Capítulo 81 — Impactos e Consequências
Lucas Avery
Eu realmente não queria ter que me esconder naquele armário de jeito nenhum; de verdade, achava aquela situação inteiramente ridícula para homens do nosso porte. Mas a Natalie estava desesperada e não queria de forma alguma que o Adrian nos visse juntos, e eu decidi respeitar a decisão dela.
Só que, conforme a conversa acalorada dos dois foi avançando no quarto, as coisas mudaram de figura muito rápido.
O Adrian me odiava com todas as suas forças, e no fundo eu até entendia perfeitamente os seus motivos; no lugar dele, eu provavelmente alimentaria o mesmo sentimento se eu não soubesse de toda a verdade por trás do passado.
Mas ele estava passando de todos os limites aceitáveis. Eu sabia exatamente o que ele estava tentando fazer ali: despejar a "verdade" nua e crua na cara da Nat para forçá-la a me odiar da mesma forma doentia que ele me odeia.
Só que a gota d'água absoluta para mim veio quando a voz dele ecoou autoritária pelo quarto:
— Eu disse que trazer o Lucas Avery de volta para a sua vida vai magoar profundamente a nós dois, Natalie. Porque ele nunca vai ser capaz de se apaixonar por você.
Fechei as minhas mãos em punhos rígidos na penumbra do closet, tentando a todo custo controlar a fúria cega que começou a ferver o meu sangue. E então, ele concluiu o raciocínio de forma sórdida:
— Ele não vai fazer isso porque ele já tem o coração totalmente ocupado por outra pessoa... E essa pessoa, infelizmente, é a minha mulher!
A fúria explodiu sem barreiras dentro de mim. Abri a porta do closet em um baque e passei pelo vão, encarando o meu antigo amigo com os olhos faiscando.
— Cala a porra dessa sua boca, Adrian Foley!
Natalie chorava em puro desespero no canto do quarto. Eu fiz menção imediata de dar um passo à frente para ir até ela e ampará-la, mas o sorriso presunçoso e vitorioso que o Adrian ostentava nos lábios me cegou por completo.
Por um segundo crítico, eu simplesmente não enxerguei mais a Nat e a dor dela; enxerguei apenas o cretino do meu ex-melhor amigo zombando de mim.
E, sem pensar duas vezes ou medir consequências, eu me lancei contra ele.
Acertei um soco forte e direto no travessão do seu maxilar, fazendo o corpo dele dar um passo para trás. Adrian rosnou como um animal furioso, recuperou o equilíbrio em um segundo e avançou contra o meu peito, me derrubando contra a lateral do armário.
O barulho de madeira estalando ecoou pelo cômodo enquanto trocávamos golpes pesados, socos desferidos com anos de mágoa acumulada e insultos ríspidos disparados a poucos centímetros do rosto.
— Seu filho da puta ignorante! — esbravejei, desviando de um cruzado dele e acertando o seu estômago.
— Desgraçado! Você não vai acabar com a minha vida de novo, Avery! Nunca mais vou deixar você se aproximar de nós! — ele berrou de volta, a voz rouca de ódio, devolvendo um soco seco no meu rosto que fez o meu lábio rachar na hora.
Natalie tentava desesperadamente intervir no meio do caos, gritando os nossos nomes, mas nós dois simplesmente a ignoramos por completo, cegos pela fúria do confronto. Em pânico, ela correu até a porta do quarto, a abriu com tudo e começou a gritar a plenos pulmões pelo corredor por socorro, chamando pelo Henry e pelo Wesley.
Segundos depois, Victoria apareceu correndo, com os olhos castanhos arregalados de horror ao ver o sangue e a confusão no chão. Ela gritou com firmeza para que nós dois parássemos imediatamente, mas o barulho da briga cobria tudo. Continuamos a nos socar sem piedade no carpete.
De repente, senti uma pancada seca, pesada e dolorida bater direto nas minhas costas, tirando-me o ar. Travei a briga no mesmo segundo, desconcertado, e logo em seguida vi o exato momento em que o mesmo objeto pesado atingiu o ombro do Adrian com força.
Era a Victoria. Ela estava parada ali no meio do quarto, segurando a base pesada de bronze de um abajur de mesa nas mãos, descendo o objeto em nós dois sem a menor dó ou piedade.
— Amor, para com isso agora! — Adrian pediu, encolhendo os ombros e erguendo os braços para se defender dos golpes furiosos da esposa.
Ela ignorou o apelo dele por completo, dando mais uma pancada certeira no ombro dele. Eu soltei um riso abafado diante da cena absurda, mas Victoria girou o corpo na minha direção, totalmente tomada pela fúria, e desceu a base do abajur com força nas minhas costas também.
— Ow, Vic!! — resmunguei de dor, erguendo as mãos para proteger a cabeça.
Henry e Wesley invadiram o quarto afobados no mesmo instante. Henry correu até o Adrian, segurando-o firmemente pelo peito para impedir que ele avançasse de novo, enquanto o Wesley veio na minha direção, postando-se na minha frente para nos separar.
Logo em seguida, a figura imponente do senhor Foley passou pela porta do quarto, o semblante extremamente rígido e furioso.
— Que palhaçada grotesca é essa aqui dentro?! — o patriarca esbravejou, a voz ecoando como trovão. — Vocês dois por acaso perderam o juízo de vez? Brigando como dois bicho selvagens no soco, e ainda mais em um dia de luto como o de hoje?!
Adrian ajeitou o colarinho rasgado da sua camisa preta e encarou o avô com os olhos azuis faiscando de raiva.
— Foi esse cretino do Avery quem avançou de surpresa em mim, vovô! Eu só estava me defendendo!
Soltei uma risada alta, debochada e totalmente desprovida de humor, limpando o rastro de sangue do meu lábio com as costas da mão.
— Conta para ele o motivo real pelo qual eu avancei em você, seu babaca! Diz para ele agora mesmo na frente de todo mundo as atrocidades que você acabou de falar para a Nat aqui dentro! — rebati furioso.
Adrian me encarou de volta, o peito subindo e descendo com violência.
— Eu disse a verdade, Avery! Que você é um traidor cretino, manipulador e interesseiro, que é assumidamente apaixonado pela minha mulher! E que a Natalie só vai causar sofrimento para ela mesma e para todos nós se insistir na besteira de trazer você de volta para as nossas vidas!
Victoria deu um passo à frente, chamando a atenção dele com a voz firme.

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