Capítulo 39 — Linhas de Defesa
Victoria Clark
A voz do Adrian ainda ecoava dentro de mim, densa e pesada, fazendo as paredes daquela sala presidencial parecerem subitamente menores:
— Eu acabei de dizer que isso não tem absolutamente nada a ver com zelo, Victoria. É a porra de um ciúmes obsessivo que eu já não estou conseguindo mais controlar.
Eu o olhei completamente confusa, tentando processar o significado daquela declaração que veio sem nenhum aviso. Meu coração deu um solavanco contra as costelas antes que a minha voz saísse em um fio de sussurro:
— Você finalmente admitiu que tem ciúmes...
Adrian deu um passo à frente, eliminando qualquer espaço que restava entre nós. Ele inclinou o rosto e passou o nariz pelo meu pescoço de forma lenta, arrancando um arrepio involuntário da minha pele, antes de confessar com a voz rouca:
— Sim, estou admitindo. Eu tive ciúmes do jeito que o Hamilton olhou para você. Tive vontade de fazer o Avery engolir os dentes pela forma como ele sorriu e falou com você na sala de reuniões. E, merda, eu odiei ver o seu sorriso para ele, porque eu queria que ele fosse para mim... Só para mim, Vic.
Meu cérebro deu uma pane geral. As defesas que eu havia passado a manhã inteira construindo começaram a oscilar diante daquela vulnerabilidade inesperada.
— Adrian, por que você está fazendo isso? Por que está admitindo tudo isso logo agora? — perguntei, encarando a imensidão daquele olhar azul tão perto do meu.
— Eu não sei. Não faço a menor ideia do porquê eu disse, e nem o porquê de estar sentindo isso — ele admitiu, a mandíbula tensa. — Só sei que estou sentindo, e isso está me enlouquecendo.
Soltei um riso curto, balançando a cabeça, tentando não me deixar levar pela intensidade dele.
— Preciso dizer que essas suas oscilações repentinas de humor também estão me deixando louca.
Adrian se aproximou um milímetro a mais e deu um beijo suave na ponta do meu nariz.
— Então vamos evitar causar isso um no outro daqui para frente.
Contive o impulso de me entregar àquele carinho e me afastei dele por um segundo, cruzando os braços para restabelecer uma distância segura.
— E o que exatamente isso quer dizer?
Antes que ele pudesse formular uma resposta, duas batidas firmes na porta de madeira nos cortaram, nos trazendo de volta à realidade. Nos lembrando imediatamente de que Henry continuava no corredor nos aguardando.
— Vamos falar sobre isso mais tarde, em um jantar só nós dois — Adrian sugeriu rapidamente, ajeitando o paletó do terno.
Neguei com a cabeça no mesmo instante.
— Eu já tenho um jantar marcado para hoje à noite, você sabe disso.
Ele passou a mão pelos cabelos escuros, e a expressão dele mudou de imediato, a irritação assumindo o controle das suas feições.
— Mesmo depois de eu admitir exatamente o que sinto sobre ver você com o Lucas, você vai insistir nessa história de sair com ele?
Mantive meus olhos fixos nos dele, sem recuar um milímetro.
— Adrian, eu não posso simplesmente me afastar do meu melhor amigo só porque você é inseguro.
— Eu não sou inseguro! — ele rebateu de imediato, os dentes cerrados.
Coloquei a mão na cintura, o encarando com seriedade.
— Então eu posso concluir que esse ciúmes todo é baseado puramente em controle, e não em sentimentos reais? É só você querendo marcar território e não admitindo de verdade que tem sentimentos por mim?
Adrian me encarou por alguns segundos longos e tensos, mas não disse absolutamente nada. O silêncio dele foi a minha resposta.
— Foi o que eu pensei — soltei o ar pelo nariz, sentindo a mágoa misturar-se à raiva. — Até na porra do seu ciúmes é só você sendo o babaca do Foley de sempre.

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