo a postura clínica. — O impacto lateral contra o poste e a desaceleração brusca causaram uma concussão cerebral moderada, além de uma fissura na terceira costela esquerda e diversas contusões torácicas provocadas pela retenção do cinto e pelo choque com o airbag. Nós realizamos uma tomografia computadorizada completa do crânio e da coluna cervical: não há hemorragia intracraniana ativa nem fraturas vertebrais, o que foi um verdadeiro milagre considerando a destruição da lateral do carro.
— E por que ela demorou tanto a acordar, doutor? — Adrian perguntou, a voz ainda rouca, mas perdendo aos poucos aquele tom aterrorizado.
— O traumatismo causou um rebaixamento momentâneo do nível de consciência, agravado pelo choque mecânico e pelo estresse extremo — explicou o especialista. — Nós fizemos a sutura no corte da têmpora, administramos analgésicos potentes e anti-inflamatórios na veia. Ela já recuperou a consciência há cerca de dez minutos. Está um pouco desorientada devido à medicação, sentindo dores no corpo e na cabeça, o que é absolutamente esperado. Ela vai precisar ficar em observação rígida nas próximas quarenta e oito horas, em repouso absoluto, sem esforço físico e com cuidados contínuos para monitorar a pressão intracraniana e a cicatrização da costela.
— Nós podemos vê-la? — perguntei no mesmo instante, o peito apertado de uma ansiedade incontrolável. — Por favor.
O médico me fitou com seriedade e depois olhou para o Adrian.
— Apenas visitas rápidas. A paciente precisa de repouso e silêncio. Um ou dois de cada vez, sem agitação. Ela acabou de ser transferida para o quarto 408 da ala de observação do trauma.
— Obrigado, doutor. Muito obrigado — Adrian agradeceu, apertando a mão do cirurgião com força.
O médico assentiu e se retirou pelo corredor.
Adrian se virou para o grupo atrás de nós. Henry e Augustus se aproximaram, e os olhos dos meus amigos ainda guardavam uma sombra de aflição, mas a tensão descomunal dos últimos quarenta minutos finalmente começava a se dissipar.
— Will, Henry... avisem o Wes que ela está bem — Adrian instruiu com a autoridade voltando à sua voz. — E Augustus, por favor, liga para a Evie ou para quem estiver com a Victoria e garanta que ela não saiba de absolutamente nada até a Nat estar cem por cento recuperada. A Vic não pode desconfiar.
— Deixa com a gente, Ade — Henry respondeu, apertando o ombro do amigo. — Eu vou levar a Sara para casa agora. Ela precisa descansar depois do susto por conta do bebê. Qualquer alteração, você me liga na hora.
— Pode deixar — Adrian concordou.
William veio até mim, os olhos ainda vermelhos, mas com um olhar compreensivo.
— Ela é durona, Lucas. Ela vai ficar bem. Mas agora entra lá e cuida da sua mulher.
Assenti em silêncio, engolindo em seco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo